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Circo da Notícia

23/10/2015 na edição 873
eduardo_cunha

Foto Wikimedia /CC

Eduardo Cunha, por enquanto presidente da câmara, está sempre aprontando alguma perfídia. A mais recente, pretende incomodar jornais e jornalistas. Sem qualquer aviso às lideranças, Cunha enfiou na pauta da câmara e conseguiu a aprovação do projeto de lei que restabelece e normatiza o direito de resposta. Quer vingar-se dos recentes vazamentos na imprensa que escancararam as propinas que recebeu e as movimentações de suas contas secretas no exterior. O esperto parlamentar sabe perfeitamente que a proposta aprovada por seus fiéis aliados deverá seguir para o senado onde o seu poder é menor. Expert em burlas ao regimento da câmara, o diligente Eduardo Cunha esqueceu de um detalhe: a matéria deveria ter sido apreciada antes pelo Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do congresso e só depois levada a plenário para votação. Cunha já advinha o que o espera mas quer fazer muito barulho até o último minuto.

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Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman

O filósofo polonês Zygmunt Bauman é muito mais do que um fenômeno literário: é um milagre cultural sobretudo porque ocorre no Brasil onde tais milagres são muito raros. Sabemos que nos 27 anos em que é editado pela Zahar produziu 35 títulos que somados venderam quase 600 mil exemplares. Mas os teasers chamadas, da sua entrevista no Observatório da Imprensa em seis dias tiveram 150 mil visualizações enquanto a reprodução integral bateu recorde: 50 mil visualizações. Mas reparem: a entrevista deste senhor de quase 90 anos, com problemas de audição, falada em inglês e forte sotaque eslavo, mas legendada em português, não versou sobre amenidades ao contrário, a pauta era pesada, a temática densa. Esta devoção e este respeito às ideias e à figura de um pensador da modernidade como Bauman é um exemplo edificante da capacidade de resposta do público brasileiro aos estímulos intelectuais genuínos.

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Svtlana Alexeivich / Foto Wikipedia - Licença Creative Commons

Svtlana Alexeivich / Foto Wikipedia – Licença Creative Commons

Não se consumou a esperada repercussão da escolha de uma jornalista para o Nobel de Literatura deste ano. A bielo-russa Svetlana Alexeivich escreve livros mas poderia escrever em jornais, revistas ou na internet – se deixassem, claro. Mas não deixam: jornalista puro-sangue, incansável denunciadora de injustiças, barbaridades, malfeitorias, como qualquer profissional de imprensa está comprometida com a busca da verdade. Por isso é incômoda – incomoda o governo do seu país, pseudo-república nos moldes soviéticos que tem o mesmo presidente há mais de 20 anos. Incomoda o tzar da vizinha Rússia, Vladmir Putin, incomoda os oligarcas, os sacerdotes ortodoxos, os políticos populistas e os xenófobos. E pelo visto, quando publicada no Brasil, Svetlana, incomodará também aqueles que não gostam de se incomodar, aqueles que enxergam o jornalismo como entretenimento, veículo de abobrinhas e de mundanidades. Svetlana tem muito a dizer: quando anunciaram o prêmio declarou laconicamente: “agora eles terão que me ouvir!’. Eles quem, Svetlana? Logo saberemos.

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