Sábado, 18 de Abril de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 18 - nº 846

ARMAZéM LITERáRIO > CUBA

O difícil processo de construção social do país

10/09/2012 na edição 711
Cuba sem bloqueio, de Hideyo Saito e Antonio Gabriel Haddad, 448 pp., Editora Radical Livros, R$ 45

[do release da editora]

Sem o preconceito, as distorções e as omissões que quase sempre rondaram as notícias publicadas sobre o país, Cuba sem bloqueio, da editora Radical Livros, traça um cuidadoso retrato da revolução cubana e seu futuro, revelando o cotidiano, as lutas e os problemas de um povo e sua história pouco conhecida entre nós até agora. O livro tem 448 páginas e custa R$ 45,00. Ele pode ser adquirido pelo site www.radicallivros.com.br.

Hideyo Saito e Antonio Gabriel Haddad, respectivamente jornalista e publicitário, deixam claro que não consideram Cuba um paraíso terrestre. A maior prova é que eles mostram críticas dos próprios cubanos a facetas do sistema de governo, apresentadas em assembleias de trabalhadores, nas universidades, em filmes e programas de televisão e até no jornal Granma. Resultado de pesquisa profunda e apurado trabalho jornalístico, eles narram o difícil processo de construção social do país que procura enfrentar seus problemas, encarados como consequência de erros e de dificuldades políticas e econômicas de toda ordem, mas também de agressões e de obstáculos criados pelas potências dominantes. A ideia deste livro surgiu em 2006, quando os autores estiveram em Cuba para comemorar, ao lado de duas mil pessoas de várias partes do mundo, os 80 anos de Fidel Castro.

Estudantes cubanos ficaram em primeiro lugar

Eles começaram a perceber com mais clareza o desconhecimento geral da situação passada e da realidade atual do país e concluíram que era preciso furar esse bloqueio de informações. “Não nos conformávamos com as pessoas dizendo que não gostavam de Cuba porque não gostavam de ditaduras, mas desconheciam completamente o sistema de governo, a economia, a participação popular, a solidariedade com outros países, a identidade cultural, as conquistas em áreas tão importantes como educação, saúde, segurança”, explicam. Para eles, a mídia tem responsabilidade nessa situação: “É visível o esforço dos grandes veículos de comunicação em minimizar aspectos positivos ou o esquecimento proposital de circunstâncias que poderiam explicar os negativos.”

A partir daí consultaram fontes oficiais e não oficiais, para falar inclusive de temas polêmicos como a emigração cubana aos Estados Unidos, os dissidentes, a escassez de produtos, a censura. Munidos de muita documentação e embalados pela vontade de recontar essa história, Saito e Haddad traçaram um painel de Cuba em 12 capítulos, com muitas respostas, mas também indagações como essa: “Quantos países capitalistas constituem uma sociedade razoavelmente harmônica, sem miséria, sem fome, sem analfabetismo, sem violência social e sem crianças abandonadas como a que retratamos nas páginas deste livro?”

Entre os fatos que demonstram as omissões da mídia, os autores citam a divulgação pela Unesco dos resultados das pesquisas comparativas sobre o ensino na América Latina, uma de 1997 e outra de 2007: “A grande imprensa brasileira abriu um bom espaço para falar sobre o desempenho do Brasil, mas não mencionou que os estudantes cubanos ficaram em primeiro lugar em ambas”, relembram.

Um exemplo de internacionalismo

A obra reconstitui a saída do líder histórico Fidel Castro do poder, a emoção do povo e a era pós-Fidel, o longo processo de mudanças com Raúl Castro e as medidas econômicas tomadas para corrigir distorções que se acumularam como resultado das políticas emergenciais que provocaram o reaparecimento das desigualdades sociais. Segundo os autores, o governo vem fazendo seguidas convocações para que a população seja a protagonista da mudança, estimulando o debate e abrindo campanha contra a corrupção e os privilégios. Cuba está vivendo tempos de mudanças na área econômica, inclusive na política salarial, com a revisão de subvenções do Estado.

Mesmo com todas as transformações e os grandes abalos sofridos pelo mundo socialista nos idos de 1989/1990, os autores garantem que a revolução cubana é institucionalmente sólida e continua gozando de apoio popular, além de exibir indicadores sociais, educativos e de saúde superiores aos de vários países desenvolvido.

Para falar de Fidel, eles recorrem às palavras do escritor Gabriel García Márquez: “Ele criou uma política de potência mundial, em uma ilha 84 vezes menor que seu inimigo principal. Fidel tem a convicção de que a maior conquista do ser humano é a boa formação de sua consciência e que os estímulos morais, mais que os materiais, são capazes de mudar o mundo e empurrar a história.” Essas palavras são reforçadas pelas do líder Nelson Mandela: “Os cubanos vieram à África como médicos, professores, agrônomos, soldados, mas nunca como colonizadores. Dividiram conosco as trincheiras na luta contra o subdesenvolvimento, o racismo e o colonialismo. Jamais iremos esquecer seu exemplo de internacionalismo, sem paralelo na história.”

Sobre os autores

Hideyo Saito tem 57 anos, é jornalista formado pela ECA (USP) e escreveu para publicações como IstoÉ, Movimento, Repórter e outros órgãos da imprensa nanica. Foi editor de diversas revistas de caráter técnico. Escreveu para a Rádio Havana Cuba de 1986 a 1988. Trabalha atualmente como funcionário público, tendo se especializado em Administração Pública pela Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, de Buenos Aires, Argentina.

Antonio Gabriel Haddad tem44 anos e é graduado em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi. Nos anos 1990, foi redator de veículos da imprensa sindical. Atualmente, milita em organizações de solidariedade à revolução cubana.

Informações para a imprensa com Ivani Cardoso pelo telefone (11) 999324765

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O difícil processo de construção social do país

10/09/2012 na edição 711
Cuba sem bloqueio, de Hideyo Saito e Antonio Gabriel Haddad, 448 pp., Editora Radical Livros, R$ 45

[do release da editora]

Sem o preconceito, as distorções e as omissões que quase sempre rondaram as notícias publicadas sobre o país, Cuba sem bloqueio, da editora Radical Livros, traça um cuidadoso retrato da revolução cubana e seu futuro, revelando o cotidiano, as lutas e os problemas de um povo e sua história pouco conhecida entre nós até agora. O livro tem 448 páginas e custa R$ 45,00. Ele pode ser adquirido pelo site www.radicallivros.com.br.

Hideyo Saito e Antonio Gabriel Haddad, respectivamente jornalista e publicitário, deixam claro que não consideram Cuba um paraíso terrestre. A maior prova é que eles mostram críticas dos próprios cubanos a facetas do sistema de governo, apresentadas em assembleias de trabalhadores, nas universidades, em filmes e programas de televisão e até no jornal Granma. Resultado de pesquisa profunda e apurado trabalho jornalístico, eles narram o difícil processo de construção social do país que procura enfrentar seus problemas, encarados como consequência de erros e de dificuldades políticas e econômicas de toda ordem, mas também de agressões e de obstáculos criados pelas potências dominantes. A ideia deste livro surgiu em 2006, quando os autores estiveram em Cuba para comemorar, ao lado de duas mil pessoas de várias partes do mundo, os 80 anos de Fidel Castro.

Estudantes cubanos ficaram em primeiro lugar

Eles começaram a perceber com mais clareza o desconhecimento geral da situação passada e da realidade atual do país e concluíram que era preciso furar esse bloqueio de informações. “Não nos conformávamos com as pessoas dizendo que não gostavam de Cuba porque não gostavam de ditaduras, mas desconheciam completamente o sistema de governo, a economia, a participação popular, a solidariedade com outros países, a identidade cultural, as conquistas em áreas tão importantes como educação, saúde, segurança”, explicam. Para eles, a mídia tem responsabilidade nessa situação: “É visível o esforço dos grandes veículos de comunicação em minimizar aspectos positivos ou o esquecimento proposital de circunstâncias que poderiam explicar os negativos.”

A partir daí consultaram fontes oficiais e não oficiais, para falar inclusive de temas polêmicos como a emigração cubana aos Estados Unidos, os dissidentes, a escassez de produtos, a censura. Munidos de muita documentação e embalados pela vontade de recontar essa história, Saito e Haddad traçaram um painel de Cuba em 12 capítulos, com muitas respostas, mas também indagações como essa: “Quantos países capitalistas constituem uma sociedade razoavelmente harmônica, sem miséria, sem fome, sem analfabetismo, sem violência social e sem crianças abandonadas como a que retratamos nas páginas deste livro?”

Entre os fatos que demonstram as omissões da mídia, os autores citam a divulgação pela Unesco dos resultados das pesquisas comparativas sobre o ensino na América Latina, uma de 1997 e outra de 2007: “A grande imprensa brasileira abriu um bom espaço para falar sobre o desempenho do Brasil, mas não mencionou que os estudantes cubanos ficaram em primeiro lugar em ambas”, relembram.

Um exemplo de internacionalismo

A obra reconstitui a saída do líder histórico Fidel Castro do poder, a emoção do povo e a era pós-Fidel, o longo processo de mudanças com Raúl Castro e as medidas econômicas tomadas para corrigir distorções que se acumularam como resultado das políticas emergenciais que provocaram o reaparecimento das desigualdades sociais. Segundo os autores, o governo vem fazendo seguidas convocações para que a população seja a protagonista da mudança, estimulando o debate e abrindo campanha contra a corrupção e os privilégios. Cuba está vivendo tempos de mudanças na área econômica, inclusive na política salarial, com a revisão de subvenções do Estado.

Mesmo com todas as transformações e os grandes abalos sofridos pelo mundo socialista nos idos de 1989/1990, os autores garantem que a revolução cubana é institucionalmente sólida e continua gozando de apoio popular, além de exibir indicadores sociais, educativos e de saúde superiores aos de vários países desenvolvido.

Para falar de Fidel, eles recorrem às palavras do escritor Gabriel García Márquez: “Ele criou uma política de potência mundial, em uma ilha 84 vezes menor que seu inimigo principal. Fidel tem a convicção de que a maior conquista do ser humano é a boa formação de sua consciência e que os estímulos morais, mais que os materiais, são capazes de mudar o mundo e empurrar a história.” Essas palavras são reforçadas pelas do líder Nelson Mandela: “Os cubanos vieram à África como médicos, professores, agrônomos, soldados, mas nunca como colonizadores. Dividiram conosco as trincheiras na luta contra o subdesenvolvimento, o racismo e o colonialismo. Jamais iremos esquecer seu exemplo de internacionalismo, sem paralelo na história.”

Sobre os autores

Hideyo Saito tem 57 anos, é jornalista formado pela ECA (USP) e escreveu para publicações como IstoÉ, Movimento, Repórter e outros órgãos da imprensa nanica. Foi editor de diversas revistas de caráter técnico. Escreveu para a Rádio Havana Cuba de 1986 a 1988. Trabalha atualmente como funcionário público, tendo se especializado em Administração Pública pela Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, de Buenos Aires, Argentina.

Antonio Gabriel Haddad tem44 anos e é graduado em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi. Nos anos 1990, foi redator de veículos da imprensa sindical. Atualmente, milita em organizações de solidariedade à revolução cubana.

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