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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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ARMAZéM LITERáRIO > A MAIOR EDITORA DO MUNDO

Penguin e Random negociam acordo

Por Andrew Edgecliffe-Johnson e Gerrit Wiesmann em 29/10/2012 na edição 718
Reproduzido do Valor Econômico, 26/10/2012, tradução de Sabino Ahumada; intertítulo do OI

Bertelsmann e Pearson negociam a combinação de suas editoras Random House e Penguin, transação que criaria a maior do mundo no setor e seria uma resposta aos desafios a suas estratégias criados pelo alto crescimento do mercado de livros digitais.

O foco das negociações é uma fusão em que a Bertelsmann ficaria com fatia superior a 50%, segundo três fontes a par do assunto, ressaltando que as conversas podem não resultar em nenhum acordo.

A Pearson, controladora do “Financial Times”, disse ontem que “está discutindo com a Bertelsmann uma possível combinação de Penguin e Random House. As companhias não chegaram a um acordo e não há certeza que as discussões levem a uma transação”. Os executivos da Bertelsmann, que estão na China, não comentaram.

As negociações ocorrem em um momento em que grandes grupos de tecnologia, como Apple, Amazon e Google, vêm impulsionando os livros digitais e redefinindo o mercado editorial.

Analistas acreditam que haverá uma onda de fusões entre as “seis grandes” editoras, as líderes de um mercado que há vários anos é relativamente fragmentado. Entre os motivos, citam as mudanças no equilíbrio de poder em um setor no qual o varejo não é definido por livrarias independentes, mas por grandes grupos de tecnologia e comércio eletrônico e algumas poucas redes nacionais de livrarias.

Especulações a mil

A combinação de duas das quatro maiores editoras do mundo poderia enfrentar análises das autoridades de concorrência em vários países. As participações de mercado variam de acordo com as listas de livros mais vendidos, mas estima-se que o grupo combinado poderia controlar em torno de 25% dos mercados dos Estados Unidos e Reino Unido.

O Departamento da Justiça dos EUA processou neste ano a Apple e cinco editoras, incluindo a Penguin, mas não a Random House, por suposta conspiração. Três delas chegaram a acordos para encerrar as acusações, que não incluíam questões de concorrência. A Penguin ainda contesta a ação.

Vários elementos da negociação [entre Random e Penguin] estão por ser decididos, de acordo com as fontes. Ainda não está claro se as editoras precisariam vender unidades ou operações para ganhar a aprovação dos órgãos reguladores à fusão, segundo uma das fontes. Outra ressaltou que as participações de mercado das duas editoras variam consideravelmente em vários países.

As conversas, noticiadas primeiramente pela revista “Manager”, na Alemanha, ocorrem em meio aos esforços de Thomas Rabe, indicado em 2011 como CEO da Bertelsmann, para expandir a receita do grupo alemão de mídia em países emergentes como Índia, China e Brasil, onde a Penguin possui forte presença [Peguin tem 45% da brasileira Companhia das Letras].

Também ocorrem enquanto Marjorie Scardino prepara-se para ser substituída como executiva-chefe da Pearson por John Fallon, ex-diretor da editora de material educacional internacional do grupo, em 1º de janeiro.

As notícias sobre os planos de sucessão aumentaram as especulações entre analistas de que poderia haver algum tipo de mudança empresarial no grupo, cujas ações são listadas em Londres e atualmente obtém 75% de suas receitas com as operações de editora de material educacional.

Se as negociações de fusão forem bem-sucedidas, espera-se que tanto Markus Dohle, CEO da Random House, como John Makinson, CEO da Penguin, assumam cargos de liderança na nova empresa combinada. 

***

[Andrew Edgecliffe-Johnson e Gerrit Wiesmann, do Financial Times em Nova York e Berlim]

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