Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1025
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Mais barato o livro, maior a inclusão

Por Karine Pansa em 11/06/2013 na edição 750

Em artigo intitulado “Dados privados, políticas públicas”, publicado em 28 de maio nesta seção, Pablo Ortellado e Luciana Lima questionam os dados relativos aos preços do livro no Brasil constantes de estudo da Fipe (Fundação Instituto Pesquisas Econômicas). Colocam em dúvida a informação que utilizei em artigo publicado na mesma seção de que o preço médio do livro no Brasil recuou 6,11% nas vendas das editoras ao mercado em 2011. No acumulado entre 2004, quando as editoras tiveram isenção do PIS/Cofins, e 2011, a queda foi de 21,8%. Descontada a inflação, significa decréscimo real de 44,9%.

O argumento utilizado por Ortellado e Luciana é o de que os dados para a pesquisa são fornecidos pelas editoras e, portanto, não seriam confiáveis. Ora, além de ninguém poder fazer irresponsavelmente uma acusação grave como essa, há de se considerar que a Fipe, instituição com alta credibilidade, jamais se prestaria a trabalhar com base duvidosa de números. Questionar isso é uma ofensa a uma organização muito séria e de reconhecida competência. Ademais, no capitalismo democrático e nas nações civilizadas, pesquisas de preços e de faturamento são feitas com os dados do mercado, justamente porque são concretos e os que melhor expressam a realidade.

Por outro lado, Ortellado e Luciana também estão equivocados ao misturar dados dos preços ao mercado com os números relativos às compras do governo, no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Como aparentemente não dispunham de informações para contestar a pesquisa da Fipe, lançaram mão, em seu exercício retórico, dos números relativos às vendas ao governo. Assim, afirmaram que, nos últimos oito anos, houve variação de “apenas” R$ 7,50 no preço médio dos livros do PNLD.

Questionamento irresponsável

Para que Ortellado e Luciana fiquem melhor informados, explico: em meu artigo, deixei muito claro que os números apresentados eram exclusivamente relativos ao mercado, excluindo, portanto, vendas ao governo. E comemoro: que ótimo que a dupla de articulistas reconhece que também caíram os preços médios dos livros que o governo compra para distribuir aos estudantes das escolas públicas!

Explicadas essas questões, cabe reafirmar que a queda de preços é um dos fatores que têm estimulado os brasileiros a lerem mais, contribuindo para a inclusão cultural. Tanto assim que as editoras comercializaram 469,5 milhões de livros em 2011, um novo recorde! Reafirmamos, ainda, que pesquisa Datafolha realizada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo em agosto de 2012 corrobora a tendência, inclusive por consumidores de classes de renda menor.

Aumentou o número de indivíduos adultos (43% em 2012, contra 38% em 2010) que visitaram o evento pela primeira vez. Cresceu a proporção dos frequentadores da classe C, de 14% para 19%. Dos 750 mil visitantes, 82% compraram, ante 80% em 2010. Entre as duas bienais, a média aumentou de cinco para seis títulos por pessoa. Os números são claros. Instituições sérias, como a Fipe e o Datafolha, não podem ser questionadas de modo irresponsável por quem, sabe-se lá o motivo, quer fazer do livro um instrumento de retórica política.

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Karine Pansa é sócia-diretora da Girassol Brasil Edições e presidente da Câmara Brasileira do Livro

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