Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1060
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ARMAZéM LITERáRIO >

Inovação é ação

Por Carlos Tourinho em 30/07/2013 na edição 757

“Nada mais antigo do que o passado recente.” (Nelson Rodrigues, jornalista e dramaturgo)

E nada mais atual do que sua frase, Nelson Rodrigues.

De imediato devo dizer duas verdades ao leitor. A primeira –prepare-se, pois pode ser dura – inovação não é sinônimo de tecnologia. Ficou chocado? Segunda verdade: este não é um manual da inovação. Posto isto, para os que resistiram às primeiras verdades, vamos às explicações.

Esta publicação é resultado de pesquisas que realizo sobre o tema da inovação desde o início do novo século e que já resultaram em outra obra, o livro “Inovação no Telejornalismo” (2009). Ali começo a descrever o que entendo por inovação a partir dos conceitos acadêmicos, sobretudo os da Economia, da Administração e da Comunicação. Foi durante as pesquisas para aquele livro que também me surpreendi ao saber que inovação não era só tecnologia (no sentido mais conhecido do termo), como nos fizeram acreditar por muitos anos… E fiquei feliz em saber, juro. A inovação é algo muito mais amplo e interessante. Inovação é uma cultura, uma filosofia, um modo de se pensar, planejar e realizar que nos impulsiona a buscar o desconhecido dentro de determinados enquadramentos temporais e espaciais. Portanto, a inovação vai ser considerada como tal, dependendo da época, do lugar e das necessidades de um determinado contexto. Portanto, o que ontem não tinha importância, hoje pode ser revolucionário. Ou o contrário, na maior parte das vezes. Os objetivos é que não variam muito: inova-se para criar oportunidades de negócios, em geral, o que acaba por beneficiar vários outros setores da sociedade.

Uma inovação pode ser radical ou de simples aperfeiçoamento de processo, como veremos melhor ao longo deste livro. Pode quebrar paradigmas, criar novos hábitos, ampliar clientela, reduzir custos, fazer as coisas de forma mais rápida… São inúmeras as possibilidades. Portanto, nem sempre estamos falando de tecnologia. Mas foi a partir da Revolução Industrial que uma nova relação produtiva e, sobretudo, o endeusamento da máquina, fez com que a ideia do moderno e do inovador fossem apropriadas pela tecnologia. As invenções, que muita gente confunde com o conceito de inovação, também contribuíram para que o termo se tornasse impreciso, elástico e fosse sendo apropriado num sentido exclusivamente tecnológico.

No Capítulo 1 apresento o assunto a partir dos variados conceitos existentes na literatura e a visão de muitos especialistas. São destacadas as questões relativas aos tipos de inovação; o estímulo e as conseqüências de se pensar diferente; os limites do progresso; os modelos de negócios e o papel do líder. E destaco outros temas que fazem parte do imaginário popular. É verdadeira a frase “em time que está ganhando não se mexe”? E aquela outra: “se melhorar estraga”? E ainda, você acredita que uma pessoa mal humorada pode ser útil na hora de inovar?

Ao dizer que escrevi anteriormente um livro relacionando a inovação com o jornalismo inicio a explicação da segunda verdade que “revelei”. Sou um jornalista e pesquisador das Ciências da Comunicação. Aqui estão artigos redigidos em linguagem coloquial sobre uma área que se torna cada vez mais “noticiável”. De três anos para cá passei a escrever semanalmente sobre inovação para jornal, revista, blog e rádio. Destes relatos, compilados e atualizados, traço um mosaico de algumas inovações que despertaram minha atenção neste período. Das inovações na venda de cosméticos às promessas nas igrejas; do lápis à fotografia; a história da evolução das campanhas políticas e muitos outros casos, como a lição oriental que faz uma metáfora do Aikidô com a concorrência asiática na fabricação de confecções. E com tantos casos noticiados de inovação uma pergunta se sobressai: “o que fazer quando a inovação não dá certo?”.

Para o leitor atento há duas regiões que sobressaem nas narrativas apresentadas: o Espírito Santo, estado onde vivo, e Portugal, onde morei em parte do período destacado. Portanto, no capítulo 2 estão as notícias da inovação.

Finalmente, no Capítulo 3 trabalho com textos que tratam da relação da Comunicação com a inovação e a comunicação da inovação: as interfaces da inovação com o jornalismo e a publicidade e, aí sim, com destaque, as apropriações da tecnologia. Neste Capítulo circulo pelas estratégias de marketing a partir de visões inovadoras do uso da marca e do relacionamento com o mercado; o mundo das invenções e a evolução do relacionamento entre o cidadão e os meios de comunicação. Ainda nesta parte identifico a presença dos elementos da inovação na criação e preservação de algumas manifestações culturais, como as festas Juninas e o Carnaval. Também aqui, apesar das reflexões e interesses acadêmicos, fujo dos rigores de uma abordagem científica para privilegiar a identidade e uniformidade do ferramental utilizado ao longo deste livro: a abordagem jornalística e a linguagem coloquial em artigos curtos.

Portanto, como disse no início, este livro não é um manual. Mas podemos sorrateiramente chamá-lo de guia. Um guia para uma viagem pelo mundo da inovação. Como todas as boas viagens, desejo que esta seja para você o que foi para mim: prazerosa e cheia de descobertas.

***

Apresentação

Adriano R. de Lima # físico, consultor de inovação e autor do livro Innovatrix

Em todos os meus projetos de consultoria sempre usei o conceito de que inovação é um produto de criação e execução (me perdoem, sou físico, é impossível não pensar em equações)

Inovação = criAÇÃO x execuÇÃO

Sem criação não é inovação. Sem execução, não é inovação…

Mas depois de ler o livro do Carlos descobri que faltava um termo

Inovação = criAÇÃO x execuÇÃO x comunicAÇÃO

Comunicação na equação ? Sim. Vou começar por um exemplo simples. A Apple seria um sucesso se algum dos elementos acima faltasse na sua equação de inovação ? Certamente não. Adiantaria ter a ideia do iPad, construí-lo, mas não comunicá-lo adequadamente? Não funcionaria…

Mas essa equação é muito mais profunda. Pense na difícil tarefa de tornar a cultura uma empresa (ou departamento, área, estado, pais) inovadora. Descobri ao longo do tempo que uma forma eficaz de fazer isso é ensinando as pessoas a criarem melhor (inovação sistemática), executarem melhor (prototipagem, métodos ágeis de gestão de projetos) e a comunicarem melhor !

Somente uma boa comunicação faz com que as pessoas contem novas histórias de inovação. Contando novas histórias a cultura muda. Afinal de contas, cultura é a soma das histórias que as pessoas contam. Bingo! Para mudar a cultura, conte histórias. Para ter histórias tem que criar e executar!

Carlos como jornalista, além de dar uma panorama muito bom de inovação, conseguiu dar destaque ao elemento que faltava. Acertou na mosca ! Inovação é AÇÃO, AÇÃO, AÇÃO.

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Carlos Tourinho é jornalista

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