Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > MERCADO EDITORIAL

Com menos compras do governo, mercado de livros encolhe

Por Maurício Meireles em 06/08/2013 na edição 758
Reproduzido do Globo.com, 30/7/2013; intertítulo do OI

A diminuição da compra de livros pelo governo fez o mercado editorial brasileiro encolher em 2012, mostrando que as editoras do país ainda dependem das vendas governamentais para crescer. O preço do livro também subiu pela primeira vez em nove anos. É o que mostra a última edição da pesquisa “Produção e vendas do setor editorial brasileiro”, divulgada na manhã desta terça-feira na sede do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

O faturamento com as vendas para o mercado cresceu pela primeira vez em cinco anos – 0,49%, já descontada a inflação – mas não foi o suficiente para alavancar o setor. Como as vendas para o governo caíram, o mercado editorial encolheu 2,64%. A pesquisa é feitapela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do SNEL. (Veja o gráfico no link acima para mais detalhes.) “A queda faz parte do ciclo normal dos programas do governo. Um ano eles compram muito, no outro são só reposições”, diz Leonardo Müller, coordenador da pesquisa.

Sobre as vendas para o mercado, outro dado que chama a atenção na pesquisa é o número de exemplares vendidos, que diminuiu 5,43%. A explicação para o faturamento com essas vendas ter subido mesmo assim? O preço do livro cresceu pela primeira vez desde 2004: 12,46%. Na prática, isso quer dizer que o preço médio de venda do livro da editora para a livraria – que costuma ser metade do valor final – saltou de R$ 12,15 para R$ 13,66. É bom lembrar que, ainda assim, é um número 41% menor do que o valor em 2004. “A queda é causada pela chegada das edições mais baratas, como os livros de bolso. Mas há outros atores na cadeia do livro. Embora os números indiquem que o preço caiu, esse não é um índice de inflação”, diz Leonardo Müller.

Canais de venda

Já o crescimento do preço no último ano é visto pela presidente do SNEL, Sônia Jardim, como a chegada de um momento em que ficou impossível sustentar a queda. “Tem um momento em que não dá para sustentar essa redução. Temos uma alta nos insumos do livro, como o papel. Os adiantamentos de direitos autorais também estão crescendo”, diz Sônia.

Os didáticos e religiosos foram os que ficaram mais caros. Os primeiros saltaram de R$ 19,62 para R$ 24,10; os segundos, de R$ 5,29 para R$ 6,26. Ambos cresceram acima da inflação acumulada em 2012. Eles foram os principais motores da subida dos preços, e venderam menos. “O aumento dos religiosos na pesquisa anterior talvez mostrasse o crescimento da classe C, um público comum para esse tipo de obra. A diminuição de 5,8% talvez seja reflexo da desaceleração do PIB”, afirma Müller.

Sobre os canais de venda, o sistema porta-a-porta, que em 2010 foi um dos grandes estímulos do mercado editorial, com mais de 20% de participação nas vendas das editoras, continuam caindo. Em 2012, a participação delas foi de 8%.

Digital ainda incipiente

Em compensação, mesmo em tempo de livros digitais, as livrarias continuam o principal canal de vendas das editoras. A participação delas nos exemplares vendidos saltou de 44,9% para 47,42%.

Os e-books cresceram 343%, o que não significa que se vendam muitos livros digitais no país, e sim que, antes, nada era vendido. O livro digital só tem participação de 0,01% no faturamento das editoras. Também é bom lembrar que os números da pesquisa são anteriores a dezembro, quando as principais livrarias digitais estrearam no Brasil. “Vemos um setor com grande potencial de crescimento, mas que ainda vai levar um tempo para ter relevância no faturamento”, diz Leonardo Müeller.

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Maurício Meireles, do Globo

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