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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ARMAZéM LITERáRIO > RODOLFO WALSH (1927-1977)

Contos do bem e do mal

04/03/2014 na edição 788
A máquina do bem e do mal e outros contos, de Rodolfo Walsh, 240 pp., prefácio de Ricardo Piglia, organização de Sérgio Molina, tradução de Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni, Editora 34, São Paulo, 2014

[do material de divulgação]

Rodolfo Walsh (1927-1977) é um dos mais importantes nomes da literatura argentina, célebre pelo modo como articulou compromisso político e experimentação formal em sua obra. O presente volume, juntamente com Essa mulher e outros contos e Variações em vermelho, já lançados pela Editora 34, vem completar a publicação no Brasil dos contos completos do autor. Das primeiras narrativas publicadas no início dos anos 1950 até o conto-título “A máquina do bem e do mal”, o livro traça um amplo panorama da obra de Walsh, um escritor que, como afirma Ricardo Piglia, foi “capaz de escrever em todos os registros da língua”.

O autor começou sua carreira literária sob clara influência de Jorge Luis Borges. São desse período os contos que abrem o presente volume e dão prova do fôlego do então jovem escritor; entre eles há joias como “Os caçadores de lontras” e “Contos para jogadores”. A segunda parte do livro reúne todos os casos do delegado Laurenzi, publicados entre 1956 e 1964. Narrados no célebre Café Rivadavia – onde o escritor ouviu a frase que detonou a investigação de seu livro Operação Massacre –, os relatos memorialísticos do delegado percorrem a geografia e a história do país, retomando a tradição do gênero policial argentino e ampliando seus limites.

O panorama se completa com a ficção madura de Walsh: aqui se desenvolve sua veia humorística, que atinge o auge no conto-título “A máquina do bem e do mal”, um impagável quadro da marginália portenha. Em 1964, o autor reescreve seu conto de estreia, “As três noites de Isaías Bloom”; essa segunda versão, mais ágil, dá uma medida do percurso desse notável narrador e mostra a que ponto, como afirma Ricardo Piglia no prefácio, “Walsh cultivava a álgebra da forma como um modo de assegurar a eficácia da ficção”.

Sobre o autor

Rodolfo Jorge Walsh nasceu em 25 de janeiro de 1927, na província argentina de Neuquén. Atuou no campo literário primeiramente como tradutor e editor, mais tarde como jornalista e ficcionista – muitas vezes sobrepondo e fundindo essas atividades. Suas principais obras são os romances-reportagem Operación masacre (1957), Caso Satanowsky (1958) e ¿Quién mató a Rosendo? (1969), que o qualificam como precursor e expoente do new journalism, e os volumes de contos Los oficios terrestres (1965), Un kilo de oro (1967) e Un oscuro día de justicia (1973), nos quais a violenta beleza de sua prosa atinge seu ponto máximo. Deixou ainda uma série de contos policiais e duas peças de teatro, La granada e La batalla (ambas de 1965). Postumamente, parte de sua vasta produção jornalística foi reunida no volume El violento oficio de escribir (1995).Walsh é também lembrado por sua vigorosa entrega à militância política, que marcou seus últimos dez anos de vida, quando aderiu à esquerda revolucionária peronista, chegando à liderança do movimento Montoneros. Para várias gerações de intelectuais, sua contundente “Carta aberta à Junta Militar”, em que denunciou os crimes da ditadura instaurada em 1976, tornou-se um modelo de resistência aos regimes autoritários e de fé na força da palavra contra os desmandos do poder. Walsh foi assassinado por um comando militar em 25 de março de 1977, logo depois de postar cópias daquela carta a amigos e colaboradores ao redor do mundo.

Sobre os tradutores

>> Sérgio Molina nasceu em Buenos Aires em 1964 e mudou-se para o Brasil aos dez anos de idade. Estudou Ciências Sociais, Letras, Editoração e Jornalismo na USP. Começou a traduzir do espanhol em 1986 e verteu para o português mais de sessenta livros, de autores como Alejo Carpentier, Jorge Luis Borges, Ricardo Piglia, Roberto Arlt, Mario Vargas Llosa, Tomás Eloy Martínez, Ernesto Sabato, César Aira e Javier Cercas. Sua tradução para a primeira parte de D. Quixote foi premiada na 46º edição do Prêmio Jabuti (2004).

>> Rubia Prates Goldoni é doutora em Letras pela USP e tradutora, com cerca de quarenta títulos publicados. Foi professora de Literatura Espanhola e de Prática de Tradução na Unesp. Entre os autores que traduziu estão Federico García Lorca, Ricardo Piglia, Mario Benedetti, Jules Verne e Carmen Laforet. Em 2009, recebeu o Prêmio FNLJ Monteiro Lobato de Melhor Tradução Jovem, por Kafka e a boneca viajante, de Jordi Sierra i Fabra.

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