Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ARMAZéM LITERáRIO > ‘UM TIPÓGRAFO NA COLÔNIA’

A história de um pioneiro da imprensa brasileira

Por Mauricio Puls em 18/03/2014 na edição 790
Um tipógrafo na Colônia, de Leão Serva, 200 pp., Editora Publifolha, São Paulo, 2014; R$ 19,90 # reproduzido da Folha de S.Paulo, 11/3/2014; título original “‘Um tipógrafo na Colônia’ conta história do criador do 1º jornal não oficial e da 1ª revista publicados no Brasil”

Em “Um tipógrafo na Colônia”, o colunista da Folha Leão Serva reconstitui a história de seu ancestral, Manoel Antonio da Silva Serva, criador do primeiro jornal não oficial publicado no Brasil (1811) e também da primeira revista nacional (1812).

Apesar de seu pioneirismo como editor, o português hoje é mais conhecido por ter popularizado as fitinhas do Senhor do Bonfim, cuja origem também é contada no livro, que será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila (al. Lorena, 1.731, Jd. Paulista, zona oeste de São Paulo).

Silva Serva (1760-1819), comerciante em Lisboa, mudou-se para a Bahia, aparentemente em 1788, para abrir loja de “trastes domésticos”. Após a vinda da família real para o país, ele pediu em 1810 autorização para publicar um jornal privado em Salvador.

O “Idade d’Ouro do Brazil” foi lançado em 14 de maio de 1811. Tinha quatro páginas e circulava três dias por semana, sob censura prévia, com resumo do noticiário dos jornais europeus (com meses de atraso), textos sobre fatos locais e medidas do governo, além da movimentação dos navios no porto de Salvador.

Um ano após lançar o jornal, Silva Serva começou a publicar a primeira revista nacional, “Variedade ou Ensaios de Literatura”.

A família foi ajustando a linha editorial do jornal (e das demais publicações da tipografia) às mudanças na conjuntura política: no início defensora do absolutismo, em 1821 adere aos constitucionalistas portugueses e, já sob o governo de d. Pedro 1º, passa a apoiar a Independência.

Fitinhas

Antes de iniciar suas atividades como editor, Silva Serva tornou-se, em 1809, tesoureiro da irmandade do Senhor do Bonfim, em Salvador.

Após perceber que alguns fiéis usavam, como amuleto, fios que mediam 47 cm (extensão do braço direito da estátua), o comerciante convenceu a igreja a produzir e vender em grande escala as “medidas do Senhor do Bonfim”. A ideia foi um sucesso.

Com sua morte, em 1819, a viúva e depois os filhos mantiveram a editora até 1846, publicando mais de 50 periódicos e centenas de livros.

Ao final, “Um tipógrafo na Colônia” traz um catálogo dos livros e periódicos impressos por Silva Serva e seus sucessores. Graças a esse trabalho, Leão Serva ganhou o prêmio Folha Memória 2012, promovido pela Folha em parceria com a Pfizer.

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Mauricio Puls, da Folha de S.Paulo

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