Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > MERCADO EDITORIAL

Um novo mapa no mundo literário

Por Winston Manrique Sabogal em 08/07/2014 na edição 806
Reproduzido do El País Brasil, 1/7/2014; intertítulo do OI

O mundo editorial em espanhol acaba de viver a penúltima acomodação de suas placas tectônicas e, com isso, introduz novas armas no duelo pelo mercado de língua espanhola contra grandes grupos virtuais como a Amazon, o Google e a Apple. O gigante internacional Penguin Random House concluiu o processo de compra da Santillana Ediciones Generales (do Grupo Prisa, editora do EL PAÍS), anunciado em março. Torna-se, assim, o segundo maior grupo editorial de ficção e não-ficção em espanhol (depois da editora Planeta) e um dos cinco maiores do mundo: 258 selos, mais de 15.000 autores, 15.000 títulos por ano e 3,1 bilhões de euros (9,3 bilhões de reais) de receita.

A Penguin Random House (constituída pela alemã Bertelsmann, 53%, e pela britânica Pearson, 47%) se expande no território da língua espanhola, com um potencial de 550 milhões de falantes em todo o mundo. Fica com um total de 28 selos nesta área: os 20 que já tinha (Literatura Random House, Lumen, Grijalbo, Plaza & Janés …), mais os oito recém-adquiridos: Alfaguara, Taurus, Aguilar, Suma de Letras, Altea, Fontanar e Punto de Lectura, que manterão sua identidade e seu programa editorial. No próximo semestre, ocorrerá a aquisição da Objetiva, selo generalista da Santillana no Brasil.

O anúncio da assinatura foi feito por Markus Dohle, presidente da Penguin Random House, e Miguel Ángel Cayuela, diretor executivo da Santillana. Os selos espanhóis foram comprados a 55 milhões de euros (160 milhões de reais), o preço do selo brasileiro ainda será definido.

A PRH, cuja sede continuará em Barcelona, obtém um crescimento significativo no mercado latino-americano com os selos da Santillana no México, Argentina, Colômbia, Chile e Uruguai, que se somam aos que o Grupo Editorial Penguin Random House já possuía nesses países. Além disso, vai reforçar sua presença no Peru, Equador, Bolívia, Paraguai, Venezuela, República Dominicana e América Central.

Núria Cabutí Brull continuará como diretora geral da PRH e Armando Collazos, até agora diretor global da Prisa Ediciones, assume como assessor executivo e membro da equipe gerencial. Pilar Reyes continuará como editora da Alfaguara e da Taurus, e será responsável pelos projetos da Real Academia Espanhola.

Autores premiados

A principal missão a que se propõe a PRH, diz Cabutí Brull, é “publicar livros em formatos tradicionais e novos, para que um maior número de leitores em todo o mundo possa ter acesso aos romances e ensaios de nossos autores em qualquer formato”. Com os programas editoriais, espera que todos os selos alcancem um alto nível de criatividade compatível com os tempos analógicos e digitais em busca de novas oportunidades para autores, livreiros e leitores.

O novo catálogo inclui prêmios Nobel como García Márquez, Vargas Llosa, Pamuk, Munro, Grass, Saramago, Coetzee, Lessing; e autores de grande prestígio internacional como Borges, Banville, Fuentes e Marías.

A América Latina e o mercado de língua espanhola nos EUA são um desafio para todas as editoras. Especialmente quando se leva em conta a recente chegada das grandes livrarias virtuais. Os gigantes continuam na dianteira não só pela rede de distribuição que faz deles sólidas livrarias virtuais (Amazon) ou líderes dos mecanismos de busca na Internet (Google), mas também por terem alterado a cadeia de valor ao expandir seus negócios de modo a obter o controle de várias etapas do processo editorial até chegar ao leitor. Embora o livro de papel, de modo geral, continue forte, o potencial na América Latina está nos ebooks e nas compras online. Ali os dispositivos eletrônicos crescem, especialmente em celulares e tablets, que se convertem em dispositivos de leitura. As editoras tradicionais precisam melhorar os seus pontos de venda e a oferta digital constitui uma grande oportunidade. As vendas de livros para a América Latina têm amortecido a queda do setor nos últimos dois anos.

A qualidade literária é a principal arma neste duelo literário ao consolidar um catálogo invejável com boa parte dos autores mais importantes em espanhol e vários outros idiomas. Prêmios Nobel como Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Alice Munro, Orhan Pamuk, Günter Grass, José Saramago, J. M. Coetzee, Doris Lessing e V. S. Naipaul. Ganhadores do Cervantes como Juan Marsé, Jorge Edwards e Cabrera Infante; e premiados com o Nacional de Literatura como Javier Cercas, Javier Marías, José María Merino e Luis Mateo Díez; além deles, os últimos ganhadores do Príncipe de Asturias: Quino, John Banville e Joseph Pérez. Entre os autores internacionais e nacionais de maior êxito figuram Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Isabel Allende, Arturo Pérez-Reverte, Joël Dicker, Umberto Eco, Ildefonso Falcones, Ken Follett, John Grisham, Stephenie Meyer, Kate Morton, Julia Navarro e Paul Preston. E uma lista de autores latino-americanos como Carlos Fuentes, Juan Gabriel Vásquez, Marcela Serrano…

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Winston Manrique Sabogal, do El País

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