Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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O golpe em quadrinhos

Por Oscar Pilagallo em 02/12/2014 na edição 827

Este livro, como o próprio título diz, trata do golpe militar de 1964, mais do que da ditadura à qual ele deu origem. O ilustrador Rafael Campos Rocha e eu nos concentramos nos dez anos que precederam o golpe, e não nas duas décadas que o sucederam – período que durou o regime de exceção.

Entretanto, para compreender o significado do golpe, é preciso abordar suas consequências, saber o que foi a ditadura. E foi por isso que, na última parte do livro, traçamos um painel do que aconteceu de mais relevante entre 1964 e 1985: as cassações e perseguições, a guerrilha, a tortura, as prisões, as mortes nos porões da repressão, o “milagre econômico”, o verniz democrático do revezamento de generais-presidentes, o fechamento do regime e a abertura política, a campanha das Diretas-já e, finalmente, a eleição indireta de um civil de oposição.

Desde então, o país vem gradativamente consolidando sua jovem democracia. Em um primeiro momento, assegurou-se a transição para um regime de liberdade política, que sobreviveu ao duro teste do impeachment do primeiro presidente eleito em trinta anos, Fernando Collor de Mello. Em seguida, conquistou-se a estabilidade econômica, com a derrota do dragão inflacionário que pulverizava o poder de compra dos brasileiros desde o fim da ditadura. Mais tarde, a ênfase se deslocou para a inclusão social.

Memória e documentação

Hoje, quase três décadas após o retorno dos soldados à caserna, o Brasil vive o maior e mais estável período de democracia de massa da história da República. A Primeira República (1889-1930) durou mais tempo, mas não era uma democracia de massa – o pequeno número de eleitores nem de longe representava a sociedade. O hiato entre 1945 (fim da ditadura do Estado Novo) e 1964, embora tenha sido uma democracia de massa, foi um período marcado por tremenda instabilidade política.

Nesse ambiente de turbulência – em que uma oposição liberal e sem votos suficientes fustigou sucessivos governos populistas – se engendrou o golpe militar.

Não é arbitrário o recuo de dez anos para contar essa história. O golpe de 1964 provavelmente teria sido desfechado em 1954, não fosse a comoção causada pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas. As mesmas forças, até os mesmos personagens que quiseram derrubá-lo – políticos, empresários, donos de jornais, militares –, acabaram conseguindo seu intento com o presidente João Goulart, o Jango, afilhado político de Vargas.

O Golpe de 64trata dessa armação. Como se articularam as forças conservadoras? Quais foram seus líderes políticos e militares? Que jogo fazia a imprensa? Qual o papel desempenhado pelos Estados Unidos? E Jango: a radicalização que ele incentivou, abrindo espaço para a esquerda, foi determinante para sua própria queda?

O relato a seguir, na forma de história em quadrinhos, é baseado em fatos e interpretações colhidos na melhor literatura sobre o período. É importante deixar isso claro, porque reviravoltas mirabolantes na trama ou balões com dizeres surpreendentes podem parecer invenção. Não são. Eles fazem parte da memória e da documentação do período. Aqui, tudo é História.

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Oscar Pilagallo é jornalista

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