Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > VELHO GUERREIRO

As batalhas da vida de Chacrinha

Por Ciro Pessoa em 13/01/2015 na edição 833
Chacrinha – A biografia, de Denilson Monteiro, 368 pp. 368 págs., Editora Casa da Palavra; R$ 49,90; reproduzido da Folha de S.Paulo, 8/1/2014; título original: “Livro revela guerras com duras batalhas da vida de Chacrinha, o Velho Guerreiro”; intertítulo do OI

Disc Jockey nº 1, Velho Palhaço, Conde de Surubim, Maluco de Niterói, Chacrinha. Ao longo dos 40 anos de carreira, Abelardo Barbosa recebeu dezenas de apelidos. Mas o que mais condiz com a história de sua vida, contada em Chacrinha – A Biografia, foi aquele dado por Gilberto Gil na canção-tributo “Aquele Abraço”: Velho Guerreiro.

Não é por acaso que um dos capítulos do livro de Denilson Monteiro, com pesquisa e entrevistas de Eduardo Nassife, tem como título “Uma Guerra com Duras e Contínuas Batalhas”. De fato, nada na vida de José Abelardo Barbosa de Medeiros, nascido na cidadezinha de Surubim, no interior de Pernambuco, em 1917, ocorreu de maneira gratuita ou tranquila.

Do seu primeiro programa radiofônico de sucesso na Rádio Club Fluminense, Rei Momo na Chacrinha, gravado numa pequena chácara em Niterói em 1939 – daí o nome Chacrinha –, a seu último programa de TV, o popularíssimo Cassino do Chacrinha, exibido pela Globo até 1988, sua vida foi uma épica e sangrenta luta pela sobrevivência.

Por meio de depoimentos, histórias e centenas de trechos de letras de músicas, a obra roteiriza a trajetória de Chacrinha ao mesmo tempo em que faz uma viagem pela cultura brasileira do século 20. Nesta viagem estão as histórias do rádio e da TV brasileira e de dezenas de ídolos da nossa música, de Vicente Celestino a Roberto Carlos.

Mas, sobretudo, está muito bem reportada a saga deste nordestino que chegou ao Rio aos 20 anos e das dificuldades financeiras que teve de enfrentar para se tornar o mais popular apresentador da história da televisão brasileira.

Conta também a história da construção do personagem Chacrinha com seus bordões personalíssimos (“Quem não se comunica se trumbica!”, “Terezinha!!! Uuuu!!!”, “Vocês querem bacalhau?”), seus figurinos irreverentes e sua inseparável buzina que usava para “gongar” calouros desafinados e, às vezes, afinados.

Quebra-quebra

O livro revela episódios poucos conhecidos do público, como aquele em que Roberto Carlos, muito antes de fazer sucesso, apareceu imitando João Gilberto num quadro chamado “Adivinha Quem É o Cantor Mascarado”, do programa Discoteca, apresentado por Chacrinha na rádio Guanabara em 1960.

Mas foram os últimos anos de sua vida que renderam os casos mais emocionantes. Como aquele em que o então novato diretor da Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, cansado da indisciplina do apresentador que nunca terminava o programa no horário combinado, ligou para sala de corte e pediu para que o programa fosse tirado do ar no meio de uma entrevista com Juca Chaves.

“Furioso, o Conde de Surubim começou a xingar e quebrar tudo o que via pela frente. Depois de quebrar também o camarim saiu do Teatro Fênix sem falar com ninguém.” Alguns anos depois, os dois voltariam a trabalhar juntos.

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Ciro Pessoa, para a Folha de S.Paulo

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