Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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A formação de mediadores

Por Gláucia Ribeiro Lira em 07/04/2009 na edição 532

No mês de abril, o ministro da Cultura Juca Ferreira receberá, em Brasília, uma comissão composta por representantes do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e de participantes do seminário Formação de Mediadores de Leitura, realizado em São Paulo. O grupo fará a entrega de três documentos conclusivos do seminário, os quais apresentam propostas que vão auxiliar os Ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC) na formulação de políticas públicas de leitura. O ministro da Educação, Fernando Haddad, também receberá a documentação.

‘Os textos elaborados servem de lastro para que o governo desencadeie algo sem precedentes nessa área’, afirma o cronista, poeta, teórico, professor e jornalista Affonso Romano de Sant´Anna, que participou ativamente do seminário. Na ocasião, ele propôs que o projeto de leitura seja assunto prioritário da Presidência da República.

Dentre as diversas sugestões que a comissão entregará aos ministros consta a necessidade de realização de cursos de formação de mediadores, dirigidos especialmente a professores e educadores, cujo trabalho envolverá as universidades. Outros pontos expressam que a literatura infantil seja valorizada como a literatura direcionada ao público adulto, que a internet esteja presente na formação dos mediadores da leitura e que o PNLL ganhe a institucionalidade por lei, uma vez tratar-se de instrumento que garante a sua continuidade.

Necessidade de Mediadores

De acordo com o secretário-executivo do PNLL, José Castilho, o trabalho de fomento à leitura e de formação de mediadores será prioritário este ano. ‘Não há possibilidade de política pública exitosa de livro e leitura apenas com a implantação de bibliotecas e a distribuição de livros à população’, destaca o secretário, acrescentando que é necessário a formação de pessoas que implantem ou incentivem nos outros o hábito da leitura.

Uma ‘Carta do seminário’ integra a documentação. ‘Ela faz um balanço do momento privilegiado que vivemos no atual governo na área do livro e da leitura e faz uma importante reivindicação ao presidente da República’, diz Castilho.

A carta foi redigida por Affonso Romano de Sant´Anna , que presidiu a Fundação Biblioteca Nacional na década de 1990, ocasião em que foram criados o Sistema Nacional de Bibliotecas e o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Segundo o escritor, todo conteúdo da carta saiu de um consenso e sugere aprofundamentos da política de leitura. ‘Leitura é algo tão importante, que deveria ser considerado algo de `segurança nacional´’, ressalta.

Os outros dois documentos são a ‘Declaração do seminário’, escrita pelo professor Ezequiel Theodoro da Silva, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também presidente de honra da Associação de Leitura do Brasil. Esse documento apresenta conceitos, necessidades e sugestões para um completo programa de formação de mediadores de leitura. O outro texto refere-se à proposta de curso de formação de mediadores e foi coordenado pela professora Tania Rösing, da Universidade de Passo Fundo.

Projeto Conjunto

Promovido pelo PNLL, o seminário reuniu, nos dias 12 e 13 de março, representantes de Ministérios, da Presidência da República, de Secretarias estaduais de Cultura, bibliotecários, professores, escritores e outros profissionais. O ministro Juca Ferreira participou da cerimônia de abertura e em seu discurso destacou, dentre muitos aspectos, a necessidade de modernização e reformulação das bibliotecas como novos centros de cultura. A Coordenação-Geral de Livro e Leitura do MinC esteve presente nos dois dias do evento, nos vários momentos de debate que ocorreram.

‘Pela primeira vez, vi autoridades de vários Ministérios coordenadas com a Presidência da República e dispostas a um projeto conjunto. Por isto, propus que o projeto de leitura se transformasse num projeto interministerial e que seja assunto prioritário da Presidência da República’, destaca Affonso Romano. Para ele, é neste governo que a questão do livro e da cultura está avançando.

O professor Ezequiel Theodoro ressalta que o seminário trouxe, principalmente, alento e esperança. Ele salienta o alto nível dos debates, relacionados à política nacional de leitura, à divisão mais eqüitativa dos investimentos federais, às funções das escolas e dos professores na difusão da literatura e outros itens.

Segundo Ezequiel, as conclusões do seminário vão fornecer subsídios para uma sintonia maior entre os pólos da produção do livro e sua distribuição e os da recepção e do consumo. ‘É preciso equilibrar os investimentos, formando recursos humanos para dinamizar o livro e a leitura’, enfatiza o professor. Ele lembra que, ao lado do trabalho dos mediadores, devem ocorrer, simultaneamente, investimentos na esfera da infra-estrutura que atenda os leitores.

Leia a íntegra das entrevistas concedidas à Coordenação-Geral de Livro e Leitura do MinC: Affonso Romano de Sant’Anna; José Castilho; e Ezequiel Theodoro da Silva.

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Do CGLL/MinC

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