Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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A importância e papel do rádio para a sociedade

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 14/04/2009 na edição 533

Sabendo da importância e do papel do rádio diante da sociedade, a Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará (www.aouvir.com.br) promove, no período de 13 a 26 de abril do corrente ano, a II Exposição Temática sobre o Rádio em Fortaleza, Ceará, esperando que o público visitante perceba a importância deste meio de comunicação e se engaje na luta por um rádio de mais qualidade calcado nos propósitos de cidadania e de valorização dos seres humanos tanto para os que fazem quanto para os que ouvem rádio.


Não podemos esquecer o papel do rádio nem reduzir sua importância em meio a um processo de modernização em que o radialista local vai perdendo espaço para programas enlatados e deslocados da nossa realidade. O rádio precisa ser visto por todos, porém precisa ser questionado. Que rádio temos? Que rádio queremos? Por que se despreza tanto o rádio no meio jornalístico? Poucos são os espaços para discussão do meio rádio e poucas são as lutas para o seu fortalecimento e modernização que não sejam prejudiciais aos que o fazem ou aos que o ouvem. O rádio precisa, sim, ser modernizado, mas sua modernização tem de atender aos interesses dos seus usuários (ouvintes), consumidores que merecem respeito e consideração. Por que não se pesquisa o desejo dos ouvintes em relação ao rádio? Por que não se busca uma programação mais interativa ou participativa? Por que alguns radialistas se afastam cada vez mais do ouvinte em seus programas?


O balancete do final do mês


O rádio merece ser debatido, questionado e reformulado, mas todo este processo tem de contar com a participação ativa dos agentes que o fazem para que haja uma modificação que envolva todos os seus componentes e seja boa para todos. Modernização do rádio soa com melhoria de suas condições de trabalho, com abertura à crítica e com participação, que é um elemento essencial para toda mudança. Muitos querem que o rádio continue apenas como medida lucrativa, sem se interessarem com conteúdos que às vezes são pornográficos, desrespeitosos e antidemocráticos. Será este o rádio que o povo gosta? Alguns dirão que sim. No entanto, a lógica tem provado que muitas pessoas não querem este tipo de rádio e os que gostam o fazem pelo fato de não terem tido acesso a um processo educativo de qualidade, que é outro problema social grave. Para o rádio mudar, precisa mudar também o nível cultural de nosso povo, fazendo-se um trabalho educativo que favoreça a formação de um espírito crítico de nossa sociedade.


O rádio carece de investimentos no tocante ao aspecto técnico. Temos rádios que têm emissão sofrível e o ouvinte não pode questionar, pois não há espaço para isto. O rádio precisa ter dirigentes que se interessem pelo seu papel, que saibam de sua história e que não sejam apenas empresários ávidos apenas pelo lucro ao final do mês. Claro que não se pode fazer rádio apenas com idealismos, pois o mesmo tem de ter sustentabilidade, porém não é apenas o lucro que deve ser visado no meio rádio. Tem que ser visto também seu papel perante a sociedade e sua característica de bem público e de concessão do povo. Os empresários de rádio que também investem em outros setores devem modernizar sua forma de gestão e ter no rádio um interesse especial, pois seu papel vai além de um balancete econômico ao final do mês.


Cidadania, ética e respeito


A Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará tem tentado levantar o questionamento sobre o meio rádio, mas tem encontrado grandes resistências. Somos proibidos de falar sobre o problema, somos execrados publicamente por radialistas que não querem mudanças, somos desprezados pelo poder público e pelas representações do povo, mas não abalamos nossa fé em mudar e fazer com que o rádio cresça junto com seus agentes principais (radialistas, operadores e ouvintes) – valores maiores do meio rádio.


Nossa luta pelo rádio-cidadão se cristaliza em eventos que fazemos com pouco ou nenhum apoio dos poderes públicos. No Ceará, buscamos apoio da Secretaria de Cultura do estado, da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal de Fortaleza e o ‘não’ foi sempre a palavra de ordem, pois na nossa visão o rádio é coisa menor para eles e não temos atrelamento nem mordaça política. Uma pena que haja essa visão, mas o mundo do rádio é maior que este tipo de incompreensão e pequenez política. Vale ressaltar que muitos dos que hoje fazem este poder construíram sua popularidade no rádio e precisam, sim, do rádio para dizer o que fazem.


A visão sobre o rádio precisa mudar, temos de investir numa cultura de valorização deste meio para uma melhoria do nível cultural de seus usuários e daqueles que o fazem, para que o rádio não seja palco de assassinato da língua nem proliferação de mensagens preconceituosas ou pornográficas que programas de grande audiência tem promovido para tristeza daqueles que pensam o rádio de outra forma. O rádio é cidadania, verdade, ética e respeito, que sempre farão com que este meio não acabe na luta por uma sociedade bem melhor.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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