Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > TELEJORNALISMO

A melhor história está sempre por ser contada

09/02/2010 na edição 576

Jornalista tem sempre muitas histórias para contar. Afinal, essa é nossa matéria-prima, nosso ganha-pão. E não vai aqui nenhum romantismo… A profissão é dura, cheia de incertezas e riscos, de altos e baixos. Chega o final de semana e lá estamos nós de novo na redação. Natal, Ano Novo, Páscoa, plantão, plantão, plantão. Se quiser uma vida com horários definidos, nem tente a de jornalista, pois a busca pela notícia não tem tempo certo, não tem hora para começar, nem para acabar. Aquela tão esperada viagem de férias com amigos ou mesmo um jantar romântico estão sujeitos a cancelamentos de última hora. E não pense que a vida não terá rotina: isso é bobagem, coisa de cinema. Aliás, é só porque as rotinas existem que conseguimos transmitir notícias todos os dias, inclusive nos feriados.

Apesar de tudo isso ou, se preferir, exatamente por conta disso, você escolheu o jornalismo. Você tem o enorme desafio de absorver o conhecimento que os professores passam nas salas de aula, dividir seu tempo entre a faculdade e os primeiros passos na profissão. Neste livro, vamos aproximá-lo de uma redação de televisão, com todos os desafios – e delícias também, por que não? – do cotidiano de quem faz reportagem. Vamos contar um pouco das nossas experiências, dos embates enfrentados ao longo dos anos, além de partilhar as muitas dúvidas e levantar questionamentos sobre a prática da profissão.

Oferecemos aqui ferramentas para você realizar reportagens na televisão e discutir com mais profundidade o telejornalismo. Contamos histórias que mostram como funcionam as etapas de produção de uma reportagem para televisão, principalmente aquela chamada reportagem especial. Iniciamos o livro com um apanhado do cenário em que o telejornalismo está inserido, a importância de entendermos o noticiário como um ‘produto’, com características próprias, é claro, mas que é parte de uma indústria. Abordamos, ainda, a concorrência com outras mídias, o imperativo da audiência.

Em seguida, definimos a reportagem especial e damos dicas de como produzir esse formato. A apuração, a pauta, a produção in loco, a reportagem, o texto em harmonia com a imagem, a edição, a concepção plástica. Ah! A especial… Muitos a cortejam, mas poucos têm real intimidade com ela. Mesmo depois de anos de convivência, ainda é difícil defini-la. Vistosa, dona de um ritmo bem próprio e de avaliações profundas e diferentes, tem um poder absurdo de prender a atenção de todos que estão ao seu redor. Inteligente acima de tudo. Inteligente e original! Ela sempre foi um problema para as normais, que raramente são tão bem feitas. Por isso mesmo, as não tão vistosas sentem-se um pouco reduzidas quando ficam perto dela, por mais substância e conteúdo que tenham. A ‘moça’ misteriosa é uma das mais desejadas nas redações do país. Ela é vista como referência, como um ideal muitas vezes inalcançável. Não é à toa que ela é especial.

As reportagens especiais investigativas ganham um espaço à parte por despertar uma série de questionamentos, como o uso da microcâmera, o limite do jornalista ao retratar um crime e a relação com as fontes – principalmente as oficiais.

Há ainda um guia prático, escrito pela fonoaudióloga Camila Mercatelli, especialista em voz, para que você desenvolva e use corretamente os recursos vocais e a linguagem gestual que em telejornalismo são peças fundamentais na transmissão de notícias.

Você vai perceber que, ao narrarmos as histórias, usamos, de maneira geral, a primeira pessoa do plural. Em algumas situações, quando entendemos que é relevante particularizar o relato, fizemos uso da primeira pessoa do singular. Defendemos posições, sim, mesmo sabendo de antemão que são controversas. Entendemos que a transparência é a base para a troca de conhecimento. O próprio livro é resultado desse processo. Cada um de nós tem trajetórias profissionais diferentes.

Fábio Diamante veio da escola do impresso. Sabe o exato peso de cada palavra. E é o tipo de pessoa em quem você acredita, pois só faz afirmações quando tem certeza do que está dizendo. Na dúvida, checa e checa de novo as informações. Possui ótimas fontes, traz sempre notícias em primeira mão e tem a convicção de que jornalismo só pode ser feito se bem feito for.

Sérgio Utsch é um mineiro daqueles que invariavelmente critica as mazelas do estado de origem, mas não gosta que ninguém mais o faça. Quer irritá-lo? Pergunte em tom maldoso como é sair da província e viver hoje em uma metrópole (no caso, São Paulo). Pronto: ele dará uma aula sobre Minas Gerais, a importância do estado para o país, as belezas naturais e por aí afora. Sérgio é um homem de televisão. Domina as técnicas e tem o enorme talento de juntar texto e imagem de um jeito que poucos, pouquíssimos, conseguem. É um sonhador, mas não daqueles que esperam as coisas acontecerem, e sim daqueles que brigam todos os dias por uma história bem contada.

Thiago Bruniera é o caçula da turma, mas vive o jornalismo com uma intensidade contagiante. Percebeu desde cedo que um jornal é responsabilidade de todos na redação. Não importa o cargo, antes de qualquer coisa somos jornalistas. E esse é o ponto-chave, o que nos une. Não desanimamos com os golpes sofridos, não desistimos do jornalismo feito com paixão.

Eu, Alexandre Carvalho, ainda acredito que o que fazemos pode mudar o rumo das histórias. Contá-las é nosso dever. Contá-las de forma saborosa é nosso objetivo. Nos últimos quase vinte anos, vivi em redações de telejornais. Nos últimos dez, dividi o tempo com as salas de aula. Essas duas atividades deveriam se complementar, mas na prática apresentam imensas disparidades, desarmonia. O mercado não entende a universidade e a universidade não entende o mercado. Perde o aluno, perde o mercado de trabalho. Perdemos todos!

Desde já estamos abertos a críticas e considerações. Nossos questionamentos, nossas convicções, nossa paixão pela profissão e nosso jeito de fazer reportagens especiais estão aí e, se temos alguma certeza, é a de que a melhor história sempre está por vir.

Boa leitura!

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