Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

A construção do tempo e espaço na TV

Por Ana Claudia de Oliveira em 17/06/2008 na edição 490

A perspectiva original de abordagem da televisão, em especial, da transmissão direta, que Yvana Fechine assume neste livro é que o sentido de presença midiática emerge da correspondência entre temporalidades vividas pelo sujeito. Assim, a duração do discurso da TV é explorada como correlata à duração dos fatos do mundo. Destinadores e destinatários são sintonizados no desenrolar dos acontecimentos que funcionam como o espaço comum de suas interações. Produzem-se aí efeitos de contato entre os sujeitos e entre o sujeito e o mundo. Nessa situação de transmissão, que inclui produção e recepção, o universo televisual e o extratelevisual se vinculam, a TV torna-se uma instância de organização do cotidiano. Para compreender os processos de significação nesta e em outras mídias é necessário também uma semiotização do ‘vivido’.


Essa proposição integra o projeto da atual Semiótica, desenvolvido a partir do livro Da Imperfeição , do semioticista lituano Algirdas J. Greimas, e, mais precisamente, da Sociossemiótica de Eric Landowski, na exploração das relações entre regimes de sentido e regimes de interação. A problemática da presença , que emerge de um dos tipos de interação possível entre sujeitos, foi introduzida por ele a partir de Presenças do Outro (publicado na França em 1997 e, no Brasil, em 2002). Mas, enquanto suas análises centram-se em tipos de interação face a face, a ousadia de Yvana Fechine é estender essas conceituações para o estudo da comunicação televisual. O campo do televisivo ganha assim uma abordagem nova que, sem dúvida, contribuirá para ampliar o conhecimento sobre o meio, propondo novas investigações sobre os modos de presença dessa mídia de grande penetração na cotidianeidade do brasileiro. Ao descrever um tipo de interação que se dá na e pela duração compartilhada na transmissão, Yvana Fechine chama a atenção para o sentir juntos como a dimensão provavelmente mais significativa na compreensão da produção de sentido na televisão e, em particular, dos novos rituais celebrados nos acontecimentos midiáticos.

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Professora do Programa de Estudos Pós-graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, co-diretora do Centro de Pesquisas Sociossemióticas

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