Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > QUINTA-FEIRA, 15/11

ABI dá início a comemorações de centenário

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 15/11/2007 na edição 459

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 15 de novembro de 2007


JORNALISTA ESCRITOR
O Estado de S. Paulo


Evento dá início às celebrações dos 100 anos da ABI


‘Uma solenidade marcou, ontem à noite, a abertura do I Salão Nacional do Jornalista Escritor, promovido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), seção São Paulo, como primeiro evento do centenário da entidade, criada em abril de 1908. Na abertura, no Memorial da América Latina, o presidente da ABI, Maurício Azêdo, disse que os eventos comemorativos do centenário ‘relembrarão a importância histórica da ABI em todas as lutas políticas e sociais do Brasil dos últimos cem anos’.


O empresário e intelectual José Mindlin, representante da Academia Brasileira de Letras (ABL), disse que o centenário da ABI registra o papel fundamental da imprensa no desenvolvimento do País. ‘Gostaria de estar vivo nos próximos vinte anos para poder assistir ao triunfo desta Nação’, comentou Mindlin.


O salão abre hoje para o público com uma entrevista – feita pelo público – do jornalista e escritor Luis Fernando Verissimo, às 14h30, no Memorial. Às 16 horas, a entrevista se repete com Ruy Castro. Às 17h30, o primeiro debate do salão terá o jornalista Fernando Morais como palestrante. E às 20 horas a palestra será do jornalista espanhol Ignacio Ramonet, diretor de redação do jornal francês Le Monde Diplomatique.


O Diretor de Conteúdo do Estado, jornalista Ricardo Gandour, esteve presente ao evento de abertura do salão.’


 


TV PÚBLICA
Demétrio Magnoli


Pravda


‘Pravda, em russo, significa ‘a verdade’. Esse foi o nome do jornal do Comitê Central do Partido Comunista da URSS, que desempenhava a função de voz oficial do Estado soviético. O conceito de verdade oficial é o pilar sobre o qual se ergue a chamada TV Pública, criada por medida provisória do Executivo.


O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, autor intelectual do projeto, reivindica como fonte de inspiração a BBC, rede pública britânica. Os críticos, por outro lado, enxergam na Telesur de Hugo Chávez o modelo do que alcunharam de TV Lula. Mas a nova rede brasileira não se assemelha à BBC, pois carece de independência, nem à Telesur, pois carece de um programa político e ideológico.


A BBC nasceu em 1922, como consórcio privado para emissões radiofônicas experimentais, transformando-se anos depois numa companhia estatal de televisão. Sua incorporação pelo Estado respondia aos objetivos geopolíticos de obtenção de liderança na nova tecnologia de TV e de manutenção de uma influência mundial que se esvaía no ritmo da crise do Império Britânico. No pós-guerra, com a dissolução do Império, a BBC afirmou-se progressivamente como centro noticioso independente. Essa condição, comprovada recentemente na cobertura da invasão do Iraque, reflete a tradição de separação entre Estado e governo na Grã-Bretanha e se expressa num conselho cujos integrantes são indicados pela rainha.


A chamada TV Pública brasileira não é pública nem estatal, mas puramente governamental. Franklin Martins caçoa da opinião pública quando promete independência para um ente dirigido por um Conselho Curador, um Conselho Diretor, um Conselho de Administração e uma Diretoria Executiva preenchidos por nomeações presidenciais. Ao contrário da BBC, a rede brasileira será a voz da verdade do governo de turno e, também, um prêmio para jornalistas e intelectuais que não têm vergonha de desempenhar o papel de áulicos dos poderosos da hora.


A Telesur, embora formalmente plurinacional, é um instrumento da política externa ‘bolivariana’ de Hugo Chávez. Trata-se de uma TV estatal, mas de um Estado que se identifica cada vez menos com a nação venezuelana e cada vez mais com o regime chavista. Sua missão é desfraldar a bandeira da ‘Pátria Grande’ latino-americana, difundir o antiamericanismo e promover a liderança do caudilho entre correntes nacionalistas e de esquerda no subcontinente.


Ao contrário de Chávez, Lula é um conservador e um pragmático, cujas tendências salvacionistas não o impedem de governar com as elites econômicas e de restaurar a influência evanescente de elites políticas anacrônicas. A rede de TV que implanta não tem a pretensão de veicular uma verdade que se quer histórica, mas unicamente as verdades minúsculas que interessam ao Planalto. Em princípio, é mais um privilégio posto à disposição de futuros ocupantes do Executivo e um campo de trabalho para jornalistas empenhados em se deitar à sombra fresca da árvore do poder.


Há tempo, correntes do PT inconformadas com a ‘democracia burguesa’ reivindicam do governo Lula um programa de ‘controle social da mídia’, eufemismo que abrange tanto a criação estatal de veículos subordinados ao partido como a limitação da liberdade de imprensa. A pressão surtiu efeitos periféricos, como o direcionamento de verbas de propaganda de empresas estatais para o financiamento de veículos impressos e eletrônicos que praticam o jornalismo chapa-branca. A nova rede de TV não é, primariamente, uma resposta a essas demandas, mas um produto da divulgação midiática dos escândalos de corrupção no governo federal.


O terremoto do ‘mensalão’ convenceu Lula a criar uma rede de mídia subordinada à sua vontade. Franklin Martins e Tereza Cruvinel, comentaristas políticos destacados que, desafiando os fatos, funcionaram durante a crise como porta-vozes informais das narrativas do Planalto, foram recompensados, respectivamente, com os cargos de ministro e presidente da nova Empresa Brasileira de Comunicação. Helena Chagas, a jornalista que alertou o então ministro Antonio Palocci para uma incomum movimentação na conta bancária do caseiro Francenildo Costa, ganhou o cargo estratégico de diretora de jornalismo da TV governamental.


As indicações evidenciam que, ao contrário do que afirma Franklin Martins, o foco da rede de TV será o jornalismo político, não a disseminação da produção cultural regional, uma missão das TVs educativas estaduais. Mas onde está o argumento para justificar que o governo deve gastar impostos produzindo jornalismo político?


Karl Marx escreveu, no longínquo 1842, uma série de artigos em defesa da liberdade de imprensa. Juntamente com uma crítica devastadora da censura, cuja leitura recomendo aos marxistas atuais, entusiastas de regimes que fecham jornais e encarceram jornalistas, registrou singelamente que, em todos os lugares, ‘documentos oficiais do governo se beneficiam de perfeita liberdade de imprensa’. Muito anterior ao desenvolvimento das modernas máquinas de propaganda que permitem aos governos importunar os cidadãos dia e noite com a sua própria versão de todas as coisas, o registro de Marx gera uma indagação: qual é a utilidade social de uma mídia governamental?


A indicação de Helena Chagas para a direção de jornalismo merece atenção particular. Voluntária ou distraidamente, ela rompeu uma regra de ouro do jornalismo, segundo a qual ninguém – muito menos as autoridades! – pode ter acesso privilegiado a uma notícia de interesse público. A sua participação instrumental na quebra ilegal do sigilo bancário de uma testemunha, um crime de Estado típico de regimes policiais, é uma aula inteira sobre as relações incestuosas entre jornalismo e governo. A concepção que cerca a nova rede de TV interpreta o incesto como virtude e, orwellianamente, traduz submissão como independência. O Pravda nunca publicou a verdade.


*Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. E-mail: demetrio.magnoli@terra.com.br’


 


TV DIGITAL
Renato Cruz


Televisão digital deve estrear em São Paulo para poucas pessoas


‘Poucas pessoas devem assistir à estréia da TV aberta digital no Brasil, no dia 2 de dezembro, na cidade de São Paulo. A pouco mais de duas semanas do início das transmissões, ainda não existem equipamentos nas lojas. As primeiras caixas conversoras, também chamadas de set-top box, devem começar a chegar ao varejo somente na próxima semana.


Os fabricantes temem que a falta de informação sobre o sistema prejudique o pós-venda. Corre-se o risco, por exemplo, de um consumidor só descobrir em casa que está fora do raio de cobertura. Ele poderia achar que são os aparelhos que não funcionam e voltar para reclamar com o lojista. Até as emissoras, que conduziram o processo de escolha do sistema de TV digital, perderam o entusiasmo, com as dificuldades que surgiram nos últimos meses.


Os conversores chegam atrasados ao varejo, com preço muito acima do previsto pelo governo e sem recursos de interatividade. Há também um conflito da indústria de eletrônicos com o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Ele chegou a anunciar que a caixa conversora de TV aberta digital custaria de R$ 80 a R$ 100, podendo chegar a R$ 30. Porém, às vésperas do início das transmissões digitais, os equipamentos mais baratos que apareceram até agora custam R$ 799.


Nos últimos dias, Costa – que ontem convidou o presidente Lula para participar da solenidade do início das transmissões da TV digital – chegou a ameaçar os fabricantes com a criação de uma CPI e com a liberação das importações.


O conversor, que se parece com o decodificador da TV paga, permite receber o sinal digital de TV aberta e assisti-lo nos aparelhos atuais. Alguns modelos possuem saída analógica, para ser ligada nos televisores de tubo. Outros têm saídas digitais, para os aparelhos de plasma e cristal líquido. Quem não quiser investir agora, não precisa se preocupar: o sinal analógico continuará a ser transmitido pelo menos até 2016. Para quem tem TV paga, nada muda em 2 de dezembro.


Segundo Thierry Tingaud, vice-presidente da STMicroelectronics, fornecedora de chips para os conversores, devem ser vendidas de 500 mil a 1 milhão de unidades no País em 2008. ‘Existe uma grande oportunidade no Brasil’, afirmou. A Gradiente, que vai usar os chips fornecidos pela ST, anunciou esta semana um conversor digital a R$ 799, que chegará ao mercado antes de 2 de dezembro.


Na próxima semana, a Semp Toshiba anuncia dois modelos de conversores, um sem saída digital, a R$ 799, e outro com saída digital, a R$ 1.090. A Sony anunciou um receptor, para ser usado com sua linha de televisores de alta definição, a R$ 999. A LG e a Samsung decidiram ficar fora do mercado de conversores, pelo menos no início, e vão lançar apenas TVs com receptor integrado.


NIPO-BRASILEIRO


O sistema de TV digital brasileiro tem como base o padrão japonês (ISDB-T). Ele incorpora, no entanto, um sistema de compressão de vídeo mais avançado, chamada MPEG-4. O sistema japonês usa o MPEG-2. A ST demorou um ano para criar uma plataforma para o conversor, que inclui outros componentes além do conjunto de chips.


O MPEG-4 é um sistema mais novo que o MPEG-2 e é usado principalmente por empresas de TV por assinatura ao redor do mundo. ‘O Brasil vai sair na frente de outros países com o uso do MPEG-4 na TV aberta’, disse Tingaud. O MPEG-4 é uma tecnologia mais eficiente de compressão de vídeo, que faz com que o sinal ocupe menos capacidade de transmissão, sem perder a qualidade.


Por causa dessa mudança, não teria como importar conversores disponíveis em outros mercados para serem usados no Brasil. Nem mesmo os televisores japoneses funcionariam. Com isso, a ameaça do ministro de abrir o mercado não bate com tanta força na indústria.


O MPEG-4 é uma tecnologia internacional. A única coisa genuinamente brasileira no sistema brasileiro de TV digital é o Ginga, software de interatividade desenvolvido na PUC do Rio de Janeiro e na Universidade Federal da Paraíba. Os conversores anunciados até agora, porém, virão sem o Ginga.


O QUE MUDA


Transição: O sinal analógico continua a ser transmitido pelo menos até 2016. Não é preciso sair correndo para comprar um conversor ou trocar a televisão. O sinal digital será transmitido em canais diferentes. Seu televisor não vai deixar de receber o sinal só porque é antigo


TV paga: Para quem assina a TV paga, não muda nada no dia 2 de dezembro. As empresas de televisão por assinatura vão oferecer canais em alta definição e decodificadores novos para seus clientes. Quem tem TV paga não é obrigado a comprar um conversor de TV aberta. Cada empresa definirá seu cronograma para a alta definição


Conversor: É um equipamento que recebe o sinal digital e o converte para analógico, permitindo que ele seja visto nos televisores atuais. Alguns modelos de plasma e tela de cristal líquido estão preparados para a alta definição, imagem com qualidade melhor que vai chegar com a digitalização. Mesmo esses precisam de um receptor para sintonizar os canais digitais. Empresas como a LG e a Samsung vão vender televisores de alta definição com o receptor integrado.’


 


Empresa brasileira terá misto de TV e computador


‘A empresa brasileira Comsat planeja lançar, em 17 de dezembro, dois aparelhos portáteis que combinam televisão e computador. Um deles, com tela de 4,3 polegadas e sem disco rígido, deve custar R$ 350 e o outro, com 7 polegadas de tela e disco rígido, deve sair por R$ 700. ‘Eles virão com o Ginga’, afirmou Jakson Sosa, vice-presidente da Comsat.


Os equipamentos vão captar o sinal transmitido pelas emissoras para celulares, que tem resolução baixa. Eles terão uma saída VGA, para permitir que sejam ligados a aparelhos de televisão. ‘A recomendação é que eles sejam ligados em televisores de até 14 polegadas, por causa da qualidade da imagem’, explicou Sosa.


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, chegou a anunciar que um grupo indiano-brasileiro iria lançar uma caixa conversora de R$ 180. Ele falava do projeto da Comsat, que não é de conversores, mas de terminais móveis, que recebem o sinal gerado para telas pequenas. Não existe participação de indianos na Comsat. Existe uma outra empresa do grupo, chamada Encore, criada para trazer para o Brasil o Mobilis, um computador portátil de baixo custo criado na Índia. Segundo Sosa, não existe participação dos indianos na Comsat.


‘Acho que, no início das transmissões digitais, o produto que vai vingar mais é o portátil’, disse Sosa. A STMicroelectronics fornece os chips para a Comsat.’


 


TORTURA
Jamil Chade, Marcelo Auler e Adriana Carranca


ONU tenta evitar censura do Brasil


‘A ONU pressiona o governo brasileiro para que aceite divulgar o conteúdo de um relatório até agora mantido em sigilo sobre as condições das prisões brasileiras. Na edição de ontem, o Estado revelou que um documento das Nações Unidas alerta sobre a existência de ‘tortura sistemática’ nas prisões brasileiras, conclusão que o governo não aceita e, por isso, tenta impedir a publicação do relatório.


A missão da ONU enviada ao Brasil fez o levantamento em caráter sigiloso para a confecção do relatório. Normalmente, as Nações Unidas costumam fechar um acordo com os governos sobre o conteúdo do que será tornado público. O Brasil reluta em aceitar a publicação. Há na ONU a expectativa de que em governos democráticos não haveria nenhum tipo de censura, daí o mal-estar. A organização convocou o Brasil para uma reunião em Genebra, na segunda-feira, para discutir a censura do documento.


Segundo revelou um alto funcionário da ONU ao Estado, a imagem do Brasil como um país democrático será afetada se o País mantiver a postura de impedir a publicação. O Itamaraty negou que o governo brasileiro esteja tentando impedir que o relatório sobre as condições das prisões se torne público. Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o conteúdo do documento e a data de sua divulgação serão discutidos na reunião convocada pela ONU na segunda-feira, em Genebra, como prevê a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, da qual o Brasil é signatário.


‘A ONU reconhece o que todo mundo já sabe, mas não quer admitir. Todos sabem que o sistema penitenciário brasileiro não cumpre sua função ressocializante nem se preocupa em reintegrar o preso à sociedade. Ao contrário, o sistema penitenciário brasileiro é uma verdadeira escola para o crime, uma máquina de punição e um instrumento de descaso para com a pessoa humana’, disse o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto.


Segundo ele, ‘infelizmente também é de conhecimento de todos que a tortura é utilizada no sistema penitenciário e em delegacias brasileiras’. Quanto à responsabilidade do governo por esse estado de coisas, o presidente nacional da OAB afirmou que a omissão do Estado quando se trata do sistema penitenciário, além de grave, enseja ações judiciais por parte das vítimas da tortura.


Enquanto algumas autoridades do governo do Rio contestam o relatório da ONU, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que, em 2005, esteve com os peritos da ONU quando de sua visita ao Brasil, diz que a situação se perpetua.


Oficialmente o governo do Rio explicou, por meio da assessoria da Secretaria de Segurança, que por desconhecer o relatório não se manifestará. Já o ex-secretário de Administração Penitenciária, o procurador de Justiça Astério Pereira, que recebeu a comissão em 2005, rebateu as acusações.’


 


CENSURA
O Estado de S. Paulo


Irã proíbe obra de Gabriel García Márquez


‘O Irã proibiu a reedição do último romance do colombiano Gabriel García Márquez, Memória de Minhas Putas Tristes. ‘A publicação desse livro foi um erro, que ocorre quando são publicados anualmente 50 mil livros no Irã’, declarou um responsável pelo Ministério da Cultura. A ala conservadora protestou contra ‘esse romance imoral’. Em Pequim, o estudante Dong Yanbin foi ao tribunal protestar a favor de seus direitos de consumidor, após o governo ter censurado as cenas de sexo do último filme de Ang Lee, Lust, Caution. ‘A estrutura fica incompleta, perde-se o retrato psicológico da personagem e o encanto artístico do filme’, assinalou.’


 


TV NA INTERNET
Keila Jimenez


FizTV premia vídeos


‘Fazer vídeos para internet pode ser um negócio lucrativo. É isso que o Fiz TV, canal de vídeos da Abril quer provar.


A novidade, que tem pinta de Youtube, resolveu começar a remunerar seus jovens e criativos produtores para incentivá-los.


Para tanto, reuniram os maiores fornecedores de vídeos do FizTV – dos que emplacam no ar, é claro – e somaram os dividendos. Resultado: tem gente que vai levar quase R$ 10 mil em uma tacada só com suas produções. Entre os produtores que levaram essa pequena ‘bolada’ está o criador da série Conversas de Elevador.


Desde sua criação, o FizTV se comprometeu a pagar ao criador de R$ 50 a R$ 500 por filmes exibido no canal. Mas só agora a grana foi liberada.


As produções do Fiz são primeiramente enviadas para o site www.fiztv.com.br, onde o público pode assistir e votar. Os filmes mais votados entram na programação do canal – onde ficam cerca de uma semana- divididos por temas.


A idéia do Fiz é, com o tempo, aumentar a remuneração e ter alguns colaboradores fixos, incentivando a produção independente.’


 


LITERATURA
Antonio Gonçalves Filho


São Paulo reúne 50 escritores em Balada Literária alternativa


‘Um encontro internacional de literatura ocupa, a partir de hoje, vários pontos alternativos da cultura na cidade. É a Balada Literária de São Paulo, que reúne até domingo 50 escritores do Brasil, Angola, Colômbia, México e Portugal. Autores como o angolano Luandino Vieira e o crítico brasileiro Antonio Candido participam do encontro ao lado de críticos e escritores da nova geração, entre eles Manuel da Costa Pinto e Joca Reiners Terron. Escritores como o mexicano David Toscana vão trocar idéias com colegas brasileiros na Livraria da Vila, um dos locais escolhidos para a Balada, que ocorre ainda no Teatro da Vila/Satyros, na Mercearia São Pedro, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima e no Centro Cultural Barco, todos localizados na Vila Madalena.


Organizado pelos escritores Marcelino Freire e Maria Alzira Brum, a Balada começa com homenagem ao poeta paulistano Roberto Piva, que tem sua obra relançada e reavaliada. Participam da mesa de abertura, às 10h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915), Ronaldo Polito, Cláudio Willer, Glauco Mattoso e Paulo Scott. À tarde, o escritor colombiano Alonso Sánchez, autor de Al Diablo la Maldita Primavera, encontra-se, às 14h30, na mesma livraria, com os brasileiros João Silvério Trevisan, Antonio Vicente e Suênio Campos de Lucena. Após a mesa, os escritores Joca Reiners Terron e Maria Alzira Brum conversam com o mexicano David Toscana, às 17 h. Toscana vem lançar O Exército Iluminado (Editora Casa da Palavra), parábola sobre um professor obcecado com a perda de parte do território do México para os EUA.


Amanhã, às 14h30, também na Livraria da Vila, o escritor e jornalista gaúcho Michel Laub conversa com Bráulio Tavares e Tony Bellotto. Às 19h30, no Teatro da Vila/Satyros (R. Jericó, 256), será apresentada a peça de Plínio Marcos, Dois Perdidos numa Noite Suja. Às 21 h serão lançados dois livros na Mercearia São Pedro (R. Rodésia, 34), Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente, de Xico Sá, e O Herói Hesitante, do poeta Danislau Também.


No sábado, a Balada começa às 14h30, na Livraria da Vila, com conversa dos brasileiros Marcelo Carneiro da Cunha e Ronaldo Bressane com o mexicano Mario Bellatin. Às 17 h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumann, 777), Xico Sá conversa sobre literatura e preconceito com o ator moçambicano Rogério Manjate e os brasileiros Ferréz e Ana Paula Maia. Às 19 h, o show Cantos Negreiros reúne o organizador do evento, Marcelino Freire, Aloísio Menezes e Fabiana Cozza, culminando com roda de samba, às 23 h, no Ó do Borogodó (R. Horácio Lane, 21).


No último dia, domingo, às 14h30, na Livraria da Vila, os críticos Manuel da Costa Pinto, Antonio Candido, Boris Schnaiderman e Davi Arrigucci Jr. comentam a obra do colega pernambucano João Alexandre Barbosa, morto em 2006. A Balada termina às 17 h, no Centro Cultural Barco (R. Virgílio de Carvalho Pinto, 422), com a participação do escritor angolano José Luandino Vieira, autor do recém-lançado A Cidade e a Infância (Companhia das Letras), que conversa com o jornalista Claudiney Ferreira e a professora Rita Chaves. Às 20 h será realizado no mesmo local um ensaio aberto do espetáculo Mercadorias e Futuro, de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado.’


 


OBITUÁRIO
O Estado de S. Paulo


Morre nos EUA o escritor Ira Levin


‘Autor de romances como O Bebê de Rosemary e As Possuídas, o escritor norte-americano Ira Levin morreu na segunda-feira, aos 78 anos, em seu apartamento em Nova York, vítima de uma parada cardíaca. Seus livros, marcados pelo suspense, introduziram na cultura americana uma vasta gama de personagens, de satanistas urbanos a cientistas envolvidos na tarefa de clonar Adolf Hitler – atraindo a atenção de roteiristas e diretores que levaram muitas de suas obras ao cinema.


Levin nasceu em 1929, no Bronx, em Nova York. Sua estréia se daria em 1950, ainda na faculdade, quando se inscreveu em um concurso de roteiros para o seriado de mistério Lights Out, da rede CBS. Três anos mais tarde, lançaria seu primeiro livro, A Kiss Before Dying (Um Beijo Antes de Morrer), que narrava a história do assassinato de uma adolescente grávida a partir de três pontos de vista diferentes. O livro foi considerado pelo New York Times a melhor estréia literária do ano e, em 1956, chegaria ao cinema, com Robert Wagner no papel do assassino.


Nos anos seguintes, Levin trabalhou como roteirista de televisão. Até que, em 1967, lançou O Bebê de Rosemary, sobre bruxas que vivem em Nova York e tentam gerar o Diabo em uma jovem mulher grávida. O livro vendeu cerca de 5 milhões de exemplares e, no ano seguinte, a decisão do cineasta Roman Polanski de transformá-lo em filme garantiria de vez a fama do escritor. Sempre sucesso de público, seus livros seguintes, no entanto, não agradariam à crítica, como Os Meninos do Brasil, que falava da tentativa do médico nazista Josef Mengele de criar um clone de Hitler na América do Sul.’


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 15 de novembro de 2007


CHÁVEZ E O REI
Kenneth Maxwell


O rei e o coronel


‘O REI JUAN Carlos, da Espanha, já enfrentou coronéis antes de seu agora famoso entrevero com o coronel Hugo Chávez durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana, no Chile, uma semana atrás. Em 23 de fevereiro de 1981, o coronel Antonio Tejero, da Guardia Civil, a força paramilitar espanhola, invadiu o Parlamento com seus comandados. Diante de um governo tornado refém e de unidades militares de lealdade duvidosa, Juan Carlos agiu para alinhar as Forças Armadas com a causa da democracia e impediu o golpe. Foi um momento decisivo na transição democrática espanhola, e consolidou o prestígio da nova monarquia.


O rei agora está mais velho (com quase 70 anos), e parece que se tornou consideravelmente menos paciente. Desta vez, diante da diatribe do coronel Chávez contra José María Aznar, ex-chefe do governo espanhol, o usualmente fleumático monarca perdeu a calma. Disse zangadamente a Chávez algo que muita gente deve ter sentido vontade de dizer ao longo dos anos: ‘Porque no te callas?’.


Pode não ser a mais monárquica das expressões, decerto, mas veio a calhar, e valeu muitos aplausos a Juan Carlos em seu país. Mas o rompante do rei propiciou ao coronel Chávez um precioso momento ‘bolivarista’: o rebelde venezuelano montado em seu (metafórico) corcel enquanto o rei da Espanha lhe apontava o dedo -uma excelente cena de teatro, 200 anos depois da luta dos venezuelanos por independência do domínio espanhol. Mas, com certeza, não era essa a imagem que os inventores das conferências de cúpula ibero-americanas tinham em mente para a era doce e esclarecida do pós-colonialismo.


A única coisa surpreendente quanto a isso tudo é que ninguém tenha perdido a paciência antes durante esses tediosos eventos. As conferências de cúpula se tornaram um completo desperdício de tempo e dinheiro, por falta total de propósito ou conteúdo reais. E só servem para provocar problemas nas ruas e oferecer uma plataforma perfeita a populistas demagógicos como Chávez. Um fórum público movido por palavras, e não por atos, tende inevitavelmente a agravar disputas em lugar de resolvê-las. Ao menos os conclaves ibero-americanos não exigem, ao contrário das conferências da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que os participantes vistam, ao final, camisas coloridas ou trajes ‘tradicionais’ para a cerimônia e foto de encerramento. Mas isso oferece pouco consolo.


Chegou a hora de deixar de lado o aparato das conferências de cúpula para dar a todos nós, e especialmente ao rei Juan Carlos, um repouso mais que merecido.’


 


Carlos Heitor Cony


Palavra de rei


‘RIO DE JANEIRO – Até agora não me dei ao respeito de saber o motivo que obrigou o rei da Espanha a mandar Hugo Chávez calar a boca numa reunião de cúpula, dessas que a política internacional promove sistematicamente. Sei apenas, e desde pequeno, que palavra de rei não volta atrás, embora sejam muitas as exceções ao longo da história.


Fico até sem jeito de dar razão a um rei -que, em princípio, não deve ter razão em nada-, mas, desta vez, como em outras, acho que Hugo Chávez fez aquilo que os entendidos condenam: extrapolou.


Ele justificou sua intervenção alegando que Juan Carlos fez parte da conspiração que o depôs, anos atrás. Mas não era hora e local para cobrar o apoio que não teve.


Lembro um incidente ocorrido aqui no Rio, por ocasião da Eco-92. Mais de cem chefes de Estado reunidos numa cerimônia protocolar no Teatro Municipal. O Daniel Ortega, da Nicarágua, abordou George Bush (pai) num corredor e puxou um assunto fora da agenda. Bush se esquivou. Ortega insistiu, segurou o presidente dos Estados Unidos pelo braço. Bush reagiu, empurrando o presidente da Nicarágua. Um segurança o afastou e tudo deu em nada. Os dois países viviam uma crise prolongada.


Fosse qual fosse o pretexto que levou Chávez a interromper a fala de Aznar, que foi o motivo para o ‘cala a boca’, a norma civilizada em reuniões de cúpula não prevê o bate-boca. Cada qual tem um tempo para dizer o que pretende. Na crise dos mísseis de Cuba, em 1962, o representante da então União Soviética negava a evidência, garantia que não havia armamento nuclear na ilha, falou o que quis durante as reuniões, ninguém o interrompeu -somente os fatos fizeram com que ele calasse a boca.


Nunca perdoarei a Chávez a oportunidade de se dar razão a um rei.’


 


CONCESSÕES
Folha de S. Paulo


Políticos usam brecha para controlar mídia


‘A possibilidade de um político ser proprietário de um veículo de comunicação é polêmica. A Constituição determina que, após a posse, parlamentares não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que ‘goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público’. Ou seja, pela Constituição, os políticos não podem ser donos de concessões dadas pelo Estado. Como emissoras de rádio e TV são concessões públicas, a Carta impediria que parlamentares fossem donos de emissoras. Esse entendimento, porém, pode ser questionado.


O Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) não impede que políticos sejam proprietários de rádios ou TVs. O parágrafo único do artigo 18 da lei diz que quem estiver em exercício de imunidade parlamentar ou em gozo de foro especial não poderá exercer a função de gerente ou diretor da empresa.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Nova era’


‘Em três anos, a demanda por energia na China saltou o equivalente ao consumo anual do Japão. O dado, escreve Martin Wolf no ‘Financial Times’, explica o petróleo a US$ 100 e levanta ‘questões estratégicas’, a começar da ‘mudança no equilíbrio de poder’ em favor de Vladimir Putin, Hugo Chávez. E não tem jeito, ‘nada, fora catástrofe’, vai parar China e Índia.


E no ‘Washington Post’ Robert J. Samuelson deu a coluna ‘Geopolítica a US$ 100’. Para ele, que também cita Chávez e outros, é ‘uma nova era geopolítica’.


Aqui, Reuters Brasil, Terra e outros destacaram, na manchete da primeira, ‘Lula minimiza críticas a terceiro mandato de Chávez’. No ‘Jornal Nacional’, ‘O presidente Lula defende Chávez no episódio em que o rei da Espanha mandou o venezuelano se calar.


Chávez que falou ontem e rendeu o título de que ele ‘vê petróleo a US$ 200 se Irã for invadido’, no ‘FT’. Também declarou, na manchete do ‘El País’, ‘Empresas espanholas vão ter que prestar mais contas’.


FIGURINO


Em longo texto, o argentino ‘El Cronista Comercial’ destacou, sobre o Tupi, que ‘Brasil começa a provar seu novo figurino de potência global’.


E o estatal chinês ‘Diário do Povo’ deu ‘especial’ sob o título ‘Brasil eleva suas ambições depois da maior descoberta’ -com atenção maior às idéias do presidente da agência de petróleo, Haroldo Lima, ‘líder tradicional do Partido Comunista do Brasil’, que é próximo do PC chinês.


OPEP, NÃO


O Investor’s Business Daily, postado por CNN Money e sites de busca, escreveu ontem que o novo campo ‘é uma boa notícia não só para o Brasil, mas para todos nós’. E que o país não deveria ‘arruinar’ a descoberta se unindo à Opep, ‘sob controle da Arábia Saudita’ e cada vez menos influente no mercado mundial.


O ‘caminho independente’, aconselha a publicação, é o meio de ‘manter os preços baixos’ e ‘ajudar os pobres’.


‘APÓS O CAUDILHO’


Fidel Castro atacou os ‘socialistas’ que não defenderam Chávez contra o rei e, dois dias depois, o ‘New York Times’ deu na home longo perfil da chilena Michelle Bachelet, ‘uma das mulheres’ que comandam a região


NEM TÃO DIVIDIDOS


Num despacho em vários sites, dois dias atrás, ‘Nações em desenvolvimento estão divididas sobre Doha’, a novela sem fim. Na Associated Press, ontem, após obter o rascunho da declaração dos 70 países que foram reunidos pelo chanceler Celso Amorim em Genebra, ‘Brasil, China, Índia cobram ‘maiores esforços’ dos países ricos sobre Doha’. Sob crítica de EUA e União Européia, os emergentes ganharam o reforço, ao menos nos títulos, da China.


CONTRA ‘GOVERNOS’


Vinton Cerf, ‘um dos pais da internet’, no dizer da Reuters Brasil, questionou no Rio a idéia de ‘uma estrutura nos moldes da ONU’ para gerir a web. ‘É errado’ por envolver ‘governos’, argumentou ele.


Hoje o comando é da Icann, ‘organização sem fins lucrativos’ mas, nota a agência, ‘vinculada ao Departamento de Comércio dos EUA’. Cerf foi diretor da Icann até outubro.


E CONTRA ‘POPSTAR’


Já o blog Business Technology, do ‘Wall Street Journal’, ironizou a ‘semana do zunido da internet no Brasil’, aconselhando arrumar ‘repelente’ contra ‘especialmente China e Brasil’ -que questionam o ‘poder de veto’ que os EUA mantém sobre a Icann.


Criticou o ‘popstar’ Gil por declaração no dia anterior. Mas ‘não se preocupem, os EUA não cedem o controle’.’


 


CENSURA
Folha de S. Paulo


Hamas restringe em Gaza ação de jornalistas


‘O grupo extremista islâmico Hamas, que controla desde junho a faixa de Gaza, impôs ontem restrições ao trabalho dos jornalistas que cobrem a região palestina, chegando a deter por uma hora um cinegrafista alemão.


A medida segue-se à prisão, anteontem, de aproximadamente 400 militantes do partido laico Fatah, após uma manifestação em memória do líder palestino Iasser Arafat, na segunda-feira, ter culminado na morte de oito pessoas -as mortes foram causadas supostamente por disparos de homens do Hamas contra simpatizantes do rival Fatah. Cerca de 30 dos presos foram libertados ontem.


O grupo islâmico está vinculando o trabalho dos jornalistas em Gaza à posse de uma licença, emitida pelo próprio Hamas, que prevê a sujeição a censura. O grupo também estuda medidas para impedir manifestações públicas.’


 


INTERNET
Humberto Medina


Banda larga em todo o país depende de decisão judicial


‘Para montar uma rede de banda larga em todas as cidades do país, o governo precisa primeiro resolver uma disputa judicial com os credores da falida Eletronet. A dívida -estimada em cerca de R$ 600 milhões- foi contraída quando a empresa era controlada pela AES e o governo federal era sócio minoritário. Hoje, o problema está só com o governo federal.


Na terça-feira, em seminário no Rio de Janeiro, o ministro Hélio Costa (Comunicações) afirmou que o governo estudava usar a Telebrás (estatal em processo de ‘descontinuidade’ desde a privatização do setor de telecomunicações, em 1998) para implantar o acesso à internet em banda larga em alta velocidade em todos os municípios do país. Para isso, seriam usados os feixes de fibra ótica já instalados em 16 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia da Eletrobrás.


Ontem, Costa confirmou a intenção, mas reconheceu as dificuldades jurídicas. ‘Há um procedimento legal em curso, que depende de uma decisão da Justiça, de um desembargador no Rio de Janeiro. É em função dessa decisão que nós vamos saber se podemos viabilizar ou não a infovia com essas fibras óticas’, disse.


O imbróglio da Eletronet começou em 1999, quando a empresa foi criada. Na ocasião, a AES, empresa privada multinacional da área de energia, propôs-se a investir para oferecer o serviço de transporte de dados em alta velocidade usando fibras óticas instaladas nas linhas de transmissão de energia. Para isso, ficou sócia do governo federal.


O negócio não deu certo e foi abandonado pela AES. O governo assumiu a empresa, que acabou entrando em processo de ‘falência continuada’ (continua prestando serviços para os clientes que já tinham contrato) em 2003.


Negociação com credores


Para resgatar a rede de fibras óticas, o governo precisa, primeiro, negociar com os credores -os dois principais são a Alcatel/Lucent e a Furukawa- para sustar o processo de falência. Esse acordo é o ‘procedimento legal’ ao qual o ministro Hélio Costa fez referência.


Segundo a Folha apurou, a confusão jurídica envolvendo a falência da Eletronet impediu que o governo anunciasse, já no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a proposta de levar o acesso à internet a todas as cidades. Procuradas, Alcatel/Lucent e Furukawa não se manifestaram.


Ontem, Costa ratificou a intenção de que a Telebrás assumisse a função de gerenciar o programa de implantação das infovias. ‘Nós precisamos de uma estrutura governamental que possa fazer a gestão da banda larga. Uma das sugestões é darmos condições à Telebrás. O mais fácil de resolver, o mais simples, é a Telebrás’, disse Costa. Outras alternativas são o Serpro (estatal de processamento de dados, ligada ao Ministério da Fazenda), os Correios ou a criação de uma nova estatal.


O ministro estima que o programa consumiria R$ 3 bilhões em três anos. Desse total, aproximadamente R$ 1 bilhão corresponde ao investimento que seria feito pelas atuais concessionárias de telefonia fixa, em troca do fim da obrigação contratual de instalar postos de serviços telefônicos em todas as cidades.


Costa disse ainda que o programa do governo de levar a internet em banda larga a todo o país não é ‘uma nova estatização’ da infra-estrutura. Ele ressaltou que isso não prejudicará as empresas privadas. ‘A maneira como nós estamos trabalhando deixa muito claro que não se trata da utilização de um espaço do governo para novamente estatizar’, afirmou.


Colaborou LORENNA RODRIGUES, da Folha Online, em Brasília’


 


PUBLICIDADE
Cristiane Barbieri


Agência dos EUA acerta a compra da Lew’Lara


‘A agência de propaganda americana TBWA WorldWide deve anunciar, na próxima semana, a compra da Lew’Lara, sétima do setor em faturamento, segundo o ranking Agências e Anunciantes. ‘Chegamos ontem [anteontem] a um consenso sobre valores’, afirmou Luiz Lara, sócio da Lew’Lara. ‘Estamos finalizando os detalhes do contrato e devemos anunciar a venda na próxima semana.’


Lara se recusou a informar o valor da transação, por motivos de segurança. Adiantou, no entanto, que o valor a ser recebido está atrelado ao desempenho da nova agência, que se chamará TBWA/Lew’Lara, nos próximos cinco anos.


Ele e o sócio Jacques Lewkowicz venderão 7,5% das suas ações da empresa cada um. A outra sócia, a Praxis, que pertence aos publicitários Washington Olivetto, Gabriel Zellmeister e Xavier Llussá, deixa o negócio ao vender os 40% que detém da Lew’Lara. A TBWA ficará com 55% da agência, porém Lara e Lewkowicz permanecerão à frente do negócio.


‘Preservaremos nossa identidade e equipe e, ao mesmo tempo, estaremos associados a uma das agências mais charmosas e criativas do mundo’, afirma Lara. Segundo ele, atrelar o valor da venda a resultados futuros é uma maneira de motivar os sócios. ‘Como adoramos o ofício e não queremos sair, para nós está ótimo’, diz.


A TBWA já tem no Brasil a TBWA/BR, criada em 2003, quando a agência americana comprou 60% da Grottera.


De acordo com Lara, a TBWA desfez o negócio com a Grottera. A expectativa do mercado é que poderia haver uma fusão entre as duas agências. Luis Grottera, sócio da TBWA/BR, preferiu evitar comentários sobre os destinos da agência durante o período de negociação.


Com a aquisição, os clientes internacionais atendidos pela TBWA/BR devem passar para a TBWA/Lew’Lara. Entre eles estão Adidas, Absolut, Chivas e Pedigree.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Justiça suspende telessorteio da Rede TV!


‘A juíza Jane Franco Bertolini Serra, da 40ª Vara Cível de São Paulo, determinou a suspensão dos telessorteios via prefixo 0900 que a Rede TV! vem promovendo desde setembro, atrelados ao ‘Pânico na TV’.


Considerados jogatina, esses telessorteios ficaram proibidos durante oito anos. Foram liberados recentemente, após emissoras e telefônicas assumirem compromisso com o Ministério Público de cumprir determinadas regras, como limite de gastos por telefone e possibilidade de o consumidor se recusar a pagar a conta.


Anteontem, a Rede TV! suspendeu as chamadas para o próximo sorteio, domingo, que prometia uma Mercedes Benz.


A decisão da juíza é provisória (liminar). Ela atendeu a pedido da empresa dinamarquesa ResponsFabrikken. A multinacional argumenta que é dona do formato de sorteio, chamado de ‘leilão reverso’, e acusou a Rede TV! de violação de direito autoral, concorrência desleal, propaganda enganosa, exploração de jogos de azar e irregularidades nos sorteios.


Superintendente da Rede TV!, Dennis Munhoz refuta as acusações e afirma que os telessorteios estão em conformidade com novas regras. Ele iria recorrer da liminar ainda ontem.


Pelo novo 0900 da Rede TV!, o telespectador paga uma taxa de R$ 4,99 e dá um lance pelo produto ‘oferecido’. Ganha o prêmio aquele que der o menor lance único.


ALUCINAÇÃO A Record grava no próximo dia 29 um especial com Fábio Jr. Parte da cúpula da emissora quer exibir o musical no mesmo dia que a Globo levará ao ar o especial de fim de ano de Roberto Carlos (19/12). Avalia que Fábio Jr. tem potencial para fazer frente a Roberto no Ibope.


GRADE A Globo finalmente divulgou a agenda de seus especiais de fim de ano. As novidades são: ‘Dicas de Um Sedutor’ (20/12), ‘Os Amadores’ (21), ‘Casos e Acasos’ (26), ‘Guerra e Paz’ (27) e ‘Faça Sua História’ (27).


MANGÁ A MTV estréia sábado ‘Afro Samurai’, o segundo animê de sua programação (o primeiro foi ‘Desert Punk’). A série tem o ator Samuel L. Jackson dublando o protagonista.


POEIRA O contrato entre a Record e a Fremantle pelos direitos do reality show ‘Ídolos’ ainda não foi assinado. Executivos da emissora negam que o atraso tenha a ver com o fato de o SBT ter anunciado que manifestou seu direito de preferência pelo formato dentro do prazo.


XANCE Programa de Gilberto Barros na Band, o ‘Grande Chance’ exibiu legenda anteontem dizendo que mulher madura é o ‘bixo’. Pegou mal. No jogo, os participantes tinham justamente que acertar a palavra que completava uma música.


CHACRINHA A Globo prossegue a saga pela transferência de audiência do ‘Big Brother Brasil’ para o ‘Mais Você’. Hoje, o programa recebe Pedro Bial.’


 


ARTE
Marcos Augusto Gonçalves


O papelão da Bienal


‘O CANCELAMENTO da Bienal de São Paulo, que se realizaria no ano que vem, é um atestado de incompetência da atual direção da fundação e de seu conselho, que reúne representantes da elite paulista para os quais a arte parece ser o que menos importa.


A rocambolesca novela em que se transformou a recondução do empresário Manoel Pires da Costa à presidência da instituição, recheada de lances obscuros, irregularidades e movimentações de bastidores, já prenunciava o papelão que ora se consuma. Sem muitas opções, o curador Ivo Mesquita, com a respeitabilidade e as credenciais que possui para ocupar o cargo, propõe, no lugar da tradicional exposição, uma reflexão sobre o vazio. Vazio estará um andar inteiro do prédio de Niemeyer em meio a debates e, ao que parece, realização de performances e exibição de vídeos.


Tudo não passa de uma operação tampão ou de uma tentativa de reduzir os danos, que, a essa altura, já são consideráveis. Perdem artistas, público, cultura, cidade, país.


Num contexto em que a produção de arte e o mercado brasileiro vêm se fortalecendo e ganhando crescente inserção e reconhecimento internacionais, era de esperar que instituições do porte da Bienal já não fossem conduzidas por personagens defasados, amadores em busca de prestígio, alheios à dinâmica cada vez mais profissional e sofisticada do meio artístico.


Paralela e análoga, a crise do Masp é mais um lance dessa realidade crítica. É verdade que a desastrosa situação do principal museu de arte do país foi amenizada com a nomeação de um curador e a retomada de algumas exposições de qualidade. Mas isso é o mínimo que se poderia esperar. O Masp, de fato, continua muito distante do papel que poderia e deveria exercer.


Essa não é uma opinião pessoal, idiossincrática. É a avaliação da esmagadora maioria (senão da totalidade) dos artistas que importam e dos profissionais mais qualificados que trabalham na área.


Voltando à Bienal, disse o presidente da instituição que não há crise nenhuma, numa patética e frustrada tentativa de tapar o sol com a peneira. Em artigo publicado ontem pela Ilustrada, o curador Marcio Doctors, que deixou o cargo, aponta as limitações financeiras para fazer uma ‘Bienal completa’. Para citarmos alguns exemplos: artistas e curadores ficaram sem receber e os catálogos da mostra, realizada no ano passado, ainda estão por ser publicados.


Agora, depois de uma série de escaramuças e idas e vindas, chegamos ao que se poderia chegar com tamanho despreparo: à impossibilidade de realizar um evento à altura do que São Paulo e a arte brasileira merecem. Foco de atração de artistas e curadores de todas as partes do mundo, a elite da cidade, com o flop da próxima Bienal, mostra sua face jeca e atrasada.


Enquanto isso, em Porto Alegre, a Bienal do Mercosul melhora a cada edição e, em março, será inaugurado o Museu Iberê Camargo, um projeto magnífico do arquiteto português Álvaro Siza.


Bem, deu pra ti, baixo-astral…’


 


Contardo Calligaris


Yoko Ono


‘NO SÁBADO passado, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, foi aberta a exposição retrospectiva de Yoko Ono. Não deixe de visitá-la (até 3 de fevereiro de 2008), mas escolha bem o momento: a abertura foi um desastre. Para ver uma obra que fala de liberdade, houve filas, barreiras e distribuição de fichas.


Na quinta-feira anterior, no Teatro Municipal, Yoko Ono fez uma performance que foi constrangedora. Como foi a única, sorte de quem não esteve lá.


Yoko Ono já era uma artista relevante quando ela encontrou John Lennon. A lenda conta que Lennon se apaixonou por ela por causa de uma obra, ‘Ceiling Painting’ (pintura no teto), de 1966. Trata-se de uma escada branca no topo da qual você encontra uma lupa, com que é possível ler uma inscrição: ‘Yes’. É um apelo bonito à nossa capacidade de viver e de mudar o mundo: ‘sim’, é permitido desejar, basta se dar a pena de subir a escada.


O espírito da contracultura americana poderia ser resumido pelo ‘Yes’ de Yoko Ono ou pelo ‘Do It’ (faça-o) de Jerry Rubin. Não é só um enfrentamento com a autoridade; é a luta contra as resistências internas que nos impedem de agir (e desobedecer, se for preciso).


No CCBB, é proibido tocar na escada de ‘Ceiling Painting’. O que fazer? No espírito da exposição, subir a escada encarando os seguranças?


Ou negar o sentido da exposição e acatar a proibição?


Nos anos 60, eu teria subido e armado um barraco, mas os tempos mudaram. Na época, se comprasse uma briga, a metade dos visitantes me apoiaria, e talvez a coisa terminasse na demolição do CCBB por uma turma de revoltados, até a chegada da polícia. Hoje, eu seria um vândalo isolado.


Por causa dessa mudança dos tempos, na exposição, as peças interativas (quadros para pintar ou para encher de pregos, cacos que podemos rejuntar com cola etc.) são tristes pela modéstia bem comportada de quem aceita o convite a se expressar. Por exemplo, somos convidados a escrever um desejo num papel que penduraremos na ‘Árvore do Desejo’, a qual, no fim da exposição, ficará carregada de sonhos e aspirações.


Escutei duas mulheres comentando que seria legal montar uma árvore dessas para o Natal. Pendurar desejos é mais divertido do que pendurar anjinhos e bolinhas, mas que desejos serão confessados no espaço familiar e meloso da festa natalina?


Enfim, o conjunto da obra de Yoko Ono é forte e corajoso; é difícil não ser tocado por trabalhos como ‘Espécies em Extinção’ ou ‘Objetos de Sangue’. Mas tenho um carinho especial pelas ‘Instruções’. São ‘receitas’ para criar uma ‘obra de arte’, que pode ser um objeto ou um comportamento.


Desde os anos 60, as ‘instruções’ são a marca registrada da arte conceitual, pela qual a obra pode ser reduzida ao seu ‘conceito’, ou seja, às instruções necessárias para que cada um possa criá-la. As instruções de Yoko Ono, escritas em japonês ou, quando são em inglês, numa caligrafia cuneiforme lindíssima, são breves poemas para um domingo de manhã em que você está sozinho, em paz e com vontade de tentar algo que você nunca fez: pintar uma aquarela, seguir um desconhecido na rua, olhar para o céu pelo buraco que você se permitiu fazer na cortina da sala. Yoko Ono defende a pequena liberdade íntima e concreta do fazer. É a liberdade mais difícil, mais verdadeira e mais preciosa.


Com o tempo, vários artistas conceituais, em vez de praticar a redução da obra às instruções para produzi-la, entenderam que, por eles serem ‘conceituais’, deviam roubar a cena aos filósofos e pensar nas ‘grandes questões’ do mundo. De repente, muitas obras conceituais se transformaram em lugares comuns primários.


É o que aconteceu na performance de quinta-feira. Aprendemos, por exemplo, que é ruim bombardear cidades, que as guerras matam pessoas e não é legal jogar vitríolo na cara das mulheres, as quais se libertam parando de usar sutiã. São coisas que eu já suspeitava -eu e todas as torcidas do país. Revisar esses ‘pensamentos’ graças a imagens-clichês num telão e músicas cantadas num clima de show pop, com lançamento de beijinhos e lembrançinhas para o público… haja paciência.


Para esquecer esse mau momento, basta visitar a exposição do CCBB e seguir uma instrução qualquer da própria Yoko Ono. Por exemplo (estou escrevendo no domingo): ‘Disponha seu quarto do jeito que você deseja que esteja sua mente’.’


 


MÚSICA
Luiz Fernando Vianna


Arlindo Cruz, 500 músicas gravadas, lança CD próprio


‘Arlindo Cruz ultrapassou neste ano a marca das 500 músicas gravadas. Poucos compositores brasileiros estão nesse time. Mas ele quer também ser reconhecido como cantor -ou intérprete: ‘Cantor é muito grande para mim’. Sua arma para realizar o desejo se chama ‘Sambista Perfeito’.


O CD chega pouco depois de Maria Rita lançar um disco com seis músicas de Cruz. Entre elas, ‘Tá Perdoado’, que vem tocando nas rádios, e ‘O que É o Amor’, a única das seis que o carioca gravou em seu disco -em duo com Maria Rita.


‘Quando o Zeca [Pagodinho] me chamou para cantar no primeiro ‘Acústico’ dele [de 2003], deu visibilidade maior ao Arlindo Cruz, porque pouca gente olha aquelas letrinhas com os nomes dos compositores [nos encartes]. A visibilidade aumentou por causa da amizade com o Marcelo D2 e, agora, com o CD da Maria Rita, que vende bem e é rotulada como MPB’, diz Cruz, 49, que às vezes fala de si na terceira pessoa.


Zeca e D2 participam do CD, assim como as velhas-guardas da Portela e do Império Serrano, Xande de Pilares, do Revelação, e Sereno, do Fundo de Quintal. Produzido por Leandro Sapucahy, o disco tem um cuidado que faltava a ‘Pagode do Arlindo’, CD/DVD ao vivo, o último trabalho do artista.


‘Fui a três gravadoras, e queriam um DVD com sucessos. E eu compondo coisas novas, com a voz boa… Daí gravei sete músicas e mostrei a idéia’, conta Cruz, que acertou com a Deckdisc o disco de 14 inéditas, no qual estréia seu filho Arlindinho Neto, 15, no banjo. ‘Falei: ‘Guarda este CD, em que você toca o instrumento que seu pai ajudou a popularizar’.’


Cruz aprendeu a tocar cavaquinho com o pai, policial civil e sambista portelense, e mudou para o banjo na virada dos anos 70 para os 80, quando freqüentava pagodes no Rio com Zeca. Integrou o Fundo de Quintal, fez dupla com Sombrinha e se destacou como co-autor de ‘SPC’, ‘Casal Sem-Vergonha’, ‘O Show Tem que Continuar’ e outros grandes sambas. Fez ainda músicas melosas para Belo, Soweto e Exaltasamba.


‘Antes, não gostava de fazer românticas. Minha mãe reclamava: ‘Você não fala de amor’. Quando casei, essa veia despertou’, diz ele, que nega ter um ‘escritório’ para compor para escolas de samba, como se diz no meio -ganhou a disputa na Grande Rio para 2008.


SAMBISTA PERFEITO


Artista: Arlindo Cruz


Gravadora: Deckdisc


Quanto: R$ 20, em média’


 


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