Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ARMAZéM LITERáRIO > DANOS MORAIS

Ação recorde contra a Gazeta do Povo

Por Bruno Brasil em 04/03/2008 na edição 475

2008 pode trazer um triste recorde para a imprensa nacional: o da maior indenização por danos morais paga por um jornal brasileiro.

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e seu superintendente, Eduardo Requião, impetraram uma ação judicial em valor próximo a 1 bilhão de reais contra o jornal curitibano Gazeta do Povo e seu colunista Celso Nascimento.

Em sua coluna publicada em 30 de dezembro de 2007, Nascimento falou sobre restrições que a Marinha brasileira impunha ao Porto de Paranaguá, menina dos olhos do governo estadual do Paraná. O valor da indenização chega a tanto porque seus autores pedem 10 mil reais por exemplar produzido pelo jornal. Tal importância toma como base o valor estipulado pela jurisprudência brasileira por dano individual. Enquanto isso, o colunista jura que se baseou em informações técnicas de uma portaria da Marinha.

Críticas apocalípticas

O drama tem ainda um segundo capítulo. Além do processo, Eduardo Requião e a Appa não querem mais nada relativo ao Porto de Paranaguá nas páginas da Gazeta do Povo. A não ser que eventuais informações sobre a zona portuária paranaense sejam remetidas à administração da Appa antes de sua publicação, para ‘confirmação de realidade’. Semelhanças com o dia-a-dia de grandes jornais em plena ditadura militar são mera coincidência.

Vale ressaltar que o governador paranaense Roberto Requião, irmão de Eduardo, também andou sofrendo com a ‘censura’: no começo do ano fora proibido pela Justiça de fazer promoção pessoal e criticar desafetos, instituições ‘do mal’ e imprensa em geral na Rádio e TV Educativa do Paraná (RTVE), emissora estatal. Requião, que volta e meia atinge fama nacional, seja comendo mamonas no Jornal Nacional ou provocando incidentes diplomáticos com o Paraguai, apresentava o programa Escola de Governo. De acordo com o desembargador federal Edgar Lippman Júnior, as apocalípticas críticas disparadas pelo governador desviavam o rigor ‘educativo’ da Educativa.

Quando foi com ele, reclamou. Agora é diferente.

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