Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ARMAZéM LITERáRIO > THE WASHINGTON POST

Ainda sobre a cobertura política

14/11/2006 na edição 407

O tema da coluna de domingo [12/11/06] da ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, foi mais uma vez cobertura política. Deborah diz que, durante seu primeiro semestre no cargo no Post, recebeu reclamações de democratas que alegavam que o jornal estava ‘pegando leve’ com o governo de George W. Bush. Já nos últimos meses, a situação se inverteu e foi a vez dos republicanos reclamarem de parcialidade política. Alguns leitores chegaram a mencionar comentários feitos pelo ex-repórter político Tom Edsall, que afirmou em setembro, em um talk show conservador, que a maior parte dos jornalistas que conhecia era liberal.

Diante deste episódio, Deborah decidiu checar os fatos. A pesquisa mais recente que encontrou é de 2004, do centro de pesquisa Pew Center: nela, consta que 54% dos jornalistas de veículos nacionais e 61% dos locais se classificam como moderados. A porcentagem que se identificou como liberal aumentou em relação à pesquisa de 1995: 34% dos jornalistas nacionais e 23% dos locais se disseram liberais, comparado a 22% e 14%, respectivamente, há nove anos. ‘Os jornalistas, como um grupo, são muito menos conservadores [7% nacionalmente e 12% localmente] do que o público em geral [33%]’, afirmou o centro de pesquisa.

Inclinações

De acordo com a ombudsman, sua experiência no jornalismo confirma tais dados. A maior parte dos repórteres e editores que conhece é mais liberal em assuntos sociais que o público de maneira geral, e tal inclinação pode ser observada algumas vezes nas matérias jornalísticas. ‘Mas muitos deles são centristas politicamente e têm tendências conservadoras em temas que lhes afetam financeiramente’, diz ela.

Muitos repórteres políticos e seus editores não falam sobre suas inclinações políticas. E alguns, incluindo o editor-executivo do Post, Leonard Downie Jr., afirmam que não votam. ‘Jornalistas têm duas características que são mais importantes que suas crenças políticas’, observa Deborah. ‘Eles são céticos. Há um dito que circula nas redações que diz: ‘Se sua mãe diz que te ama, cheque.’ E a outra é que eles desafiam autoridade em todas as suas formas. Pergunte a qualquer presidente, de qualquer partido.’

Vigilância

O cientista político S. Robert Lichter, presidente do Centro para Mídia e Relações Públicas da Universidade George Mason, acredita que há certa parcialidade. ‘Jornalistas são treinados para ir além de seus valores, mas algumas vezes impressões inconscientes chegam à cobertura. É por isto que Deus inventou editores e ombudsmen’, afirmou. Para Deborah, a questão não é sobre o que os jornalistas acreditam e como votam, mas o que sai no jornal. ‘É meu dever vigiar, então me contem quando há parcialidade, e eu vou escrever mais sobre este tema importante para a credibilidade do Post e de todos os jornalistas’, diz ela aos leitores.

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