Sábado, 23 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Arrumando Rumos

Por Gabriel Perissé em 13/06/2005 na edição 333

Recebi a revista Rumos Literatura. Na capa, vários pontos de interrogação: ‘Encontros de interrogação’ é o título. Teclas interrogativas no fundo. Tudo indica ser o número 1. Atribua-se minha leve incerteza ao arrojo visual da publicação. Preciso adaptar meus olhos à diagramação não-convencional. Tenho que me lembrar de novo: estamos no século 21.

A iniciativa pertence ao projeto maior Rumos Itaú Cultural. E a particularidade: traz ao conhecimento do grande público alguns nomes que já despontaram no meio literário. Já têm credibilidade. Mas merecem mais (não gosto da palavra, e vou empregá-la mesmo assim…) visibilidade.

O primeiro deles, Nelson de Oliveira. Nasceu em 1966, especialista em epifanias de bolso, resenhista, ficcionista paulista, ensaísta, prosista em vista das novíssimas tendências. Orientado em seu mestrado por Nelly Novaes Coelho, na USP, estudou Campos de Carvalho e António Lobo Antunes. Possui certa ascendência dentro da publicação. Recentemente relançou seus melhores contos: Pequeno dicionário de percevejos (Lamparina Editora).

Marcelino Freire. Nasceu em 1967. Pernambucano arretado, gosta e sabe fazer bem: conversar miolo de pote… miolo de poeta. Blogueiro, praticamente todo dia, em eraodito. Não é erudito, diz palavrão com categoria. É geração 90 na cabeça e conhece tudo o que de atual acontece no Brasil literário. Organizou curiosa antologia: Os cem menores contos brasileiros do século, pela Ateliê Editora.

Outros

Outro pernambucano, Frederico Barbosa. Nasceu em 1961, filho do professor João Alexandre Barbosa. Conheci o pai na USP, fui seu aluno, ele lendo e comentando Paul Valéry… Conheço o filho, de um sarau. Nada feito nada é uma das suas obras. Sabe que estamos na selva selvagem em que, como dizia Drummond, tudo e nada nada são. Ele é fera. Já passou no vestibular da poesia.

Claudio Daniel. É de 1962. Também tem blog: peledelontra Poeta sem alarde, sabe que a fala não é suficiente. E por isso produz palavras tatuadas. Versos curtos. Trabalha a arte. Sem arte. Elipses.

Escrevem também Wilson Bueno (1949), criador do jornal literário Nicolau, Marçal Aquino (1958), escritor terrivelmente feliz, e Felipe Lindoso (1950), antropólogo, editor, preocupado com a leitura. Estão em sintonia com os que citei antes.

Todas as páginas da revista trazem ao lado do número correspondente o correspondente ponto de interrogação: 25?, 26?, 27?… E não esqueçamos as fotos que ilustram os textos, flagrantes da vida insana da cidade enorme, prédios, multidão, trânsito, mendigo fumando, semáforo…

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Doutor em Educação pela USP e escritor; (www.perisse.com.br)

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