Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ARMAZéM LITERáRIO > ESTANTE

Aventura na Amazônia

22/05/2007 na edição 434

[do release da editora]

Escrito em forma de reportagem, mas com recursos literários e cinematográficos, Homens invisíveis, de Leonencio Nossa, narra uma expedição liderada por Sydney Possuelo em busca de um povo isolado na Amazônia, os Flecheiros. Aqui, Leonencio Nossa mostra um novo momento da problemática indígena – de reflexão sobre questões ambientais.

Um dos últimos exploradores, Sydney Possuelo liderou dezenas de expedições pela selva amazônica e descobriu diversas tribos desconhecidas. Se não fosse por ele, dúzias de etnias teriam desaparecido. Exterminadas por doenças contagiosas ou pelas balas de gananciosos garimpeiros, madeireiros ou grileiros. Até ONGs e religiosos podem causar estrago: uma gripe é capaz de dizimar muitos índios em poucos dias. Seu trabalho demarcando terras, sem travar qualquer contato, protege nações indígenas acuadas pelos brancos.

Homens invisíveis é uma espiadela neste universo. Leonencio Nossa – co-autor de Viagens com o presidente – narra, aqui, uma das recentes viagens do sertanista Possuelo em busca de povos desconhecidos. Foram três meses e meio pelo território da Amazônia, nas terras altas do Vale do Javari, fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Nesta área, do tamanho de Portugal, vivem cerca de dezessete grupos sem contato exterior, como a tribo dos flecheiros, índios raramente vistos e que se destacam pela destreza no manejo do arco.

Os direitos dos invisíveis

Com as pernas feridas por espinhos, mosquitos e formigas-de-fogo, os 34 homens desta expedição andaram 273 quilômetros e navegaram mais de mil para provar a existência dessa gente oculta. Os isolados, brasileiros invisíveis, que não se sabe ao certo onde estão, quem são ou que língua falam. O objetivo não é contatá-los, mas encontrar provas de sua existência e mapear suas terras sem se aproximar demais ou invadi-la. Ao mesmo tempo, uma flecha mortal, ou dardo envenenado de uma zarabatana, a qualquer momento, podia saltar da mata.

A caminhada através da mata e a travessia dos rios foram muito difíceis. Bagagens, equipamentos e provisões, que os homens carregavam, se tornavam a cada dia mais pesados. A comida era escassa. Havia cobras venenosas, aranhas e jacarés. Tudo enquanto esquadrinhavam a mata em busca dos sinais sutis deixados por esses homens invisíveis, como um galho fechando um caminho. Mas é a partir deste trabalho que esses homens garantem o direito dos invisíveis existirem em paz.

Leonencio Nossa é repórter da sucursal de Brasília da Agência Estado e de O Estado de S. Paulo, setorista do Planalto desde 2003. Jornalista capixaba, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo, tem trabalhos publicados sobre direitos humanos, regime militar e povos tradicionais da Amazônia. É autor de Viagens com o presidente, escrito em co-autoria com Eduardo Scolese e publicado pela Record em 2005.

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[Texto da ‘orelha’ do livro]

Este livro narra uma viagem de três meses e meio pelo território dos povos desconhecidos da Amazônia, nas terras altas do Vale do Javari, no Amazonas, na fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Um dos lugares mais remotos e inexplorados do planeta, próximo às cabeceiras dos rios Itaquaí, Jutaí e Jandiatuba – essa é a terra dos misteriosos ‘flecheiros’, uma tribo raramente vista, índios que se destacam pela destreza no manejo de arco e pelas flechas de ponta envenenada, que não hesitam em disparar contra os intrusos, na defesa de seu território. Os flecheiros são uma das tribos não contatadas, os isolados, que vivem em áreas praticamente inexploradas da floresta amazônica. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. São homens invisíveis.

Trinta e cinco homens entram na selva à procura dos sinais desse povo desconhecido. O objetivo não é contatá-los, é encontrar as provas de sua existência e mapear o território em que vivem, espremidos pelo avanço da civilização branca. O líder da expedição, o indigenista Sydney Possuelo, sabe que chegar perto dos nativos cria uma situação de perigo para os dois lados. Os isolados vêem os de fora como ameaça – invasores, grileiros, garimpeiros, caçadores – e os mantêm na mira de suas zarabatanas. Possuelo tenta a todo custo evitar o contato, que seria trágico para os índios. Eles têm fama de serem valentes guerreiros e exímios flecheiros, mas não possuem anticorpos contra doenças. De alguma forma, os homens da expedição têm que demonstrar aos isolados que não estão ali para atacá-los e sim para planejar e desenvolver ações que os protejam e garantam o direito deles de permanecer isolados. Enquanto for possível.

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[Texto da 4ª capa]

A expedição vai durar 105 dias. A caminhada através da mata e a travessia dos rios são difíceis. Bagagens, equipamentos e comida que os homens carregam se tornam a cada dia mais pesados; eles são obrigados a deixar para trás muitas coisas que antes pareciam imprescindíveis. A comida é escassa. Ao anoitecer, nuvens de mosquitos atacam o acampamento. Há cobras venenosas, jacarés, aranhas, formigas que cospem fogo.

Entre os integrantes da expedição, é a hora da solidariedade, mas é também a hora em que se aguçam os conflitos, como sempre acontece em uma situação-limite. Quase tão isolados quanto os flecheiros, muitos perdem a noção do tempo, só sabem que, ali, nada é para já.

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