Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > RELIGIÃO & LETRAS

C. S. Lewis, teólogo

Por Gabriel Perissé em 02/01/2006 na edição 362

O filme As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa pôs em evidência o autor da obra homônima em que se baseou – o irlandês C. S. Lewis (1898-1963). Escritor de prestígio, sua produção ficcional não é menos importante do que seus livros sobre religião. Anglicano como o poeta T. S. Eliot, Lewis soube conciliar a exigente carreira acadêmica com o pensamento cristão, revelando-se um apologista sintonizado com a linguagem e a mentalidade do nosso tempo.

A editora Martins Fontes tem se encarregado de difundir a dimensão teológica de Lewis, mais do que editoras brasileiras confessionais – a publicação de Os quatro amores, A abolição do homem, Cartas de um diabo a seu aprendiz e de Cristianismo puro e simples reafirma a idéia de que santo de editoras santas não faz milagre…

As edições do Cartas de um diabo pela Vozes e pela Loyola estão esgotadas, como esgotadas encontram-se as traduções de Mere christianity da editora Quadrante (vinculada ao Opus Dei), que traduziu o título literal e ambiguamente como Mero cristianismo, e da ABU (editora da Aliança Bíblica Universitária do Brasil, de origem protestante) que optou por solução mais fiel: A essência do cristianismo autêntico.

Lugar utópico

O cristianismo, segundo Lewis, não é um mero cristianismo, uma bela doutrina a mais. Sua verdade não é aceitável por ser boa para a sociedade ou porque muitas pessoas gostam dela. O cristianismo não é conveniente, útil, provável… Sequer é facilmente compreensível. Não é um ponto de vista qualquer ou um conjunto de ideais que dignificam o ser humano. É mais do que tudo isso.

A mensagem cristã, em sua origem e originalidade, é pura e simplesmente algo que transcende opinião, gosto e boas intenções. A bem da verdade, o objetivo apologético de Lewis neste livro consiste em apresentar os pontos em comum que qualquer cristão reconhecerá como centrais e passíveis de consenso entre diferentes religiões que sigam a Cristo. Ou seja, não se discutem a infalibilidade papal, a imaculada conceição de Maria, o sacramento da confissão e outros temas polêmicos entre católicos, evangélicos, cristãos ortodoxos etc.

Já a encarnação do Verbo, a Santíssima Trindade, as virtudes teologais e a moralidade sexual comparecem em sua argumentação, na busca de uma deep church, lugar utópico, teológico, em que todos os discípulos de Cristo poderão se encontrar. Em paz, como verdadeiros irmãos.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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