Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ARMAZéM LITERáRIO > IMAGENS DE GUERRA

Centenas de fotos e uma história fantástica

12/02/2008 na edição 472

[do material de divulgação da editora]

Didier Lefèvre era um fotógrafo à moda antiga. Num tempo de guerras televisionadas em tempo real, Lefèvre agia como um Robert Capa, conferindo a ação em pleno front. Durante os anos 1980 ele foi ao Afeganistão, em guerra contra a União Soviética, acompanhando a ação dos Médicos Sem Fronteiras, a organização internacional não-governamental que oferece assistência de urgência em conflitos armados, catástrofes, epidemias e outras situações de calamidade.

Lefèvre enfrentou cordilheiras, bombardeios soviéticos, mudjahedins mal-encarados e voltou com centenas de fotos e uma fantástica história. Imerso na cultura afegã, o fotógrafo produziu um sem-número de belas imagens, enquanto encontrava-se na linha de fogo entre os rebeldes do Talibã e as tropas russas.

O Fotógrafo, mais que o simples relato dessa arriscada viagem, é uma obra que mistura a linguagem ágil e versátil dos quadrinhos às representações realistas da fotografia. Com fotografias e história por Lefèvre, texto e quadrinhos de Emmanuel Guibert e diagramação e cores de Frédéric Lemercier, a narrativa fluída de O Fotógrafo leva o leitor a mergulhar na realidade árida de um Afeganistão distante – um país que continua em conflito e nunca saiu do panorama global.

No coração do Afeganistão

Além de apresentar um país fragmentado numa guerra civil, O Fotógrafo é importante para se entender como se dá o trabalho de um fotógrafo de guerra, e também como funciona o sistema de ajuda de organizações humanitárias como os MSF. Afinal, os médicos tratam e operam pacientes com baixíssimas condições técnicas, se mimetizam totalmente à cultura local e a muitas vezes têm que entrar clandestinamente no país onde prestarão assistência.

Os impressionantes retratos da miséria afegã, dos sangrentos conflitos e dos perigos pelos quais as caravanas da MSF passaram estão em exposição no ‘Mês Europeu da Fotografia’, em Paris, até o dia 29 de dezembro deste ano. Uma das últimas grandes coberturas fotográficas de uma guerra – feita antes dos ‘conflitos inteligentes’ e dos ‘bombardeios cirúrgicos’ –, O Fotógrafo é o mais importante capítulo de uma história que ainda não acabou.

Neste segundo volume, a caravana finalmente chega a seu objetivo: Zaragandara, no coração do Afeganistão. Ali, em um hospital improvisado, tem início o verdadeiro trabalho da equipe médica, não apenas no atendimento aos feridos de guerra, mas principalmente na prática da medicina cotidiana em condições precárias.

O terceiro e último volume da série O Fotógrafo ganhou o Angoulême, mais importante prêmio de quadrinhos da Europa.

A fotografia no front

Lefévre morreu na noite entre os dias 29 e 30 de janeiro de 2007, vítima de um ataque cardíaco aos 49 anos. Casado e pai de dois filhos, Lefèvre tornou-se mundialmente conhecido pelas coberturas fotográficas que realizava nas missões da ONG Médicos Sem Fronteiras, visitando ambientes em guerra para o auxílio das vítimas civis dos confrontos.

Sua primeira viagem ao Afeganistão, em 1986, rendeu-lhe O Fotógrafo, série em quadrinhos, ilustrada por Emmanuel Guibert e diagramada por Fréderic Lemercier. Acompanhando os MSF, Lefèvre esteve em países como Libéria, Kosovo, Sri Lanka e Camboja.

A história da fotografia de guerra começa em 1854 na Guerra da Criméia, com a cobertura promovida pelo inglês Robert Fenton, enquanto a Guerra da Secessão foi o primeiro conflito a ter um amplo registro fotográfico. Porém, devido à dificuldade de operação e ao peso do equipamento mais primitivo, além da censura militar imposta sobre os fotógrafos, a fotografia bélica permaneceu pouco expressiva entre o final do século 19 e o começo do século 20.

A partir da criação de máquinas leves, como a alemã Leica, nos anos 20, os fotógrafos ganharam agilidade e mobilidade, podendo estar mais perto da ação. O auge da fotografia de guerra aconteceu no Vietnã, quando imagens como a de uma garota correndo com o corpo queimado pelo napalm (tirada por Nick Ut) fizeram a opinião pública norte-americana voltar-se contra a ocupação.

Leia um trecho aqui.

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