Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ARMAZéM LITERáRIO > THE WASHINGTON POST

Citações merecem correções?

14/08/2007 na edição 446

A coluna de domingo [12/8/07] da ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, teve como tema as citações do diário. ‘Quando você lê uma citação no Post, o que está entre as aspas é exatamente o que a pessoa disse? As normas dizem que assim deveria ser, mas nem sempre é o que acontece’, afirma.

Diversos leitores escreveram, nas últimas semanas, para reclamar de uma citação, publicada em matéria de Howard Bryant na seção de esportes do dia 28/7, atribuída ao jogador de futebol americano Clinton Portis. A mesma citação foi publicada, no mesmo dia, na coluna esportiva de Mike Wise. Bryant reproduziu a fala de Portis com alguns acertos na gramática, enquanto Wise publicou o que ele falou de maneira exata. Muitos leitores escreveram para perguntar que critérios são adotados pelo diário para mudar frases ditas por entrevistados.

A norma do Post é clara: estabelece que, quando se colocam palavras entre aspas, estas palavras devem ser exatamente as usadas pelo entrevistado. Em relação a erros gramaticais, o Post diz que, na tentativa de evitar humilhar um entrevistado que cometeu falhas ou que não domina bem o idioma, é aconselhável reproduzir sua fala de modo indireto, sem colocá-la entre aspas.

Erros e personalidades

Bryant, que no início de agosto deixou o Post para trabalhar na ESPN, diz que não conhecia a regra – e não concorda com ela. ‘Para mim, que entrevisto atletas há 15 anos, não é confortável fazer com que as pessoas pareçam estúpidas’, explica. Como o jornalista é negro, alguns leitores escreveram para questionar se, no caso de Clinton Portis, as correções foram feitas porque o jogador também é negro.

Wise discorda das opiniões de Bryant sobre alterações em citações. Para ele, mudar o modo como um entrevistado fala é desvirtuar sua personalidade. ‘Se não estou passando o ritmo e a cadência com que a pessoa fala, não estou dizendo aos leitores como ela é’, afirma. ‘Se não o fizermos, corremos o risco de homogeneizar todos’.

Emilio Garcia-Ruiz, editor assistente da seção de esportes, diz que mudanças discretas em citações são comuns entre jornalistas esportivos. ‘Eles fazem pequenos ajustes para corrigir algumas falhas gramaticais. O significado não é alterado, apenas a gramática’, resume. ‘Vamos tentar melhorar e não mais cometer estes erros’.

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