Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ARMAZéM LITERáRIO > MERCADO DE TV

Clássico ganha nova edição

Por Alex Sander Alcântara em 01/02/2005 na edição 314

Quando foi lançada a primeira edição, em 1988, de Mercado Brasileiro de Televisão, do professor de Economia da UFS César Ricardo Siqueira Bolaño, o livro já nascia clássico. Resultado de sua dissertação de mestrado pela Unicamp, o primeiro trabalho de César Bolaño, inédito no Brasil e um dos primeiros publicados na América Latina, foi um marco para a criação de uma disciplina, fundada no Brasil por ele mesmo inclusive na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde leciona, que se denominou na década de 90 de Economia da Comunicação e da Cultura. Mercado Brasileiro de Televisão volta ao cenário acadêmico em edição revista e ampliada e será relançado em 17 de fevereiro, no auditório da Reitoria da UFS. O livro também será lançado em São Paulo, ainda sem data e local definidos.

A obra publicada agora em conjunto pela editora da UFS e a editora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Educ) mantém o aspecto original de pesquisa, atualizada até o ano de 2000. Alia a história da evolução do sistema comercial brasileiro de televisão a uma análise crítica interdisciplinar.

Na primeira edição, em 1988, Bolaño já falava da TV segmentada no Brasil, processo que ganhou contornos somente a partir de 1995. É justamente esse novo período de desenvolvimento dessa indústria o elemento inteiramente inédito acrescentado ao livro, que o autor chama, na terceira parte, de ‘Fase da multiplicidade de oferta’.

Na contramão da história

Mas não se deve confundir multiplicidade de oferta com processo de democratização dos meios de comunicação no Brasil. Muito pelo contrário, o monopólio da TV Globo continua imbatível, apesar da crise da holding que engloba uma multiplicidade de investimentos em diversos setores. Na visão do professor Valério Brittos (Unisinos), que faz o prefácio do livro, César Bolaño não se inscreve entre as posições ufanistas que vislumbram horizontes democráticos advindos diretamente da tecnologia.

A presença da televisão no capitalismo, investigação sobre o audiovisual, convergência tecnológica, concentração empresarial, além de diversos outros assuntos, estão focados na obra com rigor teórico e analítico. César, que atualmente é coordenador do portal na internet Eptic – Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação, hoje o mais importante espaço de interlocução internacional entre os pesquisadores de Comunicação – é ‘um intelectual de vanguarda’, nas palavras do pesquisador Gilson Schwartz, que escreve a orelha do livro. César Bolaño também é autor de Indústria cultural, informação e capitalismo, resultado de sua tese de doutorado pela Unicamp. Publicado pela editora Hucitec em 2000, o livro vem ganhando repercussão internacional e terá versão em castelhano em 2005.

O Portal Eptic (www.eptic.com.br) funciona no Observatório de Comunicação na UFS (Obscom), mas poucos alunos de comunicação sabem da existência desse núcleo. O mais grave é que a disciplina Economia da Comunicação e da Cultura, criada por César Bolaño, deixará de ser obrigatória na grade curricular do curso de Comunicação Social da UFS, uma decisão infundada, um processo retrógrado, que caminha na contramão da história.

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