Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > QUINTA-FEIRA, 28/1

Com expectativa alta, tablet da Apple divide opiniões

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/01/2010 na edição 574


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


 


TECNOLOGIA


Jenna Wortham, NYT


Apple lança o iPad, que une vídeo, música, livro e game


‘Depois de meses de especulações descontroladas, Steve Jobs enfim deu aos fãs da Apple exatamente aquilo que desejavam: um novo computador tablet semelhante ao iPhone, chamado iPad, com preço inicial de US$ 499. ‘Queremos dar início a 2010 introduzindo hoje um produto mágico e evoluído’, disse Jobs, presidente-executivo da Apple.


Alguns dos modelos do produto estarão disponíveis dentro de 60 dias, ele afirmou. Os recursos e as especificações do aparelho, que alimentaram boatos na internet por meses, foram por fim revelados em detalhes: o modelo terá uma tela de toque de 9,7 polegadas e um teclado virtual completo. A espessura é de 1,2 centímetro e o peso chega a 680 gramas. Além disso, a tela do iPad conta com o recurso multitoque, o que significa que o conteúdo que ela exibe pode ser manipulado com movimentos dos dedos.


O iPad conta com conexões wi-fi e bluetooth para a internet e é acionado por um chip Apple A4 de 1,4 gigahertz. A memória flash tem entre 16 e 64 gigabytes de capacidade.


Jobs descreveu o iPad como ‘muito mais íntimo que um laptop e muito mais capaz que um celular inteligente, com essa linda e ampla tela’. O modelo mais avançado custará US$ 829, com 64 GB de memória e conexão 3G.


Os modelos dotados apenas de conexão wi-fi estarão disponíveis em 60 dias, e os de conexão a redes de telefonia móvel, em 90 dias, segundo a Apple. Durante o evento, Jobs demonstrou o iPad como plataforma para assistir a vídeos, ouvir música em formato stream, ler livros eletrônicos, ver fotografias e jogar videogames.


O iPad será capaz de operar ‘virtualmente todos’ os aplicativos do atual catálogo do iPhone, que chegam a mais de 100 mil, ‘virtualmente sem modificações’, disse Scott Forstall, vice-presidente sênior da Apple. Ele apontou que os programadores poderiam modificar seus aplicativos a fim de tirar vantagem da grande tela.


A Apple vinha trabalhando em um computador tablet como esse havia mais de uma década, de acordo com diversos ex-funcionários. Mas os primeiros protótipos, que usavam microchips do padrão PC, esgotavam rapidamente as baterias, e os executivos da Apple não conseguiam determinar como ou por que as pessoas desejariam usar esse tipo de aparelho, que carece de teclado e mouse convencionais. Outras companhias, como a Microsoft, têm tablets à venda já há anos, mas a categoria jamais conquistou a atenção dos consumidores.


No entanto, avanços na tecnologia tornaram os tablets um produto mais viável. A tecnologia de baterias melhorou. Jobs disse que o iPad teria cargas de bateria com duração de dez horas, o que permitiria que um usuário ‘apanhasse um avião em San Francisco e voasse até Tóquio assistindo a vídeos’.


Os teclados tradicionais com a disposição QWERTY também se tornaram dispensáveis para muitas pessoas. Número cada vez maior de celulares, como o NexusOne, do Google, abandonaram os teclados.


O notável sucesso do iPhone e do iPod Touch também demonstrou o caminho que os tablets podem percorrer. As pessoas se dispõem a pagar para personalizar esses aparelhos com aplicativos, transformando-os em videogame, bússolas e leitores eletrônicos.


Tradução de PAULO MIGLIACCI’


 


 


Julio Wiziack


No Brasil, alto custo deve ser a maior barreira


‘As teles móveis já estudam o lançamento do iPad no Brasil, mas o preço é a principal barreira. A negociação com a Apple deverá ocorrer pelas matrizes, nos EUA.


A companhia americana já sinalizou que, diferentemente do iPhone, cuja distribuição global levou quase dois anos, o iPad estará nos principais mercados a partir de abril, no máximo. Para a versão wi-fi, esse prazo é março, sem restrição de países.


No Brasil, as operadoras querem o modelo 3G (que também funciona em wi-fi). Apesar de ser mais caro, são poucos os lugares públicos no país com sinal wi-fi (hotspots) e, para elas, só interessa gerar tráfego de dados em sua rede, algo que a versão wi-fi não permite.


Quando o iPhone foi lançado no país, o preço de importação foi de US$ 500, e o aparelho subsidiado custava cerca de R$ 1.200 para os consumidores, sem contar o pacote de dados.


Cálculos iniciais indicam que o iPad (3G) não custará menos de R$ 2.000, já contando o subsídio. Na conta estão incluídos não só os impostos como a demanda por esse tipo de equipamento.


Dados do IDC (International Data Corporation) mostram que, no mundo, 0,5% das vendas de computadores foram de tablets (categoria a que pertence o iPad). No Brasil, a comercialização desses equipamentos nem aparece nas pesquisas.


Mesmo assim, para as operadoras, o lançamento do iPad significa investir em uma ‘imagem de inovação’. Esse é o principal motivo que leva as teles a negociarem com a Apple.


Antes de fecharem sua estratégia, elas querem saber se o cliente que já comprou um iPhone poderá usar seu pacote de dados também no iPad. Nos EUA, isso não é possível. Caso o acesso seja liberado no Brasil, há chances de que haja mais interessados em adquirir o iPad.’


 


 


NYT


Produto pode ajudar mídia, mas a preço alto


‘Com o esperado anúncio do iPad, a Apple pode estar dando à indústria de mídia uma espécie de máquina do tempo -uma chance de desfazerem os erros do passado.


Quase todas as empresas de mídia afundaram com a era da internet, na medida em que cederam de graça o seu conteúdo impresso e em vídeo e, como resultado, viram os consumidores debandarem.


Mas a Apple, ao casar seu software reconhecidamente ágil e seu design com o sistema de pagamento do iTunes, pode estar criando um modo para que as empresas de mídia alterem a economia e as atitudes de consumo da era digital.


Essa oportunidade, no entanto, vem com um enorme porém: Steven P. Jobs.


Jobs, o presidente-executivo da Apple, tornou a empresa a mais importante distribuidora de música ao impor sua própria vontade sobre as gravadoras, forçando-as a aceitar os preços e outros itens impostos pela Apple. A Apple vendeu uma quantidade imensa de música, mas as gravadoras alegam que o iTunes destruiu o conceito de álbum e prejudicou ainda mais o foco principal delas, que já estava se deteriorando.


Com o novo tablet, as empresas de mídia podem estar se submetendo às mesmas restrições de preço e sacrificando a relação direta delas com os consumidores para a Apple.


Por ora, pelo menos, as indústrias de mídia e tecnologia estão olhando para o lado positivo. ‘Steve acredita nas companhias da velha mídia e quer que elas se deem bem’, disse uma pessoa que conhece o plano de marketing da Apple para o novo aparelho, mas que pediu para que seu nome não fosse identificado. ‘Ele acredita que a democracia está vinculada à imprensa livre e que isso depende da existência de uma imprensa profissional.’


Outro motivo de otimismo é a disposição dos consumidores de gastar dinheiro com seus aparelhos móveis, como ocorre com a compra de toques para telefone celular e o uso de mensagens de texto.’


 


 


HUGO CHÁVEZ


Flávia Marreiro


Compra de TV causa controvérsia na Nicarágua


‘Enquanto enfrenta novo embate com o canal opositor RCTV na Venezuela, Hugo Chávez vê-se envolvido em outra polêmica com a mídia, desta vez na Nicarágua, onde a imprensa local e a oposição o relacionam à misteriosa compra de parte da TV Telenica Canal 8, uma das principais do país e crítica do governo de seu aliado Daniel Ortega .


Na semana passada, o então diretor da TV Carlos Briceño anunciou que parte importante das ações do canal haviam sido vendidas a sócios cujos nomes seriam mantidos em segredo por imposições contratuais.


No último domingo, um dos principais jornalistas de oposição da Nicarágua e uma das estrelas do canal, Carlos Fernando Chamorro, anunciou sua saída da Telenica em seu programa dominical.


Chamorro, filho da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-97) e ex-militante sandinista, afirmou ter confirmado, com fontes confidenciais, o emprego de fundos vindos da cooperação com a Venezuela na compra da TV.


‘As pessoas que estão tomando decisões são da secretaria do partido do governo [a Frente Sandinista]. O filho de Ortega está lá fisicamente já. O governo não está fechando meios de comunicação. Está recorrendo a métodos mais sofisticados para exercer esses tipos de pressões’, afirmou Chamorro à Folha.


Segundo o jornalista, autoridades pressionam as TVs ameaçando não renovar suas concessões. Já o governo Ortega diz que os meios de comunicação fazem sistemática campanha contrarrevolucionária.


Carlos Lauria, diretor para as Américas do CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas), ONG com sede em Nova York, enxerga políticas de intimidação dos governos Chávez e Ortega e pede ação coordenada internacional para contê-las.


Chamorro é cético: ‘Depois do que aconteceu em Honduras, onde houve um golpe e a comunidade não pôde reverter, depois do que aconteceu na Nicarágua, onde houve fraude eleitoral e tampouco a OEA ou a comunidade internacional tiveram alguma incidência, sinceramente penso que as defesas das liberdades dependem, em primeiro lugar, do que a sociedade nicaraguense fizer’.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Erguendo tijolos


‘De Davos, o ‘Wall Street Journal’ noticiou que Nouriel Roubini voltou a prever problemas para os países ricos, mas foi ‘inusitadamente otimista quanto aos Brics’.


Já o ‘Financial Times’ abriu até home page para os Brics (logotipo abaixo), ‘Construindo Brics’ ou, no trocadilho, erguendo tijolos. Na chamada, com a foto acima, o jornal pergunta se, quando terminar a crise, ‘O centro de gravidade da economia global vai mudar para Brasil, Rússia, Índia e China?’.


O ‘FT’ destacou duas reportagens sobre os Brics, ontem. Na primeira, os quatro, segundo a Thomson Reuters, ‘lançaram recorde de ações desde o início do ano’, com US$ 6,7 bilhões em 26 IPOs.


A segunda compara os quatro e conclui que houve ‘grande mudança no cenário de pesquisa científica’, com China, Brasil e Índia passando a Rússia. A China, com o maior salto mundial em pesquisa, estaria perto até de ‘tomar a liderança’ dos EUA.


A PETROBRAS SOBE


Mais do ‘FT’. A PetroChina passou a Exxon e é ‘o maior grupo de energia do mundo’. A Petrobras é quarta, e a russa Rosneft, a 13ª. ‘As duas viram sua capitalização de mercado mais do que dobrar.’


Os dados da consultoria PFC ‘sublinham a nascente mas cada vez maior mudança do domínio, das companhias ocidentais para as estatais de China, Brasil e Rússia’.


LAR DE LONGO PRAZO


O problema para Exxon e outras é como concorrer em produção, sublinha o ‘FT’, sem novos campos. Nesse sentido, o ‘WSJ’ noticiou do Rio que a também americana Chevron decidiu desenvolver o campo de Papa Terra, que divide no Brasil com a Petrobras. A decisão ‘transforma o Brasil em lar de longo prazo para a Chevron’, segundo seu vice.


‘HERO’


No alto das buscas de Brasil no Yahoo News, da AP, com reprodução pelo site do ‘New York Times’, ‘Silva, do Brasil, é recebido como herói em Fórum Social’. Segundo o enviado, ‘foi saudado como um ‘rock star’ por ativistas, num estádio’. E ‘ganhou mais aplausos ao prometer uma bronca nos banqueiros do Fórum Econômico’.


Por outro lado, também no ‘NYT’, Lurian, a filha de Lula, publicou carta questionando o correspondente do jornal por escrever que o filme ‘Lula, o Filho do Brasil’ ‘falhou ao não mencionar que abandonou sua namorada, Miriam Cordeiro, quando está grávida’. Lurian diz que sua mãe não foi abandonada.


DE VOLTA


Depois do Twitter, o publicitário Nizan Guanaes abriu blog no iG, de Davos, e saudou os dez anos do portal que ajudou a criar


ANO ANÔMALO


O blog Radar postou que ‘a cobertura das chuvas em São Paulo levantou o ibope do ‘Jornal da Record’. Antes em um dígito, na terça-feira ‘alcançou 13 pontos, melhor resultado desde agosto de 2008’. Além dos alagamentos, ‘foi ajudado também pela novela das sete da Globo, que não empolga’. Nem a das nove.


CONSEQUÊNCIA


Na manchete do ‘Jornal Nacional’, ontem, ‘Mais uma consequência das chuvas em São Paulo: represas chegam ao limite da capacidade e famílias são obrigadas a mudar de endereço’.


Em suma, ‘as comportas são abertas’ pela Sabesp ‘e alagam cidades’.


ASSOREAMENTO


O UOL destacou (abaixo) que a Defensoria Pública de São Paulo entrou com um mandado de segurança contra a Sabesp e estuda um outro contra o DAEE por causa dos alagamentos na Zona Leste. Questionou, como a causa principal das enchentes, ‘o assoreamento do Tietê’.


ENFIM


O iPad enfrentou críticas, sobretudo pela ausência de multitarefa. Mas o ‘NYT’ já reagiu, dizendo serem ataques blogueiros de quem nem usou e lembrando que foi assim com o iPhone. Vê desenvolvimento – com o tempo’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos e Clarice Cardoso


Globo usa audiência diferente das outras emissoras


‘A Globo divulgou que ‘Cama de Gato’ tem no país 59% de share (participação dentre os televisores ligados no horário). Fonte da Folha em outra emissora contestou: a novela das seis está com 55% de share.


A disparidade chega a seis pontos percentuais em Recife: 71% contra 65% ‘diferença maior do que o ibope total de algumas TVs, como a RedeTV!.


O caso acima evidencia uma polêmica entre as TVs em relação aos critérios de audiência. A Globo explica que está usando um dado criado há pouco mais de um ano pelo Ibope, que mede apenas a audiência dos televisores ligados em programação televisiva, excluindo os que estão com outros aparelhos, como DVDs, video games, computadores, videocassetes eaté circuito interno de TV. É o TLE (total ligados especial).


Esse número desconsidera a crescente concorrência da programação de TV com outras mídias. O share, principalmente das emissoras com as audiências mais altas, tende a ser maior no TLE porque não mostra o quanto elas estão perdendo, por exemplo, de público ligado em DVD.


A Folha apurou que, mais de um ano após o Ibope recomendar o uso do TLE, só a Globo o adotou. Outras redes e agências de publicidade continuam usando o share tradicional. Para a concorrência, a mudança de critério beneficia a Globo.


A falta de padronização impossibilita comparações entre audiências de diferentes redes.


Também não se pode comparar, por exemplo, o share do ‘BBB 10’ com o da oitava edição para trás, anteriores à criação do TLE. A explicação de ‘share’ usada na imprensa teria de mudar só para a Globo: passar de ‘total de televisores ligados no horário’ para ‘total de televisores ligados no horário em programação de TV’.


A Globo afirmou seguir ‘recomendação do Ibope e não comparar dados de audiência com critérios diferentes’.


Dora Câmara, diretora do Ibope Mídia, disse que o instituto ‘recomendou preferencialmente o TLE às redes’ em outubro de 2008. Diz que não haverá padronização pois ‘trata-se de recomendação’.


PAGO PARA NÃO VER


Cena do pay-per-view do ‘BBB’ às 18h de terça: enquanto Elenita dava uma aula sobre Jung e inconsciente coletivo para Alex, Eliéser dormia de boca aberta no sofá, Anamara fazia a sobrancelha e Tessália espremia cravos do rosto de Michel. Ana Marcela, que passava fio dental na cena, foi eliminada à noite. O programa marcou 29 pontos,um a menos do que na eliminação anterior.


WWW


A volta da parada de videoclipes ‘Top 10’ à MTV e uma votação para eleger as apostas de 2010 elevaram a audiência do portal da emissora na internet, que, desde o dia 18, registrou mais de 1,2 milhão acessos.’


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


‘Torchwood’ põe sexualidade em primeiro plano em caça a ETs


‘Com essa desculpa, ‘Torchwood’ não explicou uma série de dispositivos alienígenas que inventou durante as duas temporadas que ficou no ar na BBC, levando mais de 2 milhões de pessoas a acompanhar a saga de uma equipe que capturava criaturas vindas de outros planetas.


Cardiff, no País de Gales, abriga uma fenda de tempo e de espaço que faz chegar os mais esquisitos tipos de ETs à Terra.


O título do programa é o nome da agência secreta, na verdade um anagrama de ‘Doctor Who’, série dos anos 60 da qual esta foi derivada, em 2005.


Liderado por um bonitão imortal de passado (ou seria futuro?) obscuro, o grupo luta contra alienígenas perigosos e se arma para uma guerra no século 21 tentando entender como funcionam algumas engenhocas do espaço. O capitão Jack Harkness (John Barrowman) usa na estreia uma luva que ressuscita pessoas.


Formas de vida de outros planetas aparecem ao longo da primeira temporada, que sai em DVD, até chegar a um desfecho bizarro à la Godzilla, ou seria mais correto remeter aos vilões trash de ‘Jaspion’.


É um fim trágico para uma boa premissa, que traz à ficção científica uma liberdade sexual extremada. A policial novata beija uma alien em sua primeira tarefa e só não chega às vias de fato porque a extraterrestre prefere os homens. Não dá para ser mais liberal que isso.


A Fox planeja uma adaptação para os EUA. Para acalmar os fãs, é Russell T. Davies, criador do original, quem faz o roteiro.’


 


 


Apresentadora Martha Stewart troca de canal


‘A americana Martha Stewart, empresária e apresentadora de TV, anunciou anteontem que, a partir de setembro, o programa ‘The Martha Stewart Show’ deixará de ser distribuído pela NBC Universal e passará a ser exibido pelo canal pago Hallmark. Além do matinal diário, de uma hora de duração, Martha também será responsável pelo desenvolvimento de novos programas para o canal.’


 


 


Sony processa TV por vídeos de Michael Jackson


‘A Sony Music Entertainment iniciou processo anteontem contra o canal pago TV Guide, por conta de violação de direitos autorais durante a transmissão de homenagens a Michael Jackson, morto em junho do ano passado. Segundo a Sony, os programas exibidos pela TV incluíram obras do cantor sem autorização e pagamento à empresa, detentora dos direitos de canções e videoclipes utilizados.’


 


 


POLÍTICA CULTURAL


Larissa Guimarães


Nova Rouanet é enfim enviada ao Congresso


‘A nova Lei Rouanet foi enviada ontem ao Congresso Nacional. O projeto de lei chegou a ser entregue simbolicamente no fim do ano passado [como mostrou reportagem da Folha em 22 de janeiro deste ano], mas a proposta só foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem.


O ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy, afirma que faltavam apenas ‘formalizações’ para que a proposta fosse mandada ao Congresso -que só deverá começar a analisá-la na semana que vem.


‘Na essência, é o mesmo projeto do fim do ano passado. Sempre existem cobranças por prazos, mas o mais importante é que o texto foi fechado com seriedade’, afirmou o ministro.


A expectativa do governo é que o projeto entre em tramitação em regime de urgência urgentíssima, e seja aprovado até o segundo semestre.


Após a aprovação no Congresso e a sanção do presidente Lula, haverá ainda um prazo de transição de três meses para que as novas regras passem a valer para o mercado cultural.


A nova proposta do governo prevê que a renúncia fiscal seja apenas um dos mecanismos de financiamento de cultura. A ideia, segundo o ministro interino da Cultura, é fortalecer o FNC (Fundo Nacional da Cultura) na nova lei.


Com o fundo mais forte, o Ministério da Cultura terá mais mecanismos para repassar dinheiro direto aos produtores. Projetos culturais poderão receber dinheiro público via bolsas e prêmios. Hoje, quem quiser receber dinheiro pela Rouanet tem, praticamente, só a opção de buscar patrocínio na iniciativa privada.


Pelas estatísticas do Ministério da Cultura, a cada ano menos de 20% dos projetos conseguem captar algum recurso. ‘A maioria fica sem patrocínio, principalmente os iniciantes e mais inovadores’, argumenta.


O FNC contará neste ano com R$ 800 milhões, que serão distribuídos entre sete fundos setoriais, que abrangem desde artes visuais a literatura.


As secretarias estaduais de Cultura receberão também 30% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura. A proposta do governo prevê que esse dinheiro só poderá ser aplicado em projetos culturais, e não poderá ser usado para outras despesas, como pagamento de pessoal, por exemplo.


‘É preciso haver uma descentralização nos recursos da Cultura, assim como vem acontecendo em outras áreas, como saúde e educação’, alega.


O mecanismo da renúncia fiscal também vai mudar com a nova Rouanet. As empresas terão de dar uma contrapartida maior ao patrocinarem projetos culturais. Hoje, só existem duas faixas de renúncia -100% e 30%. O empresário pode abater todo o valor do patrocínio em imposto ou precisa desembolsar 70% do montante total. Com as mudanças, fica extinta a renúncia fiscal de 100% e os projetos poderão ser classificados em três faixas diferentes -80%, 60% e 40%.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


 


TECNOLOGIA


Gustavo Chacra


Apple busca nova revolução com o iPad


‘No dia em que o presidente americano Barack Obama faria o seu mais importante discurso no ano, os Estados Unidos pararam para assistir à apresentação de Steve Jobs, presidente da Apple, no lançamento do já considerado revolucionário iPad – uma espécie de mistura de um laptop com um celular inteligente – em cerimônia na cidade de San Francisco.


Ainda magro em consequência de problemas de saúde, Jobs, com sua tradicional camisa de gola alta preta, subiu ao palco e, depois de contar um pouco da história e dos lucros de produtos da Apple como o iPod, exibiu pela primeira vez o iPad, que vinha sendo aguardado desde o fim do ano passado.


‘Nós queremos iniciar 2010 com a introdução de um produto verdadeiramente mágico e revolucionário. É muito mais intimista do que um laptop e bem mais capaz do que um celular inteligente’, afirmou o carismático presidente da Apple para uma audiência de dezenas de jornalistas, em evento que ofuscou completamente o lançamento do celular Nexus One pelo Google semanas atrás. Canais de TV pararam as suas programações normais para mostrar o novo produto, enquanto os jornais fizeram cobertura instantânea por meio de blogs.


Como no caso do iPod, o produto se difere de praticamente tudo o que existe no mercado. Fisicamente, o iPad lembra um iPhone gigante. Sua tela sensível ao toque terá cerca de dez polegadas. O aparelho pesará 680 gramas. Não haverá teclado físico, apenas virtual.


Segundo Jobs, a bateria será econômica, sendo possível assistir a um filme de ‘San Francisco a Tóquio’ – esse foi o principal obstáculo para o desenvolvimento do produto. O modelo mais avançado, com 64 gigabytes de memória, custará US$ 829, enquanto o mais simples poderá ser adquirido por US$ 499. Os dois devem estar à venda nas lojas da Apple nos Estados Unidos em dois meses. Não há previsão de quando será lançado no Brasil.


A conexão à internet deverá ser fornecida por meio de um plano de US$ 30 mensais com a AT&T, companhia já responsável pelo iPhone no território americano.


Apesar de não fazer chamadas convencionais, o iPad poderá usar softwares de telefonia via internet. O aparelho inova por ter a vantagem de poder utilizar 140 mil aplicativos criados para o iPhone inexistentes nos seus competidores na categoria tablet. Além disso, supera os netbooks (computadores menores para navegar na internet) por ter uma tela com resolução bem maior e um design mais simples, típico da Apple, com apenas um botão.


‘Os netbooks não são melhores em nada. Eles possuem telas de baixa qualidade’, disse Jobs, tentando mostrar a superioridade de seu produto.


E-READER


Antes do lançamento, muitos analistas diziam que o iPad poderia ser para os livros e jornais o que o iPod conseguiu ser para a música. Jobs disse já estar em contato com editoras para vender livros virtuais.


O problema é que já existem aparelhos de leitura avançados, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes&Noble. E os dois se diferem do iPad. Ambos são direcionados apenas para a leitura, sem a preocupação com a internet ou comunicação. A luminosidade da tela também é diferente, cansando bem menos a vista. O Kindle e o Nook, para serem lidos, precisam de iluminação externa, como se fosse um livro. O iPad terá uma luminosidade igual à de um computador comum, vinda da tela, cansando a vista da mesma forma.


A leitura de publicações grandes, como livros, não deve sofrer grandes alterações. Analistas já diziam ontem que iPad não será um concorrente direto do Kindle ou do Nook.


A expectativa, porém, se dá na imprensa. Jornais e revistas, por terem textos menores, diferentemente de livros, podem ser lidos com mais facilidade em telas de computadores e tablets, sem o problema do cansaço da vista. Alguns jornais e revistas, como o New York Times e as publicações da Condé Nast, já começaram a desenvolver formatos para serem adaptados ao iPad.


Martin Nisenholtz, do New York Times, subiu ao palco durante a apresentação de Jobs e comentou sobre o desenvolvimento de um aplicativo especialmente para o iPad. ‘Queremos misturar o melhor da edição impressa com a edição digital’, disse. Jennifer Brook, também do jornal de Nova York, acrescentou que eles conseguiram ‘capturar a essência da leitura de um jornal’.


O aplicativo, de acordo com o New York Times, permitirá aos leitores gravar artigos no iPad, alterar as dimensões do texto, mudando o número de colunas, arrastando fotos e exibindo vídeos. ‘Será tudo o que você sempre amou em um jornal, tudo o que você sempre amou da internet e tudo o que você pode esperar do New York Times’, afirmou Brook.


TELEVISÃO


E, segundo se comentava ontem nas TVs americanas, o iPad pode afetar ainda mais a indústria da TV. Com a alta resolução da imagem, programas e séries poderão ser assistidos de qualquer lugar com boa qualidade, bem acima da existente atualmente em sites como o YouTube e o Hulu. O Los Angeles Times também lembrou que a tela sensível ao toque de tamanho grande, como a do iPad, permitirá que aplicativos de artistas sejam usados até mesmo para a produção de obras de arte.’


 


 


Renato Cruz


Equipamento criou expectativas altas demais


‘O iPad foi bem recebido, mas o entusiasmo veio temperado com uma certa dose de decepção. A avalanche de rumores criada antes do anúncio criou expectativas impossíveis de serem alcançadas. Era como se Steve Jobs fosse anunciar o lançamento comercial de um sistema de teletransporte.


Um comentário bastante comum, que apareceu, entre outros lugares, na cobertura em tempo real do New York Times, foi de que o iPad é um iPhone gigante (apesar de não fazer chamadas convencionais). ‘Apple Tablet’ foi um dos temas mais populares ontem no Twitter, serviço de microblogs. Matt Gemmell, um desenvolvedor de software para produtos da Apple, escreveu no Twitter: ‘O iPad é o maior avanço na tecnologia de leitura de banheiro da história da humanidade.’


‘Simplesmente não entendi’, foi um comentário publicado pelo TechCrunch, um dos blogs mais influentes de tecnologia. ‘Não é um substituto do iPhone, porque não é um telefone; não é um substituto do iPod Touch porque não é portátil; e eu tenho vários computadores ‘verdadeiros’ para não precisar de um tablet.’


A reação do Gizmodo, outro blog de tecnologia, também não foi boa: ‘Meu Deus, eu estou bem desapontado com o iPad. Ele é a tradução de um produto não-essencial e além disso tem algumas falhas críticas, absolutamente terríveis, que me farão olhar torto para qualquer pessoa que resolva comprar um.’ Ele reclama, entre outras coisas, da falta de câmera e de capacidade de multitarefa.’


 


 


Grupo já mudou completamente três mercados


‘A Apple já revolucionou três mercados: o de microcomputadores, o de música e o da telefonia. Dependendo da reação dos consumidores ao iPad, a empresa de Steve Jobs pode mudar os rumos da indústria de PCs pela terceira vez. O Apple II, lançado no começo de 1977, foi o responsável por tornar o computador pessoal um bem de consumo. Modelos concorrentes, como o TRS-80, eram restritos a aficionados por tecnologia.


Além disso, o Apple II transformou os microcomputadores, que eram vistos até então como hobby, em ferramenta de trabalho, com o lançamento do software de planilhas VisiCalc, que permitia usar a máquina para cálculos. Ela trazia como novidades a capacidade de mostrar imagens em cores e a arquitetura aberta, que permitia aos usuários expandirem a capacidade das máquinas, com placas desenvolvidas até por outros fabricantes. O Apple II acabou sendo deixado para trás pelo IBM PC, lançado em 1981.


A segunda vez em que a Apple mudou o rumo do mercado de microcomputadores foi em 1984, com o lançamento do Macintosh. Esse computador tornou acessível a um público amplo a interface gráfica do usuário. O que é isso? Antes do Mac, as pessoas precisavam digitar os comandos. Ele foi o primeiro computador com um preço acessível a permitir a interação com imagens que podem ser clicadas e arrastadas, com o uso de um mouse. Recursos que se tornaram corriqueiros com o Windows, da Microsoft, chegaram ao mercado pela primeira vez com o Mac. Dependendo da resposta ao iPad, pode ser a terceira guinada do mercado de PCs liderada pela Apple.


A Apple revolucionou o mercado de música com o iPod, em outubro de 2001. Apesar de não ser o pioneiro, foi o equipamento que desenvolveu o mercado de tocadores digitais. Num momento em que a indústria fonográfica combatia o crescimento do MP3 com ações judiciais contra consumidores, a Apple criou um modelo viável que combinava um aparelho fácil de usar, com um software instalado nos computadores e uma loja virtual. Graças ao sucesso do iPod, a Apple se tornou o maior varejista de música do mundo.


A revolução do mercado de telefonia aconteceu em janeiro de 2007. A empresa não inaugurou o segmento de smartphones (telefones inteligentes), mas lançou um produto para pessoas comuns. Modelos de outros fabricantes, além de mais feios, eram difíceis. Pareciam feitos de engenheiros para engenheiros. Desde o seu lançamento, o iPhone se tornou o produto a ser batido pela concorrência.


Mas nem sempre a mágica dá certo. Em 1998, a Apple lançou o computador de mão Newton, um ‘assistente pessoal digital’. Ele trazia uma tecnologia revolucionária de reconhecimento de escrita, mas não obteve sucesso. Outra empresa, a Palm, acabou desenvolvendo esse mercado. O Newton foi lançado na época em que Steve Jobs estava fora da companhia, o que pode ser parte da explicação de seu fracasso.


Mesmo sob a administração de Jobs, no entanto, houve revoluções anunciadas que não se concretizaram. É o caso da Apple TV, um equipamento que serve para assistir vídeos da internet e do computador na televisão de alta definição. Muitos consumidores gostaram, mas o impacto foi muito menor que do iPod ou do iPhone.’


 


 


VENEZUELA


Roberto Lameirinhas


Chávez vai à TV desmentir rumores de golpe


‘Ao fim de um dia de protestos e luto pela morte, em Mérida, de dois manifestantes, uma onda de boatos tomou conta da Venezuela na noite de terça-feira. Segundo esses rumores, militares teriam detido o presidente Hugo Chávez e o enviado para La Orchila, ilha-prisão para onde foi levado em abril de 2002, numa fracassada tentativa de golpe. Segundo outras informações, ele teria sido assassinado pelos militares, supostamente revoltados com um plano de Chávez de promover cinco generais cubanos para o alto comando do Exército venezuelano.


Segundo os mesmos boatos, o plano de promover os militares cubanos teria sido a razão da demissão do vice-presidente e ministro da Defesa, Ramón Carrizález. Por mais absurdas que pareçam, a boataria dá ideia do grau de tensão que envolve o país desde o silenciamento, pela segunda vez em três anos, da emissora Rádio Caracas Televisão (RCTV).


Perto da meia-noite, Chávez apareceu num programa da estatal Venezuelana de Televisão para desmentir as versões. ‘Que ninguém caia no jogo dos desestabilizadores’, advertiu Chávez.


‘Claro, não vamos subestimar as forças da oligarquia que são títeres do império (dos EUA). Temos de estar prontos para a batalha’, prosseguiu o presidente venezuelano. ‘Que nossos inimigos saibam que não há uma Honduras aqui. Se querem me derrubar, se dizem que estou acabado, eu os desafio, convoquem um referendo revogatório.’


Uma fonte próxima dos militares disse ao Estado que Chávez tem agido nos bastidores para manter a lealdade dos comandantes. Segundo a fonte, o presidente detectou e afastou, sem alarde, todos os oficiais que poderiam resistir ao seu ‘socialismo do século 21’. Chávez também tem investido pesadamente na compra de armamentos e na modernização das Forças Armadas, além de aumentar o soldo e acelerar a promoção de oficiais de grau médio.


Após dois dias de protestos maciços, as manifestações sofreram uma diminuição ontem. Mas a situação ainda era de tensão em Mérida.


Segundo políticos locais, os protestos no Estado não ocorreram apenas por causa da saída do ar da RCTV, mas, principalmente, em razão dos cortes de luz programados, que são parte do racionamento de energia promovido pelo governo. Segundo moradores da região, a falta de energia tem ido além das quatro horas a cada dois dias, prevista pelo rodízio.


VOLTA AO AR


Três dos seis canais de TV a cabo retirados da grade das operadoras de serviço no domingo apresentaram documentação à Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) e estão aptas a voltar ao ar, informaram ontem autoridades do organismo. São eles a TV Chile e os canais American Network e Ritmo Son. Eles foram considerados canais internacionais, desobrigados de transmitir redes nacionais, submeter sua programação à classificação etária e a tocar, toda meia-noite, o hino nacional.’


 


 


Depois de dominar TVs, chavistas avançam na internet e miram Twitter


‘Ocupar todos os espaços dos meios de comunicação e de todas as maneiras possíveis passou a ser a principal missão dos partidários de Hugo Chávez. Além do império de mídia mantido por eles – 34 emissoras de TV, centenas de estações de rádio, jornais de circulação regional e nacional e uma agência de notícias -, o plano agora é tomar as redes sociais da internet, como Twitter e Facebook.


‘Não podemos deixar que os ‘esquálidos’ tomem conta da internet’, disse no programa La Hojilla, da VTV, o apresentador Mario Silva.


FERRAMENTA


O La Hojilla é uma espécie de CQC chavista radical, que ridiculariza políticos e programas das redes privadas. ‘A internet não é deles, ela é nossa também. Não me venham dizer que ela é uma ferramenta capitalista, dos ianques.’


‘De certo modo, o governo já controla a internet, pois a CanTV, operadora de telefonia e principal provedora de banda larga do país, foi nacionalizada em 2007’, diz Nicola Cárdena, analista da Universidade Metropolitana. ‘O chamado de Mario Silva é coerente com a estratégia chavista de obter o monopólio da informação.’


O governo também intensificou o cerco contra as empresas de mídia particulares. Para isso, utiliza as normas da Lei de Responsabilidade Social de Rádio e Televisão – a Lei Resort, de 2004. A Globovisión, emissora de oposição, tem recebido constantes sanções. Em julho, ela noticiou, antes do anúncio oficial, um leve tremor de terra em Caracas. O governo viu na notícia uma tentativa de espalhar o terror e a multou em quase US$ 2 milhões.


Semanas antes, o presidente da emissora, Guillermo Zoluaga, foi indiciado por esconder carros de luxo para especular com os preços. Zoluaga é dono também de uma concessionária Toyota.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Âncora fora do Haiti


‘A neve tirou a jornalista Ana Paula Padrão da cobertura do terremoto no Haiti. Não, a ancora não tirou férias para esquiar. A Record vetou a ida da jornalista – conhecida por suas reportagens internacionais – ao país devastado por um terremoto, por causa da cobertura da Olimpíada de Inverno de Vancouver, que começa no dia 12 de fevereiro.


De malas prontas para embarcar no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que levou jornalistas ao Haiti, Ana Paula abriu mão de seu lugar a pedido da Record, que considerou, na época, que o melhor momento para a cobertura da tragédia já havia passado e que a prioridade, então, era o esqui alpino e a patinação artística. Outra equipe da rede foi enviada ao Haiti.


A viagem também coincidiria com as férias de seu colega de bancada no Jornal da Record, Celso Freitas, que está sendo substituído por Adriana Araújo. A Record alegou que Ana Paula Padrão não poderia ficar tanto tempo longe da bancada do JR, pois já estava escalada para a Olimpíada de Inverno, que terá quase 6 horas diárias de cobertura no canal. A rede está enviando uma equipe de 80 profissionais ao evento.


Aborrecente de plantão


Amalucada, Goretti (Regiane Alves) vai se mostrar uma mãe zelosa – por alguns instantes – em Tempos Modernos, da Globo. Na cena, ela conversa com a filha mais velha, Maria Eunice (Polliana Aleixo), que logo vai começar a dar trabalho.’


 


 


Entrelinhas


‘A Band já comprou a segunda temporada da série teen Isa TKM.


O presidente da TV portuguesa RTP, Guilherme Costa, visitará a TV Cultura amanhã. A emissora lusitana desenvolve em parceria com a Cultura o programa Lá e Cá.


O novo programa de Pedro Bial, que chegou até a ter pilotos gravados, não encontrou seu lugar ao sol na Globo este ano.


A MTV renovou por mais dois anos o contrato das gêmeas do nado sincronizado Bia e Branca.


Nem Joselito nem Massacration. Hermes e Renato, que zarparam para a Record, não poderão levar seus famosos personagens ao ar. Eles pertencem a MTV, que só liberará o uso mediante pagamento dos direitos.


A cobertura da Record da Olimpíada de Inverno de Vancouver – que será anunciada hoje à imprensa – terá um trabalho árduo pela frente: acompanhar a imensa delegação brasileira no evento, com cinco atletas.


A novela ainda não foi escolhida, mas a próxima trama da Televisa a ganhar versão na Record tem a promessa de entrar na faixa das 19 horas, ainda no primeiro semestre.


Murilo Benício iniciará em março o workshop para viver o costureiro Victor Valentin no remake de Tititi, próxima trama das 7 da Globo. As gravações começam em abril.’


 


 


POLÍTICA CULTURAL


Jotabê Medeiros


Lei Rouanet sai da gaveta e enfrenta Congresso


‘É uma mudança radical na filosofia de incentivo à cultura no País. A nova Lei Rouanet, cujo texto foi assinado anteontem pelo presidente Lula, prevê que o Fundo Nacional de Cultura (FNC) nunca poderá ter menos do que 40% do orçamento do MinC. Até hoje, o fundo (que permite o incentivo direto, sem que o produtor precise captar dinheiro no mercado) recebe valores irrisórios e aleatórios. A maior parte dos recursos chega via renúncia fiscal – empresas adiantam o dinheiro aos produtores culturais, e depois são reembolsadas na hora de declarar o seu Imposto de Renda (IR).


Foram criados 9 fundos setoriais – Artes Visuais, Artes Cênicas, Música, Acesso e Diversidade, Patrimônio e Memória, Ações Transversais e Equalização, Audiovisual, Inovação do Audiovisual (o que compreende curtas-metragens, médias-metragens e experimentalismo) e Livro, Leitura, Literatura e Humanidades (cuja divisão, para separar literatura do mercado, será definida em lei específica).


Desses 9 fundos, sete terão entre 10% a 30% do total dos recursos – o restante irá para o audiovisual, segundo o texto. Para decidir quais projetos serão incentivados, haverá CNICs setoriais, com representação paritária do governo e da sociedade civil. O Fundo Nacional de Cultura também poderá receber dinheiro de doações, legados e subvenções, e esse dinheiro não seguirá o critério de partilha acima. Não será permitido o incentivo a obras, produtos, eventos circunscritos a coleções particulares ou circuitos privados que tenham limitações de acesso.


A União deverá enviar 30% dos recursos do FNC para fundos públicos de Estados, municípios e do Distrito Federal (com a observância de serem destinados no mínimo 10% para cada região do País, como forma de promover a descentralização do investimento). Mas, para receber o dinheiro, Estados e municípios deverão constituir órgãos colegiados e observar as regras da lei.


A renúncia fiscal continua existindo, mas também mudou. Os contribuintes (pessoas físicas ou jurídicas tributadas com base no lucro real) poderão deduzir 40%, 60% e 80% do imposto de renda devido quando financiarem um projeto cultural (valor limitado a 6% do imposto devido, quando se tratar de pessoa física, ou 4% do imposto devido, quando se tratar de pessoa jurídica). Um sistema de pontuação definirá em qual faixa (40%, 60% ou 80%) o incentivador se encaixa.


O recebimento dos projetos culturais será feito mediante editais de seleção pública, e a lei estipula um prazo de 30 dias para que sejam avaliados – um desafio extra para o governo, já que atualmente os atrasos são constantes por falta de pessoal técnico qualificado. Para a análise dos projetos, o governo prevê na lei contratar especialistas ou instituições.


Os projetos culturais com potencial de retorno comercial (filmes como os da Xuxa e dos Trapalhões, por exemplo, enquadram-se nessa categoria) poderão ser financiados em um sistema de parceria, que poderá tomar até 20% da dotação anual do FNC. Para tanto, serão direcionados para os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficarts). O Banco Central do Brasil será o gestor dessa parceria, e os lucros obtidos voltarão para realimentar o FNC.


Os institutos e fundações (ligadas a bancos ou grandes empresas) estão enquadrados na faixa dos 40%, e todos têm de colocar pelo menos 20% do próprio bolso (antes, a renúncia era de 100%).


Projetos da administração pública só poderão captar até 10%, para evitar concorrência com os mercados. É o caso, por exemplo, dos museus paulistas, que agora terão de reformular seus orçamentos – a Pinacoteca do Estado pediu, para 2009, R$ 13 milhões, e obteve autorização para captar R$ 12 milhões. Entretanto, os fundos públicos dos Estados e municípios poderão redirecionar seus recursos para essas instituições.


‘Na medida em que existe um fundo que tem recursos que serão repassados aos governos, não faria sentido que o setor público captasse. Com um fundo novo, forte, que cumpre um papel importante, esta restrição nos parece natural’, disse Alfredo Manevy, ministro interino da Cultura, ao site do Grupo de Institutos e Fundações (Gife). Segundo estimativa do governo, inicialmente o fundo vai ter cerca de R$ 800 milhões, a renúncia será de R$ 1 bilhão e o orçamento, excluída a renúncia, de R$ 2,2 bilhões (o maior da História, conforme antecipou o Estado no dia 15).’


 


 


 


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