Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > PAN, RENAN, TAM

‘Com o brasileiro não há quem possa’

Por Jorge Saade em 07/08/2007 na edição 445

‘Com o brasileiro não há quem possa.’ Sim, somos os melhores em tudo: no esporte, na corrupção, nos acidentes, nos escândalos. A Psicologia Social explica o comportamento do brasileiro e sua reação diante dos acontecimentos. É fanático com os sucessos esportivos, tolerante com atos depravados de corrupção e dramático com acidentes. Ninguém mais do que a mídia – sempre a Globo e agora a Record no pé dela – para explorar estas características manipulando e maquiando notícias. Estas TVs, junto aos grandes jornais e revistas americanizados, FSP, OESP, Abril, com os partidos e organizações da elite, DEM, PL, FIESP, OAB, decidiram comandar a derrubada do presidente porque não foi ele quem ganhou o PAN, porque a culpa é dele no caso Renan, no caso do acidente da Tam e porque ele é ‘popular’ e de origem operária.

Nunca se viu tamanha demonstração de xenofobia coletiva e chauvinismo como a manifestada durante os jogos do PAN, devidamente orquestrada pelas TVs. Assistindo aos canais, parecia que não existiam outros países disputando a não ser o Brasil. Não presenciei nenhuma menção aos norte-americanos e cubanos, maiores ganhadores de medalhas de ouro. Tampouco aos outros países que competiam com algum resultado, Canadá, Colômbia, Argentina, Venezuela. O resto que se esforçava, por serem pequenos, não existia para a TV. Não vi nenhuma entrevista com qualquer recordista de outro país. Nenhum gesto de simpatia, solidariedade, pan-americanismo ou boa acolhida de país anfitrião. Só se ouvia a torcida aos urros enervando os atletas de outros países. E ainda querem que o Brasil, com toda esta arrogância e má educação dos torcedores, seja sede de outra Olimpíada ou Copa.

Senadores ‘vitalícios’

O caso Renan, em qualquer outro país do mundo, teria sido resolvido no primeiro dia com a renúncia ou afastamento. No Japão daria suicídio. No entanto, nada. Até hoje rende notícias, disse-que-disse, que os noticiários saturam à exaustão. Todo um Congresso parado discutindo o adultério do presidente do Senado. Nosso dinheiro sendo jogado no lixo cada dia que se parlamenta ou se formam comissões, perícias, investigações para analisar tal banalidade diante de um país tentando se levantar, necessitando de soluções rápidas para problemas verdadeiros.

O Senado brasileiro é vergonhoso pelos escândalos sucessivos e por sua composição desproporcional à representação do povo brasileiro. Os senadores provêem dos setores oligárquicos mais influentes no país. Quase todos possuem algum processo nas costas. Oito anos de mandato com direito a reeleição é demais, demais. Veja os mais antigos, entraram jovens, magros, de cabelos e bigodes negros. Envelhecem e engordam no Senado como vitalícios; vejam Simon e Suplicy, dos poucos que nada se comenta, enferrujados, sempre no mesmo discurso sem resultado.

Falso inocente

Deve-se imediatamente lançar campanha para que na reforma política se adote o ‘Sistema Legislativo Unicameral’. Elimina-se o Senado. Menos despesas, menos corrupção, menos complicação com jogatinas de interesse político. Decisões mais rápidas e ágeis.

O desastre da TAM, de comoção nacional, foi prato cheio para a grande mídia se apresentar dia e noite a martelar o sentimentalismo e a emoção do brasileiro explorando dores sinceras de forma vil. Intencionalmente, distorceram informações técnicas, adiantaram conclusões catastróficas. Foi o que pior se poderia ver em jornalismo investigativo, tornou-se questão de crime de mídia marrom sensacionalista. E até hoje rende, cada um diz uma coisa, cada um quer dar um furo. Obrigaram os homens públicos a precipitar soluções mal elaboradas e planejadas, como fez o presidente, forçado a dar satisfação como se fosse o único responsável pelo acidente da aviação civil comercial, anunciando a construção de novo aeroporto e outras medidas precipitadas.

Com o brasileiro, falso inocente, e a mídia brasileira a manipulá-lo, não há quem possa.

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Engenheiro, jornalista, Aracaju, SE

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