Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ARMAZéM LITERáRIO > KAJURU & JUSTIÇA

Consultor Jurídico

03/02/2004 na edição 262

‘Admitindo que o oficial de justiça possa ser impedido de fazer a citação do apresentador esportivo Jorge Kajuru, o juiz Francisco Eduardo Loureiro ordenou que – se houver resistência – a Polícia seja acionada. Se algum funcionário da TV Bandeirantes tentar impedir a citação, poderá ser processado criminalmente.

O juiz é titular da 2ª Vara Criminal de Pinheiros (SP), onde Kajuru responde processos criminais. O despacho de Loureiro foi publicado, na segunda-feira (26/1), no Diário Oficial do Estado.

Leia o despacho do juiz:

‘Tente-se a citação pessoal do querelado, e caso persista de ocultação, far-se-á a citação por edital, para que ofereça a defesa preliminar no prazo previsto em lei.

Deve constar do mandado a autorização para requisição de força policial, a fim de que o Oficial de Justiça possa ingressar nas dependências da Rede Bandeirantes de Televisão para promover a citação do querelado no início ou final de seu programa diário.

Eventuais prepostos da empregadora que se oponham a ordem judicial serão autuados pelo crime de desobediência.’’

 

MEMÓRIA / LEONOR BASSÈRES
O Globo

‘Leonor Bassères, novelista, 78’, copyright O Globo, 30/01/01

‘Leonor Bassères formava com o novelista Gilberto Braga uma das parcerias mais antigas e bem-sucedidas da TV brasileira. Atualmente, ela escrevia com ele a novela ‘Celebridade’, da Rede Globo. Juntos, os dois foram responsáveis por sucessos como as novelas ‘Vale tudo’ (1988), ‘O dono do mundo’ (1991), ‘Pátria minha’ (1994) e as minisséries ‘O primo Basílio’ (1988), ‘Anos rebeldes’ (1992) e ‘Labirinto’ (1988).

Leonor trabalhou em propaganda, foi professora de línguas, jornalista e crítica literária. Também escreveu 16 livros de aventuras para adolescentes. Sua verdadeira vocação só foi descoberta aos 50 anos. A convite de Gilberto Braga, estreou na TV como co-autora da novela ‘Brilhante’ (1981). Leonor e o escritor conheceram-se por intermédio de uma amiga comum, que os apresentou para que transformassem a novela ‘Água viva’ (1980), de Braga, em romance policial.

Apesar da diferença de idades, a escritora dizia que ela e Gilberto pensavam de forma muito parecida e que não havia competição entre eles. Leonor colaborou com Braga na novela ‘Louco amor’, exibida em 1983, na Globo. Também participou como roteirista de ‘Corpo a corpo’, do mesmo autor, no ano seguinte. Em 1990, assinou a co-autoria da novela ‘Mico Preto’ e, em 1998, de ‘Meu bem-querer’.

Leonor tinha câncer no pulmão. Seus filhos, Mauricio Bassères e Fernanda Zarvos, encontraram ontem no computador da autora um texto de 7 de agosto de 2003, intitulado ‘Como curtir uma morte bem curtida’, em que ela descreve de forma poética a própria morte. ‘Fazia um dia lindo na manhã em que eu morri’, diz um trecho. ‘Sempre pedi a Deus ou a essa autoridade que manda nos homens e na terra morrer dormindo. Achava lindo e confortável. Mas morte em manhã linda de verão também servia, já que o que estava ficando insuportável era a vida. Fechei os olhos e pensei ‘vamo nessa’ e fui.’

Leonor morreu de câncer ontem, aos 78 anos. Seu corpo foi sepultado à tarde no Cemitério São João Batista.’

 

HISTÓRIA EM REVISTA
Ricardo Bonalume Neto

‘Revistas tentam ‘popularizar’ a história’, copyright Folha de S. Paulo, 31/01/01

‘Existem várias revistas brasileiras de divulgação que procuram traduzir temas mais ou menos complexos ao público em geral: falam de ciência, de medicina e saúde, de aviação, tecnologia militar, de automóveis. Fazia anos que não havia nenhuma que tratasse de história.

De repente, surgem três revistas populares de divulgação de história: ‘Nossa História’, ‘Aventuras na História’ e ‘História Viva’. Concorrência faz bem, apesar dos perfis distintos.

‘Tudo é História’ era o nome de uma coleção de livrinhos da Editora Brasiliense. O título é perfeito, pois, de fato, tudo que existe tem sua óbvia origem em algo que aconteceu antes, seja a história mais tradicional dos governos e guerras e revoluções, seja aquela do cotidiano, da vida privada, da tecnologia.

O passado é uma espécie de supermercado no qual as pessoas -e as revistas- buscam nas gôndolas aquilo que lhes interessa. Ao comemorar efemérides, as autoridades procuram lembrar o que pega bem. Alemães não comemoram a tomada do poder por Adolf Hitler em 1933. Pela primeira vez, neste ano, um governante da Alemanha foi convidado a participar da festa dos 60 anos do Dia D, a invasão anglo-canadense-americana do norte da França que iniciou a expulsão dos alemães dali na Segunda Guerra.

A mais pop delas, ‘Aventuras na História’, com a grife da revista ‘Superinteressante’, é voltada para um público mais jovem. Um número dela traz um texto sobre samurais, algo na moda no momento por conta de um filme com Tom Cruise, e um texto sobre o Drácula histórico, ‘o príncipe medieval que inspirou as lendas de vampiros’.

Muitas ilustrações, infográficos e fotos servem para tornar a leitura mais ágil, algo que também foi copiado, mas mais discretamente, pelas outras duas revistas.

‘História Viva’ inclui traduções de uma clássica revista francesa, a ‘Historia’ (sem acento). Na França há mais de uma revista de divulgação de história. No Reino Unido há outra publicação antiga e importante, a ‘History Today’. Nos EUA, curiosamente, é mais comum ver revistas devotadas à história militar -como ‘Military History’ e ‘Military History Quarterly’-, talvez um reflexo do papel dessa república imperial no mundo de hoje.

‘Nossa História’, editada pela Biblioteca Nacional, se concentra em história brasileira, e há mais textos de historiadores do que de jornalistas, dois profissionais que lidam essencialmente com a mesma matéria-prima, embora com ‘timings’ bem diferentes.

Autores

Jornalistas têm escrito muitos best-sellers tratando de temas históricos. Dois nomes óbvios são Eduardo Bueno, autor de livros sobre a descoberta do país e os primórdios da colonização, e Elio Gaspari, colunista da Folha e autor de livros sobre o regime militar. Os dois comparecem com textos nessas revistas.

Bueno é chamado por muitos historiadores, invejosos de seu sucesso editorial, de ‘Paulo Coelho da história’. É gente que associa ‘divulgar’ com ‘tornar vulgar’.

Pois raros são os historiadores que sabem escrever textos atraentes para um público leigo, como reconhece um dos melhores deles, José Murilo de Carvalho, em texto no primeiro número de ‘Nossa História’. Carvalho elogia o botânico alemão Karl von Martius, que apresentou o estudo ‘Como se deve escrever a História do Brasil’, em 1843.

‘Preocupados legitimamente em distinguir seu trabalho do de outros profissionais, sobretudo de jornalistas, nossos historiadores acabaram desenvolvendo um estilo que se aproxima da linguagem empolada e tortuosa condenada por Martius’, escreveu Carvalho. ‘O campo foi tomado por jornalistas e outros profissionais, cujo êxito editorial mostra que existe grande interesse popular pela história’, continua ele.

Como mostra texto do historiador Ricardo Maranhão na revista rival, ‘História Viva’, existe quem aprendeu a lição de Martius. Maranhão mostra que a chamada ‘cozinha mineira’, na verdade, é oriunda de São Paulo. Sem dúvida, um texto de apelo popular, mas com rigor histórico. HISTÓRIA VIVA. Editora: Duetto (R$ 8,90). NOSSA HISTÓRIA. Editora: Biblioteca Nacional (R$ 6,80). AVENTURAS NA HISTÓRIA. Editora: Abril (R$ 7,95).’

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