Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ARMAZéM LITERáRIO >

Críticas e sugestões parecem encomendadas

Por Alberto Dines em 23/12/2008 na edição 517

‘A gente se perde em tantos escândalos…’


‘E depois as denúncias desaparecem, você nem fica sabendo no que deu.’


Essas são as opiniões de dois leitores (uma mulher e um homem) da Folha de S. Paulo publicadas no domingo (21/12, pág. A-6) com o balanço dos seis encontros realizados em 2008. Participaram 60 assinantes em São Paulo (quatro encontros), Rio e Brasília (um cada) entre março e novembro [ver ‘Círculo de leitores apresenta críticas e sugestões à Folha‘ (para assinantes)].


Além das opiniões no quesito ‘política’, os editores da matéria selecionaram as seguintes observações:


** O jornal deve exercer uma ‘espécie de vigilância’ sobre os poderes públicos com denúncias de corrupção, cobranças de promessas de candidatos e fiscalização nos grandes centros.


** Mas também deve ajudar o leitor a desempenhar melhor suas tarefas diárias (roteiros culturais completos, dicas de compras, reportagens de saúde, etc).


** O jornal deve ajudar os leitores a fazer as melhores escolhas – do restaurante ideal para ir com a namorada às aplicações mais seguras em meio à crise financeira.


** O jornal fala de ruas esburacadas mas esquece de colocar o telefone da prefeitura para reclamações.


** Não basta registrar, é preciso explicar, contextualizar. Não adiantam manchetes ‘dólar sobe’ e ‘dólar desce’, por que isso a gente já sabe pela TV.


** Os leitores criticam ‘propagandas’ em excesso, falta de espaço para a publicação de mais cartas, erros de português.


Desnível evidente


Comparado com os concorrentes, o jornal é elogiado por ser apartidário, crítico, de leitura fácil e visual agradável. Um jornal perfeito descrito com respostas banais em matéria banalíssima. Publicada ao lado da coluna do Ouvidor soa como um release trivial do Departamento de Marketing.


É natural que o leitor do Rio ou de Brasília reclame mais ‘serviços’ do jornal (editado em São Paulo) que lhe chega às mãos, mas os assinantes paulistanos não têm de que queixar-se tantas são as colunas, seções e cadernos relacionados com gastronomia e enologia (fenômeno comum em toda a mídia brasileira).


A matéria passa a impressão de que as respostas foram selecionadas para dar suporte às opções marqueteiras. Se 60 leitores da Folha reuniram-se em seis ocasiões para discutir o jornal sem constrangimentos e, pelo menos, ao longo de 60 minutos, o resultado não poderia ser tão irrelevante, burocrático. Nem tão frívolo. Contrasta vivamente com a maioria das cartas dos leitores publicadas diariamente no jornal, muito mais consistentes e afirmativas.


Fica evidente um desnível entre o teor do que os leitores escrevem nas cartas ao jornal e o que disseram numa conversa teoricamente franca. Esse desnível numa matéria originária do Departamento Comercial sugere automaticamente duas hipóteses: embromação e/ou manipulação.


Nos dois casos não fazem justiça à acuidade do leitorado da Folha de S. Paulo.

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