Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ARMAZéM LITERáRIO >

Da crítica de cultura ao comentário político

28/07/2009 na edição 548

[do release da editora]

Não há nada de tão natural na redação desses 25 ensaios, escritos ao longo de quase 25 anos de carreira de Otavio Frias Filho e que a Publifolha reúne em Seleção Natural: Ensaios de cultura e política. A começar pela natureza híbrida do autor: diretor de Redação da Folha de S.Paulo desde 1984, mantém uma produção intelectual regular e variada, que vai da crítica de cultura ao comentário político, com a mesma aparente facilidade.

A continuar pela natureza dos textos, redigidos com um sóbrio virtuosismo que já se tornou marca reconhecida, para não dizer renomada, entre os autores da geração que chega hoje à casa dos 50 anos.

Por outro lado, nada mais natural do que fazer uma seleção – a essa altura, beneficiada pela visão retrospectiva, capaz de escolher, nos textos do passado, aqueles que definiam um momento e ainda falam ao presente. Em outras palavras: sobreviveram os mais fortes.

O resultado forma um conjunto surpreendente de artigos, que começa no cinema (de Abel Gance a Francis Ford Coppola, de Ed Wood a Oliver Stone), passa pela literatura (Monteiro Lobato, Dostoiévski, Ilíada e Hamlet, entre outros), pelo teatro – paixão particular dele, que é também um provado dramaturgo – e pelo jornalismo (das ideias de John Milton contra a censura prévia a uma reconstituição do caso Watergate), em contraponto com discussões políticas (da ‘História Sentimental do Tucanato’ ao legado de Tocqueville) e um meticuloso ensaio final sobre ‘A Descendência de Darwin’ e seu desafio às ciências humanas da atualidade. Que as áreas se cruzem na grande maioria dos textos é mais que natural.

Geração que se questiona a si mesma

‘Se tivéssemos de apontar um único fenômeno, um tema básico, que seja capaz de mobilizar os interesses de Otavio Frias Filho’, escreve Marcelo Coelho no posfácio, ‘não erraríamos ao dizer que é a possibilidade, por ele várias vezes entrevista, de uma `compressão máxima´, de uma colisão mesmo, entre `o dia de ontem e o dia de amanhã´.’

A observação se colore dos mais diversos matizes, na sequência de temas abordados por este ensaísta a um tempo cético e engajado, que não guarda ilusões sobre o dia de amanhã, nem lamenta especialmente o de ontem, sem deixar de apontar o quanto poderia ser diferente num e noutro caso.

Reunidos desse modo, os textos sugerem ainda uma dimensão que talvez não fosse fácil de perceber. Trata-se, afinal, de um panorama dos interesses e do pensamento de uma geração, que viveu de perto os mais importantes acontecimentos políticos e culturais das últimas três décadas e que agora se vale dessa experiência para questionar a si mesma, no pulso do presente.

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