Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ARMAZéM LITERáRIO >

Depoimentos sobre os mistérios da criação

Por Gabriel Perissé em 22/04/2008 na edição 482

Este é o terceiro volume da coleção ‘Mistérios da criação literária’. Nos dois primeiros, o mesmo organizador, José Domingos Brito, recolheu depoimentos e reflexões a respeito do ‘por que escrever?’ e do ‘como escrever?’. Nos quarto e quinto volumes, os temas são ‘Literatura e cinema’ e ‘Literatura e política’.

Literatura e jornalismo se encontram e desencontram na vida de muitos trabalhadores da palavra. O que vem primeiro, o jornalista que escreve literariamente ou o escritor que busca no jornal um meio de vida?

Quando Zuenir Ventura falou recentemente no Roda Viva, lia-se no GC que o entrevistado é ‘escritor e jornalista’. Por que não jornalista e escritor? No depoimento colhido por José Brito para essa coletânea, o próprio Zuenir elogia a ascese jornalística do seu tempo, que lhe ensinou a ‘economizar a palavra’. O escritor nasceu do jornalista, e agora é mais conhecido como escritor.

Os limites são nítidos ou difusos, dependendo da experiência de cada um.

Paixão pela palavra

Paulo Mendes Campos procurou o jornalismo porque gostava de escrever e, sendo jornalista, fez-se cronista e poeta. José Castello afirma que jornalismo jamais será literatura, embora aquele possa aproximar-se do reino da imaginação guiado pelas mãos dos melhores profissionais. Heloisa Seixas diz que o jornalista ‘pode ter momentos de escritor’, momentos fugazes, lampejos.

Para Ronaldo Bressane, o jornalista se afasta do escritor, porque este só tem compromisso com o texto, só deve ser fiel a si mesmo e o jornalista precisa preocupar-se em informar o leitor antes de tudo. Já Luciano Trigo encara o exercício jornalístico como benéfico para o aspirante a escritor, na medida em que dessacraliza a palavra, tira-lhe, talvez, a pureza e o isolamento… tentações de uma certa literatura.

Se Carlos Heitor Cony separa tarefa jornalística, mais engajada, de atividade literária, mais contemplativa, Mario Vargas Llosa atribui ao que aprendeu como jornalista boa parte do seu fazer literário. Luiz Ruffato não acredita que o jornalismo acrescente coisa alguma ao exercício literário, Marcelo Maroldi vê o jornalismo como algo burocrático, em contraste com a literatura… e aí lemos Arthur Dapieve, para quem nas redações se aprende a escrever.

Um dos méritos dessa publicação de Brito, pesquisador incansável, é justamente o de unir visões diferentes num mesmo tom de paixão pela palavra.

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Doutor em Educação pela USP e escritor

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