Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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Divergências sobre modelo de negócios

Por Fernando Paiva em 23/02/2009 na edição 526

O casamento entre internet e telefonia celular mal começou e já é abalado por brigas em público. Um painel dedicado à internet móvel no Mobile World Congress, em Barcelona, na quarta-feira (18/2), reuniu representantes de três gigantes desses dois mundos: Google, Skype e a operadora australiana Telstra, dona da rede celular mais rápida do planeta atualmente (21 Mbps).

O tema que mais gerou polêmica foi a cobrança pelo tráfego de dados. O vice-presidente de engenharia do Google, Vic Gundotra, expôs gráficos de tráfego de dados móveis comparando uma operadora que adota tarifa plana e outra que cobra por Mb trafegado. Obviamente, a primeira registra um tráfego muito maior. Gundotra argumentou que a tarifa plana é um dos fatores imprescindíveis para o crescimento da internet móvel. A Telstra, que adotou um modelo de cobrança por tráfego, pensa diferente. ‘Tráfego de dados consome muita infra-estrutura. Para dar conta disso, não podemos oferecer o acesso de graça ou ilimitado. Tarifa plana pode sobrecarregar a rede’, contra-argumentou o presidente da operadora australiana, Solomon Trujillo.

Mais eficiência, menos tráfego

O representante do Google tentou contemporizar: ‘Não precisa necessariamente ser tarifa plana ou tarifa baixa. Mas precisa pelo menos ter uma cobrança compreensível pelo usuário. A maioria dos consumidores não sabe o que é 1 Mb. Muito menos quanto cada aplicativo consome de tráfego de dados.’

O diretor-presidente do Skype, Josh Silverman, sugeriu que houvesse algum tipo de medidor de consumo, idéia rebatida pelo presidente da Telstra com uma analogia: ‘Quando dirigimos um carro, não sabemos quantos litros de gasolina serão consumidos para ir até determinado lugar. Mas conforme ganhamos experiência, aprendemos mais ou menos a ter uma idéia se o que temos no tanque dará para chegar a determinado lugar.’ E concluiu com uma alfinetada: ‘Os aplicativos móveis precisam ser cada vez mais eficientes para consumir menos tráfego.’

Browser e Latitude

Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento da internet móvel, segundo Gundotra, do Google, é a adoção de browsers mais modernos nos celulares. Ele recomenda especialmente aqueles desenvolvidos em HTML5, que permitem armazenar aplicativos web na memória do celular, tornando possível acessá-los mesmo quando se está sem cobertura. Os browsers do iPhone, dos celulares com Android e de um novo modelo da Palm já usam essa linguagem.

O representante do Google arrancou aplausos espontâneos da platéia ao demonstrar em um iPhone uma nova aplicação de busca por voz. O aplicativo é acessado com o simples movimento de se levantar o iPhone e levá-lo à orelha. Uma vez pronunciada a palavra para busca, o sistema de reconhecimento de fala transforma aquilo em texto e realiza a pesquisa em segundos. Além disso, a aplicação automaticamente usa a informação da localização do usuário. Se ele procurar por ‘previsão do tempo’, a pesquisa informa as condições meteorológicas para a cidade onde ele está. ‘Os novos aplicativos móveis precisam aproveitar ao máximo as habilidades dos novos telefones. Os celulares têm olhos, ouvidos, tato e sabem onde nós estamos’, disse Gundotra.

Ele aproveitou para informar que após apenas uma semana de seu lançamento, o ‘Latitude’, serviço de localização pelo celular do Google, já tem mais de 1 milhão de usuários registrados.

Skype phone

Como se não bastasse a pressão do Google por tarifas planas e abertura de redes, as operadoras celulares precisam lidar com o uso do Skype em telefones móveis. A empresa já oferece versões do Skype em Java, Android e Windows Mobile. E agora alguns fabricantes estão embarcando a aplicação nos handsets: foi anunciado durante a feira que os novos modelos da NSeries da Nokia virão com Skype, a começar pelo N97.

O diretor-presidente da Skype, contudo, acha que é possível conviver em paz com as operadoras. Ele discorda que seu aplicativo canibalize o tráfego de voz das teles e usa como exemplo o ‘Skype phone’, aparelho lançado com exclusividade pela operadora inglesa 3 e que vem com um botão para acesso direto ao software de comunicação por VoIP. ‘O ARPU dos assinantes com esse telefone na 3 é 20% acima da média da operadora. E 79% deles são novos assinantes, que foram para 3 por causa desse telefone’, informou.

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Jornalista

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