Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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E a ciência chegou aos jornais

Por Thiago Romero em 27/03/2006 na edição 374

Um período importante para a divulgação científica brasileira ganha a cena graças a um novo livro. Domingo é dia de ciência: história de um suplemento dos anos de pós-guerra, do jornalista Bernardo Esteves, traz a história do suplemento Ciência para todos, um dos primeiros cadernos de ciência na imprensa brasileira, publicado de 1948 a 1953 no jornal carioca A Manhã.


A obra mostra a trajetória do suplemento com base nas transformações da ciência brasileira ocorridas nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O título do livro foi escolhido porque Ciência para todos circulava no último domingo de cada mês.


Dos 60 suplementos publicados durante seus cinco anos de existência, o autor teve acesso a 58 edições, que em geral abordam temas com destaque para biologia, medicina, física e astronomia.


‘Um dos pontos curiosos é que no período de circulação do suplemento começou a surgir a prática da pesquisa científica nas universidades brasileiras, que até então eram apenas grandes centros de formação e ensino’, disse Esteves à Agência Fapesp.


Outro dado importante é que, com o fim do Estado Novo, em 1945, a comunidade científica teve mais espaço de mobilização para reivindicar seus direitos. ‘A ditadura não elegeu a ciência como prioridade e, ao final desse longo período de oito anos, os cientistas começaram a defender suas causas e lutar por melhores condições de trabalho, por aumento de salários e por maior financiamento para os estudos’, afirmou Esteves.


‘Um certo deslumbramento’


Segundo o autor, o cenário foi extremamente favorável para que a divulgação passasse a ser vista pelos cientistas como uma estratégia importante para conseguir o reconhecimento do trabalho. ‘Levar a ciência ao grande público era um meio de conquistar o apoio e o respeito da sociedade’, disse.


Esteves destaca ainda uma nítida evolução com relação à abordagem dos textos jornalísticos. ‘Naquela época havia um certo deslumbramento com relação às descobertas científicas. A ciência era vista como motor dos progressos industriais e chave para a solução de todos os problemas da humanidade. Hoje, a sociedade tem uma postura muito mais crítica sobre as descobertas’, explicou.


O autor apresentou dissertação de mestrado sobre o assunto em 2005 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O livro, publicado em parceria entre a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti) e a Azougue Editorial, foi lançado na 19ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu de 9 a 19 de março, na capital paulista.

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Repórter da Agência Fapesp

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