Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ARMAZéM LITERáRIO > LIVROS ELETRÔNICOS

E-books ganham do papel

Por Claire Cain Miller em 27/07/2010 na edição 600

A semana que passou foi histórica para o universo dos livros – se é que eles existirão no futuro. A Amazon.com, uma das maiores vendedoras de livros dos EUA, anunciou que, nos últimos três meses, as vendas de livros para o seu leitor eletrônico Kindle, ultrapassaram as de livros de capa dura.

Neste período, a Amazon afirma ter vendido 143 livros Kindle para cada 100 de capa dura, inclusive aqueles que não foram editados para o Kindle. O ritmo da mudança também está acelerando, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas, as vendas subiram: 180 livros de formato digital para cada 100 de capa dura. A Amazon tem 630 mil livros Kindle, uma pequena fração dos milhões vendidos no site.

Os amantes dos livros, que lamentam o fim dos de capa dura com seu peso e seu cheiro de antigo, precisam encarar a realidade, observou Mike Shatzkin, fundador e diretor executivo da Idea Logical Company, que assessoras as editoras de livros na mudança para a versão digital.

‘Este dia era esperado, um dia que tinha de vir’, acrescentou. Ele prevê que numa década, menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas. A mudança na Amazon é ‘espantosa, considerando que vendíamos livros comuns há 15 anos, e os livros Kindle há 33 meses’, afirmou o diretor executivo, Jeffrey P. Bezos

No entanto, o livro impresso não está absolutamente em extinção. As vendas de todo o setor subiram 22% este ano, segundo a Associação Americana de Editoras.

Preços em queda

Os números não incluem os livros Kindle gratuitos, 1,8 milhão dos quais foi publicado originalmente antes de 1923 (de domínio público, porque os direitos expiraram). A Amazon não apresenta uma comparação entre as vendas de livros de papel e eletrônicos, mas acredita-se que as vendas dos livros de papel ainda superam as dos eletrônicos.

A grande surpresa, segundo Shatzkin, foi que o dia chegou durante o primeiro período em que o Kindle enfrentava uma grave ameaça competitiva. O iPad da Apple, que começou a ser comercializado em abril, é vendido como um aparelho para leitura, e tem sua própria loja de livros digitais. Entretanto, as vendas do Kindle também cresceram em todos os meses do trimestre, segundo a Amazon.

A Amazon recebeu a ajuda de uma explosão de vendas de livros digitais em geral. Segundo a Associação Americana de Editoras, as vendas de livros eletrônicos quadruplicaram este ano até o final de maio.

A Amazon informou que suas vendas superaram esta taxa de crescimento. Um dos motivos pelos quais as vendas do Kindle se sustentaram é que os proprietários de iPads e de outros aparelhos móveis de leitura compram livros Kindle, que podem ler no computador, em iFones, iPads, e telefones BlackBerry e Android. Mas, com exceção dos livros gratuitos isentos de direitos autorais, os proprietários do Kindle precisam comprar ou baixar conteúdo via Amazon. ‘Toda vez que eles vendem um Kindle, ganham um cliente’, disse Shatzkin.

Alguns analistas do setor afirmam que muitas pessoas não consideram o iPad um dispositivo para leitura como o Kindle, e acham imprescindível ter os dois. Os últimos números relativos às vendas da Amazon são ‘uma clara indicação de que o iPad é um complemento do Kindle, e não um substituto’, disse Youssef H. Squali, diretor-gerente da Jefferies & Company do setor de pesquisa da Internet e de novas mídias.

A taxa de crescimento das vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon baixou o preço do aparelho no final de junho, de US$ 259 para US$ 189, informou a Amazon. Isto aconteceu pouco antes de a Barnes & Noble baixar o preço de seu leitor eletrônico Nook de US$ 259 para US$ 199.

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Do New York Times

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