Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Google 2.0 quer sair da sombra

Por Richard Waters em 07/02/2012 na edição 680

O momento dificilmente poderia ser mais propício para que o Google decidisse mudar.

Com a oferta pública inicial do Facebook, as atenções estão concentradas no mais novo queridinho da internet. O Google, por isso, vê-se na sombra pela primeira vez em muito tempo, ainda que seu faturamento e lucro sejam muito superiores aos do rival de redes sociais.

E isso torna o momento perfeito para que o Google conduza em ritmo forte a reforma que vem alterando a natureza de seus negócios.

No passado, o Google tinha uma única missão: transferir seus usuários o mais rápido possível a outros sites. Isso mudou. O novo Google prefere que você fique por lá durante algum tempo e quer descobrir novas maneiras de ganhar dinheiro com essas estadias. Ainda é difícil determinar que espécie de empresa virá dessa transformação.

Mas o fato de que o Google 2.0 está tomando forma rapidamente ficou claro com as notícias que surgiram em janeiro.

A primeira envolvia a integração entre o sistema de buscas do Google e a rede social Google+.

Revolução do FB

Submeter todo o seu conteúdo de rede social aos seus filtros de busca é a maneira perfeita de chamar a atenção dos usuários para o Google+. Se somarmos a isso a plataforma móvel Google Android, surge a possibilidade de tirar uma foto com o celular, realizar uma busca em seu computador usando o Google e ver a imagem que você acaba de registrar surgindo entre os resultados -e tudo isso sem que você precise tomar qualquer providência ativa.

No entanto, o Google não quer apenas usar conteúdo pessoal desse tipo para conduzir tráfego à sua rede; também quer usar seu serviço de busca para promoção escancarada de páginas de celebridades e certas companhias no Google+.

A segunda parte do golpe combinado foi a notícia de que as normas de privacidade do Google seriam radicalmente alteradas. Isso marca formalmente o fim de um longo período de proliferação descoordenada de serviços e o surgimento de um novo Google, integrado.

A mudança dotará o Google de uma base poderosa de informações sobre seus usuários, para vender aos anunciantes. Pela primeira vez, desde que o usuário opte por aderir, as escolhas que ele faz quanto a vídeos para ver no YouTube influenciarão a publicidade que lhe é exibida ao usar o serviço de busca.

No passado, iniciativas como essa teriam parecido quase predatórias. Porém, diante do pano de fundo da oferta de ações do Facebook, elas parecem defensivas. O Facebook, afinal, conta com o mais poderoso banco de dados integrado de informações pessoais, entre as empresas de web -e está disposto a fornecê-las aos anunciantes.

As preocupações antitruste quanto ao uso do domínio que o Google exerce sobre as buscas como forma de favorecer os demais serviços da empresa também vêm sendo atenuadas, em alguma medida, pela revolução que o Facebook proporciona no comportamento on-line.

Se o Google quiser se manter relevante para seus usuários, precisará evoluir.

Lema inspirador

É difícil avaliar que espécie de companhia o novo Google será, ainda que existam ecos claros de alguns de seus rivais. Há um traço de Microsoft, por exemplo, na tentativa de unir serviços diferentes, que ecoa a “inovação integrada” defendida por Bill Gates em seus anos finais à frente da empresa.

A evolução do Google também o aproxima da Apple, dada a nova ênfase em combinar design elegante e facilidade de uso, para experiências on-line que de outra forma poderiam se provar complexas.

Outra prioridade para o Google é imitar aspectos do sucesso do Facebook. E novas transformações podem surgir: a aquisição da Motorola Mobility conduzirá a companhia ao mundo do hardware, o que permitirá que ela desenvolva experiências ainda mais integradas de uso.

O caminho declarado pelo Google ao apresentar a documentação para sua oferta inicial de ações, há oito anos – “organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e utilizável” –, serviu como lema inspirador a toda uma geração de executivos e funcionários. Mas a declaração de propósitos que resume a nova orientação da empresa ainda não foi escrita.

***

[Richard Waters é editor no Financial Times, jornal em que este texto foi publicado originalmente]

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