Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Internet e o comércio da distração

Por Elisangela Roxo em 21/02/2012 na edição 682

O jornalista americano Nicholas Carr acredita que a internet não estimula a inteligência de ninguém. Ele fez um apanhado teórico sobre a superficialidade que a web provoca no livro A Geração Superficial – O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros, lançado agora no Brasil pela Agir.

Na obra, o autor explica descobertas científicas sobre o funcionamento do cérebro humano e teoriza sobre a influência da internet sobre nossa forma de pensar. Graças a este livro, Carr se tornou referência quando o assunto é oposição aos avanços e às possibilidades criadas pela internet. Para ele, a rede torna o raciocínio de quem navega mais raso, além de fragmentar a atenção de seus usuários.

Mais: Carr afirma que há empresas obtendo lucro com a recente fragilidade da nossa atenção. “Quanto mais tempo passamos online e quanto mais rápido passamos de uma informação para a outra, mais dinheiro empresas de internet, como Google e Facebook, fazem”, avalia. “Essas empresas estão no comércio da distração e são experts em nos manter cada vez mais famintos por informação fragmentada em partes pequenas. É claro que elas têm interesse em nos estimular e tirar vantagem da nossa compulsão por tecnologia.”

A crítica de Carr começou com o artigo “O Google Está nos Deixando Mais Burros?”, publicado em 2008 na revista The Atlantic Review. A repercussão foi tamanha que a história virou livro.

Fronteiras

No ano passado, a obra figurou entre as mais vendidas nos EUA e foi finalista da categoria de não ficção do Prêmio Pulitzer, o “Oscar literário”. O livro foi traduzido para mais de 20 línguas.

Segundo Carr, a internet, com seu alcance ilimitado, pode ser uma ameaça às fronteiras culturais.

“Nosso uso de tecnologia é influenciado por normas sociais e culturais. Mas, a longo prazo, a tecnologia tende a homogeneizar tudo. Ela já começa a apagar as diferenças culturais e estimula um uso padrão em todo o lugar”, ressalta Carr.

“Acho que, ultimamente, a internet é usada de forma igual, com efeitos semelhantes, independentemente do lugar e da cultura.”

Offline

Para tentar recuperar o raciocínio perdido, o próprio jornalista resolveu se desconectar um pouco. Fechou suas contas no Facebook e no Twitter e mantém apenas a atualização de um blog pessoal. Carr afirma não ter interesse em voltar para nenhuma das duas redes sociais. Ele as considera fontes de “limitação do pensamento”.

Apesar disso, o autor aderiu recentemente à nova rede social do Google, o Google+, que diz ter achado “muita chata”.

“Entrei porque escrevo sobre tecnologia e quero entender esse serviço. Apesar de não ser tão banal quanto o Facebook, espero poder encerrar logo minha conta.”

 

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Muitas hipóteses e uma visão apocalíptica – Carlos Eduardo Lins da Silva

***

[Elisangela Roxo, da Folha de S.Paulo]

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