Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ARMAZéM LITERáRIO > HQ, 60 ANOS DEPOIS

Quadros de uma exposição

24/04/2012 na edição 691
A Reinvenção dos Quadrinhos, de Álvaro de Moya, 96 pp., Editora Criativo, São Paulo, 2012; R$ 39,00

[do release da editora]

Acaba de chegar ao mercado o livro A Reinvenção dos Quadrinhos, do jornalista, escritor, produtor, ilustrador e diretor de cinema e televisão Álvaro de Moya, lançado pela Criativo Editora. O livro tem 96 páginas, lombada quadrada, formato: 21 x 23 cm e traz na apresentação, declarações de Jerry Robinson, do Cartoonists & Writers Syndicate, e do mestre dos quadrinhos Will Eisner, além de biografias compendiadas dos organizadores e dos artistas que tiveram seus trabalhos expostos; a repercussão da exposição na mídia impressa, reproduções das artes originais de Hogarth, H. Foster, A. Raymond e outros, além de documentos, cartas, cartazes, fotos, depoimentos, história e muitas informações acerca da 1ª Exposição Mundial de Quadrinhos e sua representação numa época em que os quadrinhos ainda eram marginalizados e perseguidos.

Considerado por muitos como o maior especialista de histórias em quadrinhos do país – militando na área desde o final dos anos 40, Álvaro de Moya trabalhou como desenhista de HQs e como ilustrador de livros para inúmeras editoras, também tem uma rica história de atuação em outros segmentos, como jornalista, como homem de TV, escritor de livros e realizador de mostras, exposições e outros eventos culturais.

Farta memorabilia

Foi graças a sua perspicácia, intuição e empenho que, em 1951, no dia 18 de junho, foi inaugurada uma exposição de quadrinhos no Centro Cultura e Progresso, um clube da juventude judaica localizado no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Ali, pela primeira vez os quadrinhos foram apresentados ao público como Arte, justamente na época em que eles começavam a sofrer a maior repressão, uma oposição feroz que envolveu pais, educadores, psicólogos e autoridades de vários níveis e matizes; até o clero (!) foi cooptado na guerra contra os gibis – “foi a Idade Média para a arte das revistas em quadrinhos”, resume o mestre Will Eisner na apresentação do livro. Moya e seus companheiros na empreitada, Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado, teriam de esperar chegar o reconhecimento de seu pioneirismo quase duas décadas depois.

A Reinvenção dos Quadrinhosé uma compilação de memórias de Álvaro de Moyaque remontam àquela exposição e ao ambiente cultural da capital paulista, com suas livrarias, cinemas e pontos de encontro. Há também o depoimento de personalidades que participaram da exposição, auxiliando na sua realização ou como simples visitantes, dando as suas impressões. Tudo com reprodução de farta memorabilia: fotos, cartas, cartazes, documentos, as artes dos mestres que foram expostas naquela exposição e toda a repercussão na mídia na forma de recortes de revistas e jornais. Em resumo, é um livro-documento de um marco da arte e das histórias em quadrinhos.

Sobre o autor

O paulistano Álvaro de Moya nasceu no ano de 1930. Interessado em quadrinhos desde a primeira infância, atuou no mercado editorial a partir da adolescência, fazendo depois charges e ilustrações para o jornal O Tempo, além de ilustrar centenas de publicações infantis e de produzir storyboards para a TV Tupi, em seus anos inaugurais. Foi desenhista das revistas de Walt Disney (Editora Abril) em 1952. No final da década de 1960, tornou-se professor da Escola de Comunicação e Arte da USP. Como jornalista, colaborou frequentemente no Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo. Como homem de televisão, Moya trabalhou na antiga TV Paulista (canal 5), e depois de fazer um estágio em 1958, na CBS-TV, EUA, dirigiu a TV Excelsior, nos anos 1960 e inaugurou a TV Bandeirantes, em 1967, como diretor.

Sem jamais perder contato com os quadrinhos, Moya chefiou a delegação brasileira nos congressos de Lucca, na Itália, e participou de congressos de HQs em Nova York, Buenos Aires e Paris. É autor de livros sobre quadrinhos e ilustração, como Shazam!, editado em 1970, o melhor do gênero no país. Também é autor de Gloria In Excelsior, para a Coleção Aplauso (2004, Imprensa Oficial), que conta a trajetória da TV Excelsior, o maior sucesso da TV brasileira.

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