Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Com dólar em alta, deve crescer a produção local

Por Felipe Machado em 08/05/2012 na edição 693

A alta do dólar deve fazer com que mais livros religiosos passem a ser impressos no Brasil em vez de no exterior. A avaliação é do presidente da Associação dos Editores Cristãos (Asec), Sérgio Henrique de Lima. “O mercado está atento [à alta da moeda americana]”, diz. A importação de livros é isenta de impostos no Brasil. O executivo calcula que o preço de se produzir uma bíblia nos Estados Unidos, por exemplo, seja cerca de 30% menor do cobrado por aqui. Lima é também presidente da editora Vida, uma das maiores do setor, com produção anual de cerca de 1,5 milhão de exemplares. Ele conta que em 2003, por causa da forte desvalorização do real, a Vida parou de importar. Ontem (3/5), o dólar comercial atingiu o patamar de R$ 1,91.

Segundo o secretário regional da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Humberto Marchi, com a cotação em até R$ 1,80 por dólar compensava encomendar a produção em outros países. No patamar de R$ 1,90, segundo o presidente da editora Vida, ainda se importa, mas a margem da operação está ficando mais estreita. O mercado publicação religiosa está aquecido. Em 2010, o número de exemplares produzidos cresceu 39,2% em relação ao ano anterior, alta superior aos demais segmentos, chegando a 84,5 milhões de exemplares. O faturamento no período foi de R$ 494,3 milhões, 14,7% do total do mercado, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel).

O coordenador executivo da Asec, Sinval Filho, diz que esse número está subdimensionado porque a pesquisa teria consultado poucas editoras cristãs. A associação, que tem mais de 80 associados dentre as cerca de 120 empresas que editam livros religioso no país, planeja fazer um levantamento próprio. Para este ano, a expectativa da entidade é que o setor religioso fature R$ 548 milhões.

A produção própria

A SBB, uma organização filantrópica, tem uma gráfica própria em Barueri (SP), mas terceiriza cerca de 20% da sua produção, dependendo da demanda. A SBB imprime parte de suas bíblias nos Estados Unidos. O material religioso para o público infantil, em papel couché, na China. Insumos usados pela SBB para sua produção local, como papel-bíblia e a cola, são importados. A maior qualidade do material comprado no exterior, segundo Marchi, é um atrativo.

A SBB produziu 242,3 milhões de impressos no ano passado, sendo 6,7 milhões bíblias. A receita operacional total da organização filantrópica foi de R$ 99,9 milhões em 2011. O superávit foi de R$ 4.7 milhões. Reduzir a quantidade de impressão própria e aumentar a terceirização é a meta da Convenção Batista Brasileira (CBB) para reduzir custos. A instituição, que representa a igreja evangélica de mesmo nome, trabalha com duas marcas atualmente, a Juerp e a Convicção.

A produção própria da centenária Juerp, que faz a bíblia em português no Brasil desde 1942, vai dar lugar aos títulos produzidos por terceiros da Convicção. “O nosso negócio não é ser uma empresa gráfica”, diz o diretor-geral da CBB, Sócrates de Souza. A instituição distribui cerca de 1,12 milhão de exemplares por ano.

***

[Felipe Machado, do Valor Econômico]

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