Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ARMAZéM LITERáRIO >

Em Floripa, com Cruz e Sousa

Por Deonisio da Silva em 30/06/2009 na edição 544

Depois de quatro meses de encontros, intensas leituras, troca de mensagens e de telefonemas, aqui estamos para a decisão do Prêmio Cruz e Sousa 2009, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura.

Somos três na comissão julgadora. Um é o professor e editor Carlos Jorge Appel, catarinense de Brusque, radicado no Rio Grande do Sul há muitas décadas, assistente da cadeira de Literatura Brasileira do professor Guilhermino César ainda na década de 1960, quando foi cassado pelo golpe de 1964. O professor Guilhermino estava na Europa nesta época, lecionando na Universidade de Coimbra. Appel, como é mais conhecido, chegou de Porto Alegre na sexta-feira (26/6).

O outro é o escritor Péricles Prade, atual presidente do Conselho Estadual de Cultura, ex-vice-prefeito de Florianópolis. É uma das maiores referências da literatura de Santa Catarina, com uma obra diversificada, que inclui prosa de ficção, ensaios e poesia. O terceiro é o autor destas linhas.

Prêmio e publicação

Os jornalistas querem saber de nós como foi o concurso. Foram 626 concorrentes. A revelação foi feita no domingo (28) em que o Brasil disputou a final da Copa das Confederações, na África do Sul. Eram quase 15h, o jogo começaria às 15h30. Achamos que ninguém iria comparecer, mas eis que de repente irrompem na sala onde já concluíramos os trabalhos as funcionárias encarregadas de divulgação: ‘Podemos receber a imprensa e os demais interessados?’.

Esperávamos meia dúzia de entristecidos jornalistas obrigados a trabalhar em dias e horários como esses. Era um domingo frio em Florianópolis. Mas a sala recebe quase duas dezenas de pessoas. Seis autores dividirão o prêmio de 160 mil reais e terão seus romances publicados. Dali a pouco, a revelação começaria a pipocar nos blogs e logo nas edições digitais da imprensa local.

Leio na internet o que informaram o Diário Catarinense e A Notícia, ambos da RBS.

‘Os romances O Senhor da Palavra, de Ruy Reis Tapioca, na categoria nacional, e Cruz do Campo, de Abelardo da Costa Arantes Junior, na modalidade catarinense, são os vencedores da edição 2008-2009 do Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC)’.

E as redatoras prosseguem:

‘A obra O Vestido Vermelho, de Vera Lucia Gonçalves Moll, ficou em segundo na modalidade nacional, com A Cor das Palavras, de Ronaldo Antonelli, em terceiro. A categoria catarinense teve O Livro Perdido de Baroque Marina, de Fernando José Karl, na segunda colocação, e A Morte dos Deuses, de Roy Warncke Ashton, na terceira. Os seis vencedores dividirão R$ 160 mil, com R$ 50 mil ao primeiro lugar, R$ 20 mil para o segundo e R$ 10 mil ao terceiro em cada modalidade. Os trabalhos selecionados serão publicados e distribuídos nacionalmente. Além dos seis vencedores, a comissão julgadora recomendou para publicação dez trabalhos na categoria nacional e outros dez na catarinense. No total, 626 obras foram inscritas’.

Sístoles e diástoles

São 17h. Seguimos para a casa da artista plástica Arlinda Volpato, casada com meu ex-colega de seminário na nossa adolescência profunda, o advogado e empresário Wilson Volpato.

Lá estão diversos amigos, entre os quais Lélia Pereira Nunes, que faz um interessante intercâmbio entre as literaturas portuguesa e brasileira. Fico sabendo que numa fazenda em cima da serra os pumas mataram trinta ovelhas e não se pode fazer nada com os pumas, protegidos pelo Ibama. Fico sabendo também que o Brasil, depois de estar perdendo de dois a zero para os EUA, virou o jogo e sagrou-se campeão na África do Sul. Fico sabendo que depuseram o presidente de Honduras. Fico lembrando que o general Golbery do Couto e Silva escreveu que na América Latina os governos se alternam entre sístoles e diástoles. E que em Honduras chegou a hora da sístole. Ai, meu Deus, vai recomeçar todo o ciclo de novo?

Por ora, pensemos nos vencedores do Cruz e Sousa, na vitória do Brasil e na morte, não da bezerra, mas das ovelhas.

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Escritor, doutor em Letras pela USP e professor da Universidade Estácio de Sá, onde é coordenador de Letras e de teleaulas de Língua Portuguesa; seus livros mais recentes são o romance Goethe e Barrabás e A Língua Nossa de Cada Dia (ambos da Editora Novo Século)

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