Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ARMAZéM LITERáRIO > ANTIMANUAL DE JORNALISMO

Escritos para fazer pensar

Por Gabriel Priolli em 27/03/2007 na edição 426

Conheci Antonio Brasil quando ambos trabalhávamos para construir canais universitários de televisão, ele o do Rio, eu o de São Paulo. À frente de uma equipe de jovens, que comandava com a paixão dos verdadeiros mestres, Brasil investia contra a obtusidade de certo pensamento acadêmico, ainda muito presente, que teme o poder da televisão e sua capacidade de encantamento – em vez de dominá-lo para se comunicar melhor. Desde sempre admirei a seriedade e o vigor com que ele se batia por uma TV universitária ousada, avançada, que servisse de laboratório para novos experimentos de programação e estética, em vez de repetir as fórmulas mais caducas.

Os anos se passaram. Eu segui na organização da TV universitária, setor que hoje reúne mais de 50 canais e uma infinidade de problemas. Antonio Brasil foi investigar as possibilidades do telejornalismo na internet, as articulações entre a televisão e as novas tecnologias da comunicação, os desafios da informação no ambiente da multimídia. E tratou de verter suas inquietações no papel, rapidamente convertendo-se em referência no pensamento brasileiro sobre a mídia.

Este Antimanual de Comunicação reúne alguns de seus escritos. Quem ainda não conhece este pensador instigante da mídia, aproveite. O prazer da leitura é garantido e a qualidade da reflexão, sempre alta. É a exata medida de entretenimento e conteúdo que os telespectadores e os leitores sensatos podem desejar.

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Apresentação

Mauricio Zagari (*)

É observando e aprendendo com os erros que evitamos errar de novo. Essa é a filosofia sobre a qual se constrói o Antimanual de Comunicação: desmascarar as más práticas para determinar os caminhos a seguir. Da formação acadêmica à grande mídia, muitos são os pecados do profissional de comunicação. E é sobre eles que o jornalista Antonio Brasil discorre nesta obra, propondo uma reflexão que pode virar ação e levar a uma redenção ideológica e profissional. Utopia? A história da humanidade mostra que é da análise de problemas insolúveis que surgem as mais possíveis e funcionais soluções.

Com um olhar ferino e um tom ácido, alimentados por um incorrigível inconformismo, Brasil pensa a nossa TV, discorre sobre a cobertura jornalística nacional e internacional, destrincha polêmicas dos bastidores da notícia, propõe reflexões sobre tecnologias, analisa o trabalho de profissionais de comunicação, questiona as práticas das instituições de ensino de jornalismo, percorre o passado da TV brasileira e tenta vislumbrar o futuro dela.

O Antimanual lança luz sobre um canto escuro da rotina do pensador e do trabalhador da área de comunicação. Veio para incomodar e tirar do imobilismo aqueles que se acomodaram numa estrutura que está longe de ser perfeita. É preciso desfazer muito do que está feito. Por isso, o ´´Anti´` é a parte mais fundamental da obra que Antonio Brasil dá de presente para todos os que querem ver um jornalismo e uma televisão mais antenadas com o futuro do que com o presente.

(*) Jornalista, crítico de cinema do Jornal do Brasil e ex-editor-chefe do programa Cineview, do Canal Telecine

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Nota do Editor

No Brasil, a quase totalidade dos habitantes assiste à televisão, e esse fator favorece a convergência de interesses que identifica uma nação. Mas em grande medida, os programas mais vistos na teve aberta não refletem a realidade do país nem têm o propósito de criar uma consciência da vida cotidiana. Ao telejornalismo cumpriria, em parte, corrigir a falha, o que, para o autor deste livro, se torna cada vez mais difícil.

Tendo isso em vista, Antonio Claudio Brasil rejeita, em principio o que vê no telejornalismo do país, embora não deixe de valorizar os profissionais que admira. Chama a atenção para fatos que se figuram incontestáveis, como o de que o potencial interativo dos recursos da internet podem condenar a teve a se tornar um meio superado. E assinala que a audiência dos telejornais diminui em todo o mundo inclusivo nos Estados Unidos.’ Sugere o advento de um jornalismo-cidadão, em que o telespectador se faça parceiro da produção do telejornal, e condena com veemência o contrário disso: as declarações do tipo povo-fala, obtidas para confirmar pauta.

Temas referentes ao impacto das novas tecnologias no mercado de trabalho e à maneira de utilizá-las tem sido uma constante nos livros lançados pelo Senac São Paulo. A publicação deste Antimanual de jornalismo e comunicação é mais um exemplo dessa política editorial.

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Jornalista, presidente da ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária

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