Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ARMAZéM LITERáRIO > IMPRENSA PIAUIENSE

Falta de compromisso ou de criatividade

Por João Magalhães Carvalho em 04/10/2011 na edição 662

No Piauí, a imprensa vem mostrando de forma cada vez mais explícita seu modo de atuação na sociedade, não contribuindo em nada para o exercício da cidadania. A cobertura que a imprensa tem realizado nos últimos casos mais relevantes que aconteceram no estado mostra o perfil das empresas jornalísticas e de muitos profissionais que lamentavelmente ganham espaço no mercado.

Primeiro, a morte de uma estudante em 25 de agosto. Passado mais de um mês, a polícia não divulgou o resultado das investigações, mas a imprensa – leia-se, alguns jornalistas – já acusou várias pessoas, inclusive obrigando-as a passar pelo constrangimento de procurar os próprios meios de comunicação para se defenderem de um crime que talvez nem a polícia saiba quem cometeu. Ainda no mesmo caso, é válido lembrar as imagens da estudante poucas horas depois do ocorrido, divulgadas por muitos portais de notícias, nas quais o corpo da jovem era simplesmente exposto de forma irresponsável.

A repercussão que a imprensa piauiense deu ao fato, priorizando versões desencontradas e, principalmente, divulgando que eram de fontes que não se identificaram, mostra a necessidade de discutir a atitude de jornalistas que preferem dar um “furo” sem checar uma informação. Existe até mesmo um caso em que o jornalista Efrém Ribeiro, do grupo Meio Norte, encontrou rascunhos de depoimentos na lixeira da Cico (Comissão Investigadora do Crime Organizado) e os utilizou como fonte, distorcendo as informações e fazendo a empresa jornalística pedir desculpas pelo ocorrido.

Dúvidas sobre a criatividade

Ainda em agosto, estudantes protestaram contra o aumento no preço da passagem do transporte coletivo de Teresina. A cobertura que os principais meios de comunicação do Piauí – com raras exceções – fez ao longo dos protestos limitou-se a mostrar as atitudes dos manifestantes, quase sempre dando prioridade à versão dos empresários. Em nenhum momento foram abordados com profundidade pela imprensa os valores que motivavam o aumento no preço das passagens. O jornal Meio Norte, maior veículo impresso do estado, referiu-se aos manifestantes como vândalos durante todo o período de manifestações e não se preocupou em ouvir as reivindicações do movimento.

Fatos como esses mostram o quanto a imprensa piauiense precisa evoluir para servir como palco de discussões na busca pela cidadania do povo piauiense. Além disso, deixam dúvidas sobre a criatividade dos jornalistas que, acostumados e/ou adestrados para trabalhar de uma forma, não conseguem abordar assuntos importantes durante acontecimentos relevantes na sociedade.

***

[João Magalhães Carvalho é estudante de Jornalismo, Teresina, PI]

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