Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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ARMAZéM LITERáRIO >

Faltam temas conservadores nas redações liberais

22/09/2009 na edição 556

Blogueiros e comentaristas conservadores sabem como provocar polêmica na mídia tradicional, opina o ombudsman do Washington Post, Andrew Alexander. O apresentador Glenn Beck fez isto na semana passada, em seu programa na Fox News http://www.glennbeck.com/mediaplayer/player.html?3, ao encorajar os telespectadores a ligar para os jornais locais e pedir que cobrissem escândalos envolvendo a Acorn, organização comunitária criada para promover ações antipobreza e considerada uma das mais ativas na promoção da eleição do presidente Barack Obama. ‘Agora, levante do sofá. Enquanto eu falo, você pega o telefone e liga para o jornal’, pediu Beck. ‘Se a Acorn não estiver na capa dos jornais ou se os jornais não estão investigando as ações locais do grupo, então para que diabos eles servem?’. Logo após o pedido, o Post e outros jornais receberam, de fato, diversos telefonemas e e-mails furiosos, criticando a falta de cobertura dos escândalos.

Dois dias após o primeiro vídeo feito por dois jovens ativistas conservadores mostrando um dos funcionários da Acorn dando conselhos empresariais sobre como abrir um bordel, o Post publicou matéria sobre o assunto. Com uma câmera escondida, os dois fingiam ser um cafetão e uma prostituta. Já uma matéria sobre o fim da ajuda financeira federal à Acorn, que funciona em 110 cidades, foi publicada três dias após a Câmara dos Representantes ter decidido suspender o patrocínio. Na ocasião, investigações sobre a instituição já estavam em curso.

Alexander explica que um motivo para a demora pode ser o fato das organizações de mídia tradicionais, como o Post, simplesmente não darem atenção suficiente à mídia conservadora e a seus pontos de vista. ‘Reclamações de conservadores demoram mais a ser levadas em consideração pela mídia tradicional porque há poucos conservadores e muitos liberais na maior parte das redações’, opina Tom Rosenstiel, diretor do Project for Excellence in Journalism, do Pew Research Center. ‘Eles não vêem a ressonância destes assuntos’.

Problema

O editor-executivo do Post, Marcus Brauchli, reconhece que o diário não é muito ligado a temas conservadores, e que isto lhe preocupa. ‘É um problema em uma cidade tão dominada por democratas e por um ponto de vista democrata’, diz. ‘Para tentar minimizar isto, desafio nossos repórteres e editores com grande frequência a olhar por todo o espectro político’. Ele pressionou a seção nacional esta semana para cobrir os escândalos da Acorn.

Não há pesquisa no Post sobre preferência política de sua equipe, mas uma pesquisa realizada pelo professor David H. Weaver, da Universidade de Indiana, mostrou que há mais liberais nas redações. Já um estudo da Pew Research revelou que apenas 26% dos entrevistados acreditam que as organizações de mídia tentam se proteger contra partidarismo político, enquanto 60% disseram que há partidarismo.

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