Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > MÍDIA & HISTÓRIA

Ficção desmistifica a grande imprensa

05/09/2011 na edição 658
O crepúsculo das letras, de Ronaldo Antonelli, 382 pp., Biblos Editora, São Paulo, 2011; à venda no site da Amazonem edição impressa tradicional ou digital (Kindle/IPad/outros)

[do material de divulgação]

O Crepúsculo das Letras é ambientado na redação de um grande jornal da imprensa diária paulista, por ocasião da maior transformação técnica de sua história, ao passar da era das máquinas de escrever e laudas copidescadas à mão para a da edição informatizada e digital. A época é o período da campanha das Diretas-Já e da passagem da sociedade brasileira da ditadura para a ordem democrática, no início dos anos 80, porém com reflexos e consequências que se estendem praticamente até os dias atuais.

A “Página das Letras” é o caderno/editoria de cultura, artes, comportamento e variedades da Página Diária, jornal que passa por uma transformação de comando empresarial e busca se definir como o n.º 1 da imprensa brasileira, bem como forjar uma identidade mais consonante com a criação da nova sociedade civil no país.

A narração tem início sob o impacto do advento dos computadores, tema que passa a fazer parte do entrechoque encarniçado de personalidades e blocos de poder característicos de uma redação. Sob o ponto de vista do recém-contratado redator Roberto Leocardi – não exatamente um protagonista, mas referência central da história, que se desdobra quase inteiramente em forma de diálogos –, desfilam as típicas figuras do mundo cultural que frequentam essa área da grande imprensa, além dos próprios profissionais jornalistas: atores e autores de cinema, teatro e TV, intérpretes e compositores musicais, escritores, artistas plásticos, políticos etc.

Destinos da cultura e da escrita

Muitas dessas personalidades, sob outros nomes, são reconhecíveis e serão certamente reconhecidas por alguns leitores, sem que isso represente, porém, uma condição para a compreensão e a leitura da história. (Nesse sentido, e estritamente nesse, um modelo estilístico do romance seria Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, obra em que figuras exponenciais da mídia e da literatura do início do século passado poderiam ser identificadas por leitores contemporâneos, porém conserva todo o vigor de um magnífico retrato da imprensa da época ainda hoje, quando tais personagens perderam toda importância.)

Exceções a essa regra de nomes cifrados, no romance ora lançado, são figuras indiscutivelmente históricas, como Cora Coralina e Manuel Puig, devidamente integrados ao patrimônio literário e cultural da humanidade, citados com seus próprios nomes, bem como os presidentes Fernando Henrique e Lula, este último disputando sua primeira eleição, a de 1982, no início do tempo narrativo.

O Crepúsculo das Letras objetiva transportar para o cotidiano caótico das redações – o “fechamento diário” – o embate de ideias que ocupam as discussões sobre os destinos da cultura e da civilização da escrita, do texto, do livro e da mídia impressa, muitas das quais passaram a germinar ou criar corpo naquele momento de transição da vida nacional, paralelamente à transformação tecnológica mundial trazida pela internet, que chegava para mudar definitivamente o mundo das comunicações e o cotidiano das sociedades humanas.

O autor

Ronaldo Antonelli tem 59 anos, é paulistano e atua profissionalmente como jornalista e tradutor. Repórter, redator e crítico cultural do jornal Folha de S. Paulo, da Editora Abril e da Agência France Presse, entre os anos 70 e 90, foi igualmente editor de revistas técnicas e assessor de imprensa, especialmente nas áreas de economia, saúde e ação social.

Trabalha também na área editorial, onde foi chefe de revisão e preparação de texto do Círculo do Livro e colabora prestando serviços de edição e tradução há cerca de trinta anos, para grande número de casas editoriais, boa parte das quais no segmento de literatura infanto-juvenil, didática e paradidática. Na literatura, produz romances e contos que vem, mais recentemente, submetendo ao mercado editorial.

A editora

Biblos é uma editora digital que surgiu para tirar do anonimato escritores que não encontram espaço no mercado editorial. Já publicou Satie, de Luciano Martins Costa, e o ensaio Marx e o labirinto da Utopia, do jornalista e filósofo Francisco Viana. Os próximos lançamentos são de As dez mil coisas, livro de poemas da jornalista Elizabeth Lorenzotti, e Ao norte do horizonte, da jornalista Branca Ferrari.

Os livros são publicados diretamente na Amazon, em papel e formato digital, e também colocados à venda em outras livrarias online, como a Barnes&Noble e distribuidoras acadêmicas dos Estados Unidos, além da brasileira Potti (www.potti.com.br).

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