Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > PC DO B & STALINISMO

Dissidência dogmática

Por Mauro Malin em 20/10/2011 na edição 664

O colunista Ricardo Melo fez uma confusão historiográfica ao escrever na Folha de S. Paulo (20/10) sobre o PC do B – "Dissidência do velho PC stalinista, manteve a mesma essência da matriz, qual seja: usar um discurso 'popular' para reforçar a barganha do aparelho partidário na negociação com o poder estabelecido".

Dá a impressão de que o PC do B foi um subproduto não-stalinista do PCB, quando ele foi o contrário. Enquanto Luís Carlos Prestes e seus comandados dobraram-se à nova linha do Partido Comunista da União Soviética, corporificada quando Nikita Kruschev leu no XX Congresso, em 1956, um relatório sobre os crimes de Stálin, Diógenes de Arruda Câmara e outros dirigentes pecebistas consideraram aquilo uma espécie de traição à quintessência da doutrina "marxista-leninista".

Principalmente não gostaram de suas implicações na avaliação da política nacional e no estabelecimento de linhas de ação partidárias.

Isso não teria quase nenhuma importância fora da narrativa histórica não tivesse o PC do B sobrevivido, graças a uma brilhante estratégia eleitoral, à redemocratização (entenda-se ascensão do PT) e ao fim do "socialismo real" na Europa e na Rússia. E sobrevivido com cargos importantes nas esferas federal, estadual e municipal dos poderes legislativo e executivo.

O PC do B de Aldo Rebelo,Haroldo Lima, Orlando Silva, Agnelo Queiroz etc. é, portanto, filho legítimo do stalinismo.

Velhos tempos

Ricardo Melo também dá a entender que a atividade do velho PC se limitou à troca de votos por cargos. Na verdade, o PCB, entre 1922, quando nasceu, e 1982, quando estrebuchou, ocupou cargos legislativos conquistados com sua legenda ou por outras legendas. Funcionários públicos eram ou se tornaram comunistas devido ao prestígio de Prestes e, principalmente, devido à projeção que o velho PC teve na derrota do Estado Novo e no período da legalidade, entre 1945 e 1947.

O dinheiro que aliados de diferentes colorações davam para o funcionamento da máquina partidária era negociado pelos dirigentes, não desviado por ocupantes de cargos públicos. E não se conhecem casos de enriquecimento pessoal por roubalheira naqueles 60 anos.

 

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