Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ARMAZéM LITERáRIO > FIM DE SEMANA, 18 E 19/08

Folha de S. Paulo

21/08/2007 na edição 447

TELECOMUNICAÇÕES
Julio Wiziack

Teles ‘brigam’ na Europa para trazer o iPhone

‘As operadoras de celular estão preparadas para trazer o iPhone ao Brasil e para isso decidiram entregar aos seus sócios estrangeiros o poder de negociação com a Apple -a fabricante do aparelho que mistura telefone com computador.

A estratégia ganhou força porque a Apple já deu o pontapé inicial para lançar o iPhone na Europa, onde fica a sede das controladoras da Vivo, da TIM e da Claro, três das companhias que disputam a exclusividade do iPhone no Brasil.

A Folha apurou que elas querem aproveitar esse momento de negociação pelo lançamento do iPhone na Europa para quebrar o protocolo comercial da Apple. Uma das idéias seria incluir lotes de aparelhos extras na cota prevista para a Europa que seriam destinados ao Brasil.

A Apple informa que as vendas do iPhone passaram de 535 mil unidades e devem atingir a marca de 1 milhão de aparelhos em dois meses.

Dois são os argumentos a serem usados pelos executivos das operadoras brasileiras. Um deles é técnico: o Brasil fará o leilão das faixas de freqüência para a telefonia celular de terceira geração (3G) até o final deste ano. Assim, quando o iPhone 3G for lançado na Europa, as companhias brasileiras já estariam prontas.

Outro trunfo é o potencial do mercado brasileiro. Para as operadoras, ele corresponde a 5% dos usuários de serviços pós-pagos, hoje perto de 22 milhões de clientes. Esse grupo estaria disposto a desembolsar cerca de R$ 3.000, preço estimado para o produto no Brasil.

O que incomoda as operadoras brasileiras é que, por esse preço, já é possível adquirir um iPhone em sites de vendas no país. Desde que um hacker conseguiu desbloquear o iPhone, há cerca de um mês, o aparelho estaria funcionando nos lugares onde as operadoras de celular operam em GSM -aquela tecnologia que usa chips de segurança.

‘Isso é possível’, explica o engenheiro de telecomunicações Eduardo Tude. ‘Mas não há garantias de que o aparelho funcione corretamente.’

Na semana passada, uma emissora de rádio paulistana premiou o vencedor de um concurso com um iPhone. A Folha entrou em contato, mas a emissora alegou que a vencedora não queria comentar sua experiência com o iPhone.

Prazo

Tecnicamente, há poucas barreiras para a chegada do iPhone ao Brasil. As redes de telefonia suportariam o aumento de tráfego de dados porque já oferecem serviços parecidos com os do iPhone por meio dos smartphones -telefones que se conectam à internet via celular.

Segundo a BEA Systems, que ajudou a AT&T no lançamento do iPhone nos EUA e que atende Vivo, Claro e TIM, no Brasil faltaria tecnologia apenas para serviços mais sofisticados.

Caso um cliente com cota de ‘download’ estourada quisesse comprar à parte capacidade para baixar arquivos naquele instante, não poderia ser atendido. Nos EUA, as operadoras trabalham com softwares que permitem esse tipo de atendimento personalizado.

Aqui, as operadoras já começam a investir em recursos tecnológicos para estimular a troca de dados pelo celular. Segundo Ivayr Rodrigues, analista do IT Data, um dos institutos de pesquisa de tecnologia mais conceituados no Brasil, dessa forma as operadoras conseguiriam fazer os clientes aumentarem o valor de suas contas mensais em até 15%.

Outro ponto em favor do iPhone no Brasil é o breve lançamento do serviço Google Maps em português -que faz parte do pacote oferecido pela Apple e AT&T nos EUA.

Mais difícil será a abertura da loja virtual iTunes, que vende faixas de música e de vídeo e está atrelada à venda do iPhone.

Existe ainda outro ingrediente importante na disputa pelo iPhone. Segundo as operadoras, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) pretende colocar em prática a portabilidade numérica até maio do próximo ano.

Por essa medida, o dono de um celular poderá ficar com seu número telefônico ao trocar de operadora. Nesse cenário, a exclusividade do iPhone será um grande diferencial para atrair consumidores.

O problema é que as operadoras não têm muito tempo para convencer Steve Jobs, o dono da Apple, a olhar para o Brasil. Afinal, no próximo ano, os fabricantes de celulares prometem encher as lojas brasileiras com smartphones que funcionarão como o iPhone.’

***

Aparelho pode ser comprado pela internet

‘Basta entrar em sites de venda pela internet para comprar um iPhone desbloqueado. No Mercado Livre, as ofertas variam entre R$ 1.600 e R$ 3.200 por aparelhos disponíveis em Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis. O frete é grátis.

Esses aparelhos estariam funcionando no Brasil porque existem na internet sites contendo programas que servem de guia para destravá-los.

Isso estaria acontecendo desde julho, quando Jon Johansen, famoso hacker norueguês, espalhou na internet um programa que ele disse ter criado para usar o iPhone sem passar pela AT&T, com quem a Apple tem contrato de exclusividade.

Segundo Johansen, quem comprar um aparelho desabilitado pode usar o programa e liberá-lo para chamadas telefônicas em qualquer lugar com rede de telefonia celular GSM. Também é possível usar o tocador de música e navegar na internet pela rede da operadora local.

Especialistas em telecomunicações afirmam que, uma vez desbloqueado, o iPhone só poderia funcionar no Brasil como telefone. (JW)’

BIOGRAFIA / PAULO COELHO
Eduardo Simões e Rafael Cariello

Livro mostra Paulo Coelho ‘musical’

‘‘O caminho do risco é o sucesso’, escreveu Paulo Coelho na canção ‘Caminhos’, de 1975, uma de suas parcerias com Raul Seixas. Pois sai em breve uma biografia sobre o período de sua vida em que o hoje consagrado escritor, embora autor do verso, não tinha como ter certeza do que dizia -nem de suas apostas.

‘A Canção do Mago – A Trajetória Musical de Paulo Coelho’ (Editora Futuro; R$ 35; 244 págs.), de Hérica Marmo, se ocupa de uma época interessante em qualquer biografia, mais ainda na daquele que viria a se tornar o maior best-seller da história do país.

Atravessando os anos 70, a obra trata da carreira de compositor e produtor musical de Coelho, de sua parceria com Raul Seixas, mas também de canções que fez com nomes como Rita Lee (como ‘Esse Tal de Roque Enrow’) e Fábio Jr. (‘Agora Chega’, entre outras).

Estão lá ainda as idas e vindas do personagem, sua tentativa inicial e frustrada de se tornar escritor, a relação com a ‘magia negra’ e com as drogas, inquietações e ansiedades.

O lançamento, previsto para o mês que vem, antecede a aguardada obra de Fernando Morais sobre o ‘mago’, que deve ser lançada até o fim do ano (leia texto abaixo).

Uma das idéias defendidas por Marmo é a de que há continuidade entre o letrista e o romancista. Segundo o livro, foi no seu encontro com Raul Seixas que ele terminou sendo convencido de que era necessário escrever de forma simples mesmo idéias complexas.

‘A experiência como letrista foi fundamental’, disse o autor em entrevista à Folha. ‘Em uma letra de música, você precisa formular em apenas uma frase todo um pensamento. Mais adiante, quando comecei a escrever, mantive isso: quanto mais direto, melhor.’

Inversão de papéis

O escritor diz que esse foi ‘um ponto de transição importantíssimo’. ‘Raul entrou na minha vida no momento certo, me ajudou muito.’

A relação entre os dois que salta das páginas é quase de inversão de papéis. No primeiro encontro, o ‘maluco beleza’ é Paulo, hippie, interessado em discos voadores. Raul vai visitá-lo na Redação das revistas underground em que trabalhava -’A Pomba’ e ‘2001’- vestindo ‘terno, gravata fina’ e portando uma valise 007.

Era então produtor de uma gravadora. Nos anos que se seguiram ao encontro de 1972, Coelho entraria para o mundo ‘corporativo’ das grandes gravadoras, e Raul, apresentado às drogas ilícitas por seu amigo, se tornaria o barbudo líder da ‘sociedade alternativa’.

Não que não houvesse solavancos na trajetória do letrista. Ele se aproxima de uma seita e começa a se corresponder com uma espécie de líder espiritual. Certo dia, Paulo Coelho entra em pânico, em casa; recorre ao catolicismo para esconjurar o que acreditava ser um efeito de sua ligação com a magia e, desesperado, confessa a sua mulher: ‘Eu nunca acreditei. Senão não teria me arriscado nesses caminhos’.

Noutra passagem, o escritor -após ser detido por um discurso pró-sociedade alternativa e liberdade de atos e pensamentos, em 1974- vê fraqueza sua num momento em que, com medo, se recusa a falar com a mulher quando ambos estão sendo torturados pela ditadura (leia trecho abaixo).’

***

Período refere-se a apenas 5% da vida adulta do escritor, diz Fernando Morais

‘O jornalista e escritor Fernando Morais (‘Olga’ e ‘Chatô’), autor da tão esperada biografia oficial de Paulo Coelho, diz não se incomodar com o fato de o livro de Hérica Marmo ter se adiantado ao seu.

‘Assunto é como passarinho, quem pegar primeiro é o dono. E não seria elegante reclamar’, diz Morais, que deveria ter entregue os originais de ‘O Mago’ à editora Planeta no dia 30 de maio. Mas atrasou e está trabalhando 16 horas diárias para terminar até fim de setembro.

‘Estou limando muita coisa já escrita para tentar fazer caber no livro, com elegância, a cordilheira de dados que acumulei nesses dois anos e meio de trabalho. É preciso entender que este não é um ‘instant book’, não é um livro-reportagem. É uma biografia, e não se faz uma biografia como se faz uma pizza.’

Morais estima que o período ‘roqueiro’ de Coelho, coberto em ‘A Canção do Mago’, corresponde a apenas 5% da vida adulta do escritor. Segundo o biógrafo, se questionado sobre o peso daquele período em sua trajetória, o Mago diria que é zero. Coelho, na realidade, considera o período ‘importantíssimo’ (leia acima).

‘Ele nunca quis ser músico, como antes não quisera ser dramaturgo. O que sempre quis, desde que vestiu a primeira cueca, era ser o que é hoje: um escritor lido em todo o mundo. Porque Paulo nunca sonhou em ser apenas um escritor de sucesso’, afirma o biógrafo. ‘Ele deixou abundantes registros escritos e gravados de que tinha um único, solitário sonho, o de ser um escritor lido em todo o mundo.’

Morais ressalva, no entanto, que o período roqueiro é muito rico e importante para entender Paulo Coelho.

‘Sobretudo porque coincide com a apostasia de Paulo em relação ao Satanismo e o começo de sua reconversão à fé cristã. Estes, sim, fatos que o marcariam para sempre. Como a vida do Paulo está dividida, pelo menos na minha cabeça, em antes e depois de 1982 [ano em que ele editou ‘Arquivos do Inferno’, seu primeiro livro], eu posso dizer que a parceria dele com o Raul é um período muito importante da primeira metade.’

Revelações

Em entrevista à Folha em maio, Paulo Coelho havia dito que sua mulher, a artista plástica Christina Oiticica, estaria ‘um pouco assustada’ com as eventuais revelações do livro. Fernando Morais diz que se assustou com muito do que descobriu.

‘Como sou um típico brasileiro de classe média, ouso imaginar que o leitor se emocionará e se espantará com fatos, personagens ou episódios que me emocionam e espantam’, diz Morais. (ES e RC)’

TELEVISÃO
Laura Mattos

Que vantagem Maria leva com ‘Donas de Casa’?

‘Conselho a quem, bombardeado por propaganda da Rede TV!, resolveu começar agora a acompanhar ‘Donas de Casa Desesperadas’: pegue na locadora a caixa com o original.

A emissora estreou na última quarta-feira (e reprisa hoje às 22h) uma versão ‘cucaracha’ da bem-sucedida série norte-americana ‘Desperate Housewives’, cuja quarta temporada está prestes a ser lançada nos Estados Unidos.

A Disney, detentora dos direitos do programa, produz em Buenos Aires, com profissionais argentinos, adaptações latinas do seriado. Cada país entra com seu elenco e diretor.

O primeiro episódio da versão para o Brasil mostrou que roteiro, cenários, figurinos e tomadas de câmeras são praticamente iguais aos do original. A diferença essencial está nos atores, na média bem inferiores aos que estão sendo copiados.

Lucélia Santos é a que melhor desempenha a imitação. Consegue alguns olhares e expressões que lembram a encantadora Susan interpretada por Teri Hatcher, também conhecida como Lois Lane da série do Superman. Mas a atriz Viétia Zangrandi, apesar de ter confessado a intenção de copiar a Bree Van De Kamp original (Elisa para o Brasil), está a anos-luz da força da interpretação de Marcia Cross.

Isso sem falar do fato de ser raro um condomínio de luxo no Brasil como aquele, típico norte-americano, sem muros, com o jardim de uma casa colado ao da vizinha. E obviamente donas de casa brasileiras ricas têm empregadas e não vivem limpando privada como as da série.

E o telespectador?

Enquanto acompanhava o capítulo na Rede TV!, me veio a dúvida: que vantagem Maria leva? Por que poderia ser melhor assistir a uma cópia do que ao original -ainda que dublado, para os que assim preferem?

Vejamos por outro lado: a Rede TV!, com pouco dinheiro e nenhuma experiência em teledramaturgia, conseguiu um produto certamente superior ao que faria se não tivesse a Disney na cola. ‘Donas de Casa’ gerou receita a uma emissora nacional, que emprega brasileiros. Além disso, atores e um diretor do Brasil (Fábio Barreto, de ‘O Quatrilho’) ganharam um trabalho. Tudo bem, tem muito mais argentino do que brasileiro nesse jogo, mas já é melhor do que nada.

Legal. Mas e o telespectador que só quer ligar o televisor e se divertir? Esse fará melhor negócio se sair de casa. E seguir até a locadora mais próxima.

DONAS DE CASA DESESPERADAS

Quando: quarta, às 23h; reprise domingo, às 22h

Onde: Rede TV!’

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Folha de S. Paulo – 1

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O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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