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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ARMAZéM LITERáRIO > FIM DE SEMANA, 13 E 14/9

Folha de S. Paulo

16/09/2008 na edição 503

LIBERDADE DE IMPRENSA
Ruy Castro

Não se discute

‘RIO DE JANEIRO – Em 1971, Paulo Francis se mudou para Nova York e nós, seus amigos do Rio, ficamos à espera de que, em dois tempos, ele começasse a escrever para as revistas que admirava, como a ‘Partisan Review’, a ‘New Republic’ ou a ‘New York Review of Books’. Quem sabe não se tornaria um novo Lionel Trilling, um Geoffrey Barraclough ou, na pior das hipóteses, o próprio Paulo Francis americano?

Mal chegou por lá, Francis ofereceu um artigo para uma dessas revistas, sobre a liberdade de imprensa nos EUA. Dias depois, o editor -um jovem que ainda devia usar a gilete do pai, segundo Francis- mandou chamá-lo. O artigo fora recusado. O rapaz elogiou o texto, achou-o muito bem escrito, mas o assunto carecia de interesse. Liberdade de imprensa era algo que não se discutia nos EUA, ele disse.

O imberbe sugeriu a Francis que tentasse de novo, mas com um tema de mais interesse para seus leitores. Que tal se escrevesse sobre a América Latina? -arriscou. Francis agradeceu amuado e pegou seu artigo de volta. Para ele, a ‘América Latina’ era mais distante do que o Zimbábue ou a Groenlândia.

Francis não viveu para ver o ataque ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Se estivesse na praça, teria uma coisa ou outra a dizer sobre a censura ou auto-censura que os jornais e TVs de Nova York se impuseram quanto às pessoas que se jogaram dos prédios em chamas. As imagens dos corpos caindo, vistas na cobertura do atentado ao vivo, sumiram da mídia no dia seguinte.

Só agora, sete anos depois, eles começam a discutir sobre se o gesto daquelas pessoas soma ou subtrai ao heroísmo americano. Mas, do principal, pouco se fala: foi censura ou auto-censura? O imberbe editor tinha razão: liberdade de imprensa é algo que não se discute nos EUA.’

 

 

TELEFONIA
Graciliano Rocha

Procuradoria investiga fusão entre Oi e BrT

‘O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu uma investigação sobre a fusão entre a Oi/Telemar e a Brasil Telecom. A Procuradoria vê indícios de formação de um monopólio privado nas telecomunicações. A fusão entre as duas teles é um negócio estimado em R$ 12 bilhões, que ainda depende de mudanças no marco regulatório de telecomunicações.

O inquérito civil público foi instaurado no dia 25 de agosto, mas só foi divulgado ontem. O procurador José Osmar Pumes afirma no inquérito que a fusão fere a Lei de Telecomunicações, que regula o setor e garantia o acesso da população ao serviço a preços razoáveis.’

 

 

INTERNET
Folha de S. Paulo

Banda larga no país é uma das piores do mundo

‘A qualidade da internet banda larga (rápida) no Brasil está entre as piores no mundo e é insuficiente para atender as necessidades dos usuários que usam hoje os aplicativos da web. Segundo estudo com 42 países divulgado ontem, a internet brasileira só é melhor que o serviço de quatro nações. Somente Chipre, México, Índia e China oferecem um serviço inferior ao brasileiro.

A internet rápida no Brasil não é considerada adequada hoje para ver vídeos em sites como YouTube, baixar pequenos arquivos e navegar pela rede, mostra a pesquisa feita para a Cisco pelas universidades de Oxford (Reino Unido) e Oviedo (Espanha). O estudo, publicado ontem no exterior, deve ser divulgado com mais detalhes sobre o Brasil na segunda-feira.

A pesquisa leva em conta a velocidade do acesso, os atrasos na rede e a perda de dados e, a partir desses dados, dá uma nota para o serviço de banda larga de cada país. ‘Nós estamos olhando para a qualidade, não para a penetração’, afirmou, em nota, Fernando Gil de Bernabé, diretor da Cisco.

O estudo afirma, por exemplo, que a velocidade mínima adequada para baixar arquivos na internet é de 3,75 Mbps (megabits por segundo). No Brasil, pesquisa da própria Cisco, considera banda larga a internet com velocidade de 128 kbps (muito inferior ao desejado). O levantamento mais recente da empresa diz que existiam 10 milhões de conexões de alta velocidade no Brasil no final de junho, 48,3% mais que no mesmo período do ano passado.

De acordo com os pesquisadores, a internet em um período de três a cinco anos exigirá uma velocidade de download ainda maior, de pelo menos 11,25 Mbps, para que o usuário consiga ter boa qualidade ao assistir a vídeos de alta definição, por exemplo.

‘As velocidades médias de download são adequadas [em 23 países] para navegar pela rede, trocar e-mails e para baixar e fazer ‘streaming’ [transmissão direta pela internet] de vídeos básicos, mas estamos vendo cada vez mais aplicativos interativos, mais conteúdo gerado pelos usuários sendo colocado na rede e compartilhado, e uma quantidade crescente de serviços de vídeos de alta qualidade tornada disponível’, afirmou Alastair Nicholson, pesquisador de Oxford.

Pela pesquisa, somente o Japão -que tem o melhor serviço no momento- já tem uma internet com qualidade suficiente para atender as necessidades dos usuários daqui a cinco anos. Depois da internet japonesa, os melhores serviços são oferecidos por Suécia, Holanda e Estônia. Outro país báltico, a Lituânia, aparece na sétima colocação no levantamento.’

 

 

HISTÓRIA
Caio Jobim

Com 1.200 fotos do século 19, livro reúne acervo da Princesa Isabel

‘O maior acervo fotográfico brasileiro do século 19, ainda desconhecido, foi descoberto por acaso quando os pesquisadores Bia e Pedro Corrêa do Lago faziam uma visita a Thereza Maria de Orleans e Bragança em sua casa na Europa. Enquanto conversavam, a única neta ainda viva da Princesa Isabel e do Conde D’Eu contou a eles que guardava sob seus cuidados um grande baú de ferro que continha fotos herdadas dos avós. Convidados a examinar o material, em um primeiro momento os pesquisadores pensaram que se tratava de uma coleção de retratos domésticos -realmente havia muitos registros da Família Real na intimidade ou em poses solenes. Porém, à medida em que aprofundavam a pesquisa, Bia e Pedro foram encontrando olhares diversos sobre o Brasil oitocentista. A partir de uma seleção que procurou ser a mais abrangente possível, eles reuniram 1.200 fotografias no livro ‘Coleção Princesa Isabel – Fotografia do Século 19’ (Editora Capivara). De acordo com os pesquisadores, mais da metade é inédita. Entre anônimos e famosos, há nomes como Revert Henry Klumb, com quem a Princesa Isabel chegou a tomar algumas aulas práticas, Marc Ferrez, Augusto Stahl e Georges Leuzinger. As fotos revelam um país exótico e primitivo, de belas paisagens naturais e urbanização incipiente, em contraposição ao Rio de Janeiro, com sua corte civilizada e agitada vida social. Uma série de fotos da casa Teixeira e Vasquez é a síntese deste contraste. Nela, um índio serve de modelo em frente a um cenário ‘selvagem’ construído em estúdio em que se destacam a cabeça e a pele de uma onça pintada.

Fotojornalismo

Um dos primeiros exercícios de fotojornalismo de que se tem notícia na iconografia brasileira, a série ‘A Abolição no Brasil’ é um conjunto de 13 imagens que registram os movimentos de 13 de maio de 1888, data em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea libertando os negros do regime de escravidão. Destas, apenas quatro já eram conhecidas. Antônio Luiz Ferreira capta desde as manifestações populares nas ruas do Rio até um instantâneo da sessão de votação da lei no Senado. Curiosamente, são raras as fotos de negros encontradas na coleção, exceção feita ao registro de manifestações populares, como a congada e a festa dos devotos de Nossa Senhora do Rosário no Estado de Minas Gerais, e a um outro personagem folclórico.

COLEÇÃO PRINCESA ISABEL – FOTOGRAFIA DO SÉCULO 19

Organização e Texto: Bia e Pedro Corrêa do Lago

Editora: Capivara

Quanto: R$ 190 (432 págs.)’

 

 

LITERATURA
Folha de S. Paulo

Escritora de ‘Infiel’ recebe prêmio nos EUA

‘Ayaan Hirsi Ali, ativista somali-holandesa, recebeu um prêmio na cerimônia do Anisfield-Wolf Book Awards, na quinta, por sua autobiografia ‘Infiel: a História de uma Mulher que Desafiou o Islã’. A segurança do evento em Cleveland (EUA) foi reforçada, e a escritora teve que ser escoltada, devido às ameaças de morte que ela recebe por muçulmanos radicais.’

 

 

ESTRELAS
Luiz Fernando Vianna

Pai-patrão de artistas revê trajetória

‘Houve um tempo em que, além de siglas e cifras, as multinacionais do disco tinham rostos e nomes. No Brasil, esse tempo foi o de André Midani, o mais notório executivo da história da indústria fonográfica no país. Aos 76, ele lança a autobiografia ‘Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download’, fazendo jus à sua imagem de pai-patrão: revê a sua trajetória como manda-chuva da Odeon (hoje EMI), da Phonogram (hoje Universal) e da Warner sem revelar muitos podres das inúmeras estrelas com quem conviveu. ‘Não quis contar o baixo astral. Não ia invadir a intimidade dos meus artistas’, justifica. O escape não impede que se leiam boas histórias, mas quem fica mais exposto é o próprio Midani. Afinal, a idéia inicial do livro era deixar para os dois filhos um relato sobre sua vida acidentada. Midani nasceu na Síria, mas foi cedo para a França com a mãe, que fugia do pai. Passou por várias cirurgias por causa da poliomielite. E sobreviveu à Segunda Guerra andando pelo campo numa caravana brancaleônica que, vez ou outra, era confundida com nazistas e bombardeada por aliados. Acostumou-se com cadáveres. ‘A morte não me sensibiliza. Eu fico triste, mas não chama uma emoção profunda.’

‘Quero viver aqui’

Para se libertar da mãe dominadora e não ser convocado como francês para lutar contra a independência da Argélia, entrou com o pouco dinheiro que tinha num navio rumo à América do Sul. Deslumbrado com a baía de Guanabara, decidiu: ‘É aqui que quero viver’. Dois dias depois, já estava na Odeon, onde se tornaria grande incentivador da bossa nova. Apostou que o Brasil deveria ter uma música feita pelos jovens e para os jovens, e ajudou Dorival Caymmi e Tom Jobim a convencerem Aloysio de Oliveira, o diretor artístico, a deixar João Gilberto gravar ‘Chega de Saudade’, em 1958. ‘Eu dizia: ‘Aloysio, é, é, é [isso]’, com o fervor de um garoto de 26 anos’, lembra. Tal empenho não o poupou, é claro, de sofrer com as idiossincrasias de João. ‘O que contei [no livro] foi o máximo que me permiti contar. […] O que eu falo é suficiente, nas entrelinhas, para entender que às vezes era complicado.’ O auge da carreira foi na Phonogram, entre 1968 e 1975. A gravadora tinha praticamente todos os grandes: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Chico Buarque, Elis Regina, Rita Lee, Jorge Ben e muito mais. ‘Em algum momento, os artistas, o meio, ou os artistas e o meio, tiveram necessidade de descobrir uma figura, eu diria, paterna. E eu fui o eleito, num processo inconsciente’, acredita. Um anúncio da Phonogram ficou célebre: ‘Só nos falta Roberto Carlos… Mas, também, ninguém é perfeito’. Midani não conseguiu o Rei e ainda falou mal dele para Erasmo Carlos, com o objetivo de tirá-lo da sombra do parceiro. ‘Sempre pensei que Roberto carregava o inconsciente brasileiro. Por esse lado, era o Rei. Mas, pelo não comprometimento com nada [no aspecto político], aí eu dizia: ‘Pobre do país que tem um rei como Roberto Carlos’, conta.

‘Agente da CIA’

A germano-holandesa Phonogram tinha uma postura antiditadura -e chegou a ser cercada pelo Exército. Mesmo assim, parte da intelectualidade via Midani como um enviado do imperialismo para sugar as riquezas culturais nacionais. Glauber Rocha, com uma dose de ironia, chamou-o de ‘agente da CIA’, o serviço de inteligência dos EUA. Curiosamente, foi já na Warner que, por gravar artistas como Banda Black Rio e divulgar os bailes do subúrbio carioca, ganhou a suspeita de receber dinheiro do movimento negro americano e, em conseqüência, um pedido de extradição que não foi adiante. Entre os méritos daqueles anos 70, está o de ter reunido Chico e Caetano para um show que virou disco (1972). ‘Eram duas crianças, cada um no seu canto, com gente que os adora e adula dizendo [como se fosse para o outro lado]: ‘Fdp, vá se f…’. Os dois não tomaram parte disso, mas também não telefonavam um para o outro para dizer ‘vamos fazer algo’.’ Para não perder os dois e Gil, ele renovou os contratos permitindo que os discos futuros pertencessem aos artistas. Depois, segundo diz, os três revenderam os discos para as companhias. ‘É de ficar espantado. Até hoje não tive a coragem de sentar com Gil, Caetano e Chico e perguntar: ‘Caras, por que fizeram isso?’ A Folha procurou os três, mas não teve resposta até a conclusão da edição. Dando só palestras e consultorias hoje em dia, Midani lamenta que a ‘tecnocracia’ tenha tomado conta das grandes gravadoras e diz que foi um ‘grande erro’ a luta contra a pirataria virtual. ‘Em vez de lutar, teria que se juntar. […] Agora não há mais tempo. Tem que apagar, contabilizar os prejuízos, zerar e continuar.’

MÚSICA, ÍDOLOS E PODER: DO VINIL AO DOWNLOAD

Autor: André Midani

Editora: Nova Fronteira

Quanto: R$ 39,90 (336 págs.)’

 

 

REDE
Joca Reiners Terron

Romance de trama complexa sincroniza realidade e ficção

‘O s livros de ficção científica anteciparam desde sempre, de Edgar Poe a H.G. Wells, as transformações do mundo. Se tais profecias eram feitas com grande antecedência e o futuro parecia um lugar distante demais, quase inatingível, não era culpa desses pioneiros: para eles, até mesmo o vizinho século 20 parecia não chegar nunca. A partir dos anos 80, com as criações cyberpunk de William Gibson, o futuro afinal chegou, e as histórias começaram a acontecer em um terreno de topografia mais parecida com a do presente vivido pelo leitor. ‘Nevasca’, romance de Neal Stephenson originalmente publicado em 1992, é um dos grandes responsáveis por essa sincronização entre a realidade e a ficção. A principal influência tanto de Gibson quanto de Stephenson foi Philip K. Dick, visionário responsável por abdicar da parafernália típica da ficção científica para explorar a maquininha mais aterradora dentre todas: o cérebro humano e os seus defeitos de fabricação. Dick também meteu sua colher noutro campo: a crítica social foi ingrediente importante de sua receita, assim como é em ‘Nevasca’, de Stephenson, e nisto o olhar de ambos herda o desencanto noir e ‘quixotista’ (para não dizer comunista) de Dashiell Hammett.

Second Life

O herói de ‘Nevasca’ é Hiro Protagonist, entregador de pizzas e criador de softwares, habitante de um mundo não mais dominado pelo Estado, mas por corporações mercenárias. Hiro, no mundo real, é empregado da Cosa Nostra, uma dessas organizações, mas no universo virtual chamado Metaverso é um samurai lutando contra a propagação de um vírus que diluirá as fronteiras entre os dois mundos. O avatar de Hiro nesse universo paralelo ocupa a posição privilegiada de ter sido um de seus criadores, papel incomum num lugar onde predomina o darwinismo econômico do mercado capitalista: nessa segunda vida os melhores papéis (e a ‘felicidade’ bônus que vem com eles) são comprados por muito dinheiro. Imagine o suplício de viver num lugar onde todos são superestrelas do rock. Bem, não precisa imaginar, hoje basta logar o Second Life ou o Playstation Home. O caldo complexo de Stephenson inclui criptografia e filosofia, além da atualização das leis estéticas do western. O guerreiro Hiro (da mesma forma que Case, em ‘Neuromancer’, de William Gibson, ou Neo, na trilogia ‘Matrix’ dos irmãos Wachowski) é uma variação da figura do pistoleiro de aluguel, um hacker cuja expertise é a manipulação da informação. Detentor do know-how, Hiro pode acessar lugares inacessíveis a outros, é um jagunço virtual a serviço do capital. Para acessar o Metaverso, porém, Hiro necessita estar em casa, preso ao seu computador desktop. É incrível como Stephenson antecipou a presença da internet na vida contemporânea, mas não a nanificação radical pela qual os computadores passaram nos últimos anos. Sinal de que nem os mais delirantes escritores chegam aos pés dos cientistas atuais. E quem diria que a ciência poderia se tornar algo tão divertido e perigoso? Só a ficção, claro.

JOCA REINERS TERRON é escritor, autor de ‘Sonho Interrompido por Guilhotina’ (Casa da Palavra)

NEVASCA

Autor: Neal Stephenson

Tradução: Fábio Fernandes

Editora: Aleph

Quanto: R$ 59 (págs. 440)

Avaliação: ótimo’

 

 

TELEVISÃO
Audrey Furlaneto

Calmon vê ‘renascimento do surfe’ em ‘Três Irmãs’

‘Comédia romântica, na definição do autor Antonio Calmon, ‘Três Irmãs’, novela das sete que estréia na segunda (15) na Globo, inaugurou um núcleo só para as gravações de cenas aquáticas. Nove personagens da trama serão surfistas, entre eles Carolina Dieckmann. ‘É uma temática aventuresca que gosto de abordar, estava na hora de revisitá-la’, diz Calmon, que adotou o tema na série ‘Armação Ilimitada’ e em outras quatro novelas da Globo, como ‘Top Model’. No novo folhetim, são três as protagonistas: além de Dieckmann, Giovanna Antonelli e Cláudia Abreu. A atriz Ana Rosa será a mãe das irmãs e lutará contra Violeta, vilã vivida por Vera Holtz, uma das ‘apostas secretas’ do autor. ‘É unanimidade que os vilões, por serem divertidíssimos e bem-humorados, agradem ao público’, diz. Conhecido por temáticas adolescentes -há quase sempre vampiros, surfistas e praias paradisíacas em suas tramas-, Calmon quer ser ‘autor pop de novelas’, embora já tenha sido, diz ele, rotulado como ‘barra-pesada’ quando trabalhou em cinema, dirigindo longas como ‘O Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brasil’ (1970). ‘Há rótulos e rótulos’, avalia. ‘Creio que em cada forma de expressão, um autor de verdade tem seu estilo, sua praia.’ Em ‘Três Irmãs’, ele terá como diretor Dennis Carvalho, de ‘Paraíso Tropical’. ‘Não podemos comparar a audiência de uma novela exibida às 21h com outra exibida às 19h ou mesmo às 18h’, diz Carvalho, sobre a possibilidade de alcançar o sucesso de audiência de ‘Paraíso’ com a nova novela das sete. ‘Acho esse horário o mais difícil e competitivo’, afirma. De fato, as novelas da faixa das sete, que já chegaram aos 38 pontos na Globo, hoje lutam para manter a média de 30 no Ibope. Mesmo assim, Calmon ambiciona atingir ‘as donas-de-casa e a garotada’. Ele também pretende fazer marketing social -usará personagens para abordar questões como o câncer de mama (‘por razões pessoais: retirei um tumor benigno dois anos atrás’) e a gravidez na adolescência. ‘Não dá para fazer mais uma novela que não tenha contida nela algo que já atraía a curiosidade, que já não seja um evento em si, como, por exemplo, aproveitar esse renascimento do assunto surfe. Estou sempre antenado com a novidade’, diz.

TRÊS IRMÃS

Quando: estréia na segunda, às 19h

Onde: na Globo

Classificação indicativa: livre’

 

 

Fernanda Ezabella

Especial traz esquisitices de Jane Birkin

‘‘Rendez-Vous com Jane Birkin’, que o Eurochannel exibe amanhã, é um documentário com a cara da cantora e atriz de 61 anos. Esquisito, com uma improvisação meio forçada, e ainda assim muito interessante. Nada traz sobre sua vida, apenas registros de Birkin cantando nos lugares mais óbvios ou inusitados possíveis. Para começar, Birkin está entediada no balcão de um bar, à espera de Brian Ferry. Na falta dele, surge Marianne Faithfull, e as duas cantam ‘Every Dream Home a Heartache’. Beth Gibbons (Portishead) aparece depois, para outro dueto. Até aqui, tudo bem-comportado. Estranho mesmo é quando a ex-mulher de Serge Gainsbourg faz uma parceria via cabine de telefone público, ela dentro de uma em Londres, e Alain Chamfort em outra, em Paris. Em outra passagem, a artista canta com Etienne Daho dentro de um carro sendo guinchado pelas ruas de Paris. Birkin, que já esteve no Brasil algumas vezes, é filmada como se estivesse na intimidade, na cama comendo pizza ou comprando sapatos. Mas o melhor mesmo são os cerca de dez duetos, feitos em uma hora de programa.

RENDEZ-VOUS COM JANE BIRKIN

Quando: amanhã, às 21h

Onde: no Eurochannel

Classificação indicativa: não recomendado para menores de 10 anos’

 

 

LUTO
Folha de S. Paulo

Benedicto Ferri de Barros da APL morre aos 88

‘Morreu ontem, aos 88 anos, Benedicto Ferri de Barros, membro da Academia Paulista de Letras, professor, jornalista, empresário, poeta e ensaísta. A causa não foi divulgada.

Ele deixa mulher e três filhos. O enterro está previsto para hoje, às 10h, no cemitério do Araçá.

Barros foi professor da USP e da FGV. Manteve coluna nos jornais ‘O Estado de S.Paulo’ e ‘Jornal da Tarde’. Escreveu, entre outros, o livro ‘Que Brasil É Este?’.’

 

 

MUSEU
Mario Cesar Carvalho

Justiça manda auditar as contas do Masp

‘O juiz Alfredo Attié Junior, da 32ª Vara Cível de São Paulo, determinou que a Trevisan & Associados audite as contas do Masp (Museu de Arte de São Paulo) para apurar se houve má gestão no período em que o arquiteto Julio Neves está na presidência da instituição. Ele dirige o museu desde 1995.

O juiz negou o principal pedido feito pela promotora Mariza Tucunduva, que investiga o museu: o afastamento de Neves da presidência.

Attié Junior também decidiu contratar um advogado especializado em direito societário para analisar o estatuto do Masp. O museu é uma entidade de direito privado, dirigida por um grupo de sócios, mas depende de recursos públicos para funcionar.

O juiz também determinou que curadores de arte analisem a gestão artística do museu. Os nomes do advogado e dos curadores são mantidos em sigilo porque o processo do Masp corre em segredo de Justiça.

Perícia

O Ministério Público havia apresentado uma perícia que apontou problemas nas contas do Masp. O juiz, porém, considerou a perícia insuficiente.

O Masp está sob investigação do Ministério Público desde o final do ano passado, quando foram furtadas duas telas da instituição, um Picasso e um Portinari, avaliadas em cerca de R$ 100 milhões. Depois, a Polícia Civil recuperou os dois trabalhos.

Antes do furto, o Masp tivera a luz cortada por falta de pagamento e fora acionado na Justiça pela Vivo. A operadora de celular cobra uma dívida de R$ 13 milhões por ter comprado um prédio ao lado do museu, onde Neves planejava construir uma torre de 110 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares, que teria o nome da empresa no topo.

Como o patrimônio histórico municipal vetou a torre, a Vivo entrou na Justiça pedindo o dinheiro de volta.’

 

 

 

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