Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ARMAZéM LITERáRIO >

Folha de S. Paulo

02/05/2006 na edição 379

RELIGIÃO & CENSURA
Luciano Mendes de Almeida

Dignidade, Trabalho e Censura

‘No dia 1º de maio, a atenção e o afeto se voltam especialmente para os trabalhadores e trabalhadoras, no anseio de que sua dignidade seja respeitada e promovida.

A CNBB acaba de publicar mensagem para o dia do trabalhador, saudando todos os que se empenham na construção do Brasil, ‘rogando a Deus para que cessem as discriminações e injustiças ligadas ao mundo do trabalho e para que o povo brasileiro desfrute da verdadeira justiça, solidariedade e paz social’.

O documento é breve e coloca em evidência considerações básicas.

Há uma palavra inicial de esperança, constatando as iniciativas para oferecer novas oportunidades de trabalho e o reajuste, embora insuficiente, do salário mínimo acima da inflação. Motivo ainda de esperança são as experiências de economia solidária.

Enumera, a seguir, motivos de justas preocupações -em primeiro lugar, o desemprego, que aflige especialmente os jovens. Por que não aumentam as oportunidades de trabalho enquanto cresce a geração de riquezas?

Aponta para a questão mais profunda do atual modelo econômico neoliberal, que privilegia o lucro, concentra a renda e exclui, cada vez mais, os trabalhadores.

Recorda os ensinamentos da Igreja e as palavras do Papa João Paulo 2º, insistindo na centralidade do trabalho como ‘chave da questão social’. É preciso harmonizar o crescimento econômico com exigências de respeito e de promoção da dignidade da pessoa.

Para alcançar essa meta, é indispensável a atuação no âmbito da política. A mensagem alude ao ano eleitoral, propondo como prioridade para os programas de candidatos o desafio de assegurar, como exigência da cidadania, o direito ao trabalho, o justo salário e a distribuição da renda.

A essa vigorosa afirmação da CNBB sobre a dignidade da pessoa à luz dos valores do Evangelho, sinto o dever de associar uma palavra sobre recente exposição erótica no CCBB do Rio de Janeiro, que agrediu a fé e ofendeu as convicções religiosas do nosso povo, apresentando imagens indignas e injuriosas que atentam contra o respeito devido à Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa.

Por que essa agressão descabida?

A liberdade de expressão artística não é um valor absoluto, pois a ninguém é lícito ofender e injuriar o próximo e a fé de milhões de católicos. Temos de aprender a conhecer os próprios direitos e deveres, a começar pelo exercício da autocrítica, que precede toda censura externa. Incumbe, no entanto, ao Estado, quando falha a autocensura, zelar para que não se agridam os valores éticos, sociais e religiosos das pessoas e da família. Pretensos valores estéticos não podem ferir direitos alheios nem subsistir sem o necessário respeito aos valores morais.

A referência maior é a dignidade da pessoa, a ser sempre salvaguardada, tanto no direito ao trabalho como no respeito pleno às convicções religiosas de cada um.

O início do mês de maio, dedicado à Nossa Senhora e à festa de São José Operário, há de inspirar em nós o amor fraterno e a coerência em promover vida digna para todos.

Dom Luciano Mendes de Almeida escreve aos sábados nesta coluna.’



PRIMEIRA PÁGINA
Marco Antonio Villa

‘Primeira Página’ passa como se fosse um filme da história

‘Passar por 85 anos dá uma sensação estranha: as ideologias políticas, os grandes fatos (muitos ficaram pequenos no futuro), os grandes personagens (alguns esquecidos e bem esquecidos) vão passando como se fossem um filme. Lá estão Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao Tse-tung, Getúlio Vargas, mas também Balbino José dos Santos, o primeiro passageiro do metrô paulistano, que chegou às 5h na estação Jabaquara, para, uma hora depois, ser o primeiro a atravessar a catraca naquela sexta-feira fria de setembro de 1975.

Um menino saúda com o polegar erguido um carro transportando tanques em um subúrbio de Buenos Aires. Era o golpe militar de março de 1976 que derrubou a presidente Maria Estela Martinez de Perón, a Isabelita, e que instituiria a ditadura mais sanguinária da história portenha. Quem era o menino? Estará vivo? Se estiver, será que mantém o polegar erguido para os golpistas?

Enquanto São Paulo foi marcado pelos grandes incêndios (Volkswagen, 1970; Andraus, 1972; Joelma, 1974), na Polônia, em 1970, o Exército à bala -e com dezenas de mortos- tomou os estaleiros de Gdynia, onde milhares de operários protestavam contra o aumento do custo de vida. Já no Brasil, o general Siseno Sarmento, comandante do 1º Exército, garantia que a normalidade do país não estava abalada e o presidente Médici dizia que foi ‘o maior dia da minha vida’ o domingo em que a seleção brasileira venceu a Itália e conquistou o tricampeonato. Entusiasmado, saiu do Palácio e foi ao encontro dos populares que o aguardavam. Fez embaixadas e depois foi carregado pelos torcedores. Parecia que Sarmento tinha razão, porém, o Congresso Nacional tinha ficado fechado meses e embaixadores eram seqüestrados para que, em troca, fossem libertados presos políticos.

Nos últimos 25 anos, o país foi varrido por momentos de grande euforia política. A campanha das Diretas-Já foi um dos maiores. O ato da praça da Sé dava o tom do que seriam os próximos meses. Diz a Folha: ‘O povo se manifestou, cantou, dançou; trouxe bandeiras, vestiu camisetas. Vaiou, aprovou. E nem a chuva, que por três horas fustigou o comício, consegui dispersá-lo’. Três meses depois, no vale do Anhangabaú, encerrou-se a campanha com o maior comício da história do Brasil. Mas o regime resistia.

Se a emenda foi derrotada, o desejo de restabelecimento da democracia permanecia ainda mais forte. A candidatura Tancredo Neves, a vitória no Colégio Eleitoral, dava o tom de euforia. Enfim iria acabar a ditadura. E veio a surpresa da internação, das cirurgias e da morte, em 21 de abril. Dez meses depois, nova euforia: o Plano Cruzado. Após as eleições de novembro, nova decepção. Dois anos passam, e mais euforia: a promulgação da Constituição. O presidente Sarney proclamou juras à Carta, mas antes contratou dezenas de funcionários públicos sem concurso e criou centenas de cargos de confiança. Tão Brasil.

Em 85 anos, os conflitos mundiais foram mudando: as ideologias políticas laicas foram perdendo importância e a presença do fundamentalismo religioso foi assumindo o primeiro plano da cena. Já a política interna brasileira, pouco mudou. O general Figueiredo, ainda candidato à Presidência, em entrevista para a Folha disse: ‘A opinião pública não existe, vocês [os jornalistas] é que a formam. Se vocês quiserem, vocês mudam a opinião pública’.

Ouvíamos algo parecido nestes tristes dias que vivemos. Mas foi no futebol que a história ficou congelada. Campeonato Paulista, 1978. Corinthians x Guarani: 2 a 2. Jogo equilibrado. Aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, o juiz marcou um pênalti duvidoso. Para quem? Para o Corinthians, é claro. O lateral Zé Maria bateu e converteu.

É, a história sempre se repete: e como tragédia.

Marco Antonio Villa é professor de história da Universidade Federal de São Carlos (SP) e autor, entre outros livros, de ‘Jango, Um Perfil’ (Globo)’



***

Sexta edição traz as 223 capas mais importantes

‘‘Folha de S.Paulo – Primeira Página’ reúne as 223 capas mais importantes da história da Folha. Lançado originalmente em 1985, o livro ganhou agora sua sexta edição, com atualização do projeto gráfico realizada por Eliane Stephan, designer que criou o visual da capa e fez modificações no desenho das páginas internas. Stephan diz que havia a intenção de ‘trabalhar na capa com a idéia da colagem, da fragmentação, como é a notícia’. Também foi substituída a fonte das páginas internas. Stephan é autora da reforma gráfica ocorrida na Folha em 1996.

Para esta edição foram excluídas páginas que ficaram menos importantes historicamente e incluídas outras, mais recentes. A seleção das capas foi feita por Carlos Kauffmann, gerente do Banco de Dados do jornal, e por Vinicius Mota, editor de Opinião da Folha. Kauffmann diz que a mudança procurou ‘contemplar os vários focos de interesse do jornal’. Segundo ele, as atualizações seguiram o espírito das primeiras edições. ‘Não houve uma mudança de olhar, mas a continuação de um trabalho, como se estivéssemos revisando o passado com outro olhar histórico. Recompilamos o que havia de importante.’

Para Vinicius Mota, o projeto continuou sendo o das edições anteriores, ‘privilegiar as capas que tenham impacto no país, na humanindade, que perduraram para além daquele dia. Esse foi o princípio soberano’.

Outro critério, segundo Mota, foi o equilíbrio entre períodos. ‘Este é um livro que pretende ter uma relevância historiográfica, um jeito de a Folha contar através das suas páginas a história do país e do mundo.’

A primeira capa representada é de 1921. As páginas mostram a evolução gráfica do jornal. De uma diagramação pesada, sem fotos e pouca hierarquização dos assuntos, às soluções gráficas mais recentes, com imagens grandes, infográficos e chamadas que sintetizam os assuntos da edição.

Folha de S.Paulo – Primeira Página Editora: Publifolha Quanto: R$ 69 (240 págs.)’



POLÍTICA CULTURAL
Silvana Arantes

Lei Rouanet financia compra de ingressos

‘Além da produção de espetáculos culturais, a Lei Rouanet passará a financiar também a compra de ingressos por empresas, para distribuição ao público.

O Ministério da Cultura deverá ser informado do público a quem a empresa pretende distribuir os ingressos e aprovar a ação.

A compra não pode abranger a totalidade dos ingressos disponíveis, mas apenas uma parcela da lotação das casas.

Nas regras anteriores da lei, as empresas podiam usar esse benefício apenas para distribuição de ingressos aos seus empregados.

O novo decreto acrescenta também a possibilidade de uso de dinheiro público (por meio da lei) para subsidiar preços de ingressos (de espetáculos não-beneficiados pela lei).

Ou seja, em vez de investir na etapa da produção, o patrocinador destina o dinheiro à comercialização dos ingressos, promovendo a redução do preço cobrado ao consumidor final.

O objetivo da medida, segundo o MinC, é aumentar a freqüência de público e, por conseguinte, a parcela da população que usufrui dos produtos financiados pela lei.

O decreto também estabelece que constem dos programas projetos e ações realizados com recursos incentivados ‘formas de acessibilidade a pessoas idosas e portadoras de deficiência’.

Além da preocupação com o aumento de público dos produtos incentivados pela renúncia fiscal, o decreto expressa a intenção de incrementar o controle dos gastos. No ano passado, o governo destinou R$ 677,1 milhões a projetos aprovados pela Lei Rouanet. Um total de 2.383 projetos foram autorizados a obter patrocínio utilizando a lei em 2005.

O MinC passa a ter mais instrumentos para acompanhar a aplicação do dinheiro público durante a realização dos projetos.

Os produtores de projetos beneficiados, por sua vez, terão de prestar contas dos resultados, demonstrando o alcance dos objetivos previstos na proposta inicial.

O Ministério da Cultura deve produzir um relatório anual de avaliação ‘dos programas, projetos e ações culturais referidos’ no decreto de ontem. O relatório será avaliado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na tomada de contas que faz do Ministério da Cultura regularmente, a cada ano.

Entre as novas regras de uso da lei, consta também a que limita o uso do dinheiro público para pagamento de despesas administrativas a 15% do total do orçamento dos programas incentivados.’

Folha de S. Paulo

Sá Leitão deixa MinC e vai para o BNDES

‘Pivô da polêmica com o poeta Ferreira Gullar que causou barulho no meio cultural e artístico no fim de 2005, o jornalista Sérgio Sá Leitão vai deixar a Secretaria de Políticas Culturais, do Ministério da Cultura, para assumir um cargo como assessor especial do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), Demian Fiocca.

A saída de Leitão da pasta comandada pelo ministro Gilberto Gil ainda não foi oficializada, mas já é dada como certa entre os servidores do Ministério da Cultura. Ontem, Leitão deu expediente em Brasília e deveria, no fim da noite, participar de um evento público ainda como secretário.

O jornalista passou o dia reunido com Gilberto Gil no gabinete do ministro. Até o fechamento desta edição, ele não havia comentado à Folha para os motivos de sua saída da secretaria.

Leitão envolveu-se num embate público com Ferreira Gullar depois que o poeta, ao participar de uma sabatina promovida pela Folha em 21 de dezembro passado, criticou a gestão de Gil frente ao ministério.

Na oportunidade, Gullar disse que ouvia ‘reclamações de diferentes áreas de que [Gilberto Gil] não está cumprindo bem seu papel’. Completou: ‘Houve centralização que não sei se continua’.

Para rebater às críticas de Gullar, Leitão escreveu uma carta aberta ao jornal: ‘(…) Não deixa de ser curioso um comunista criticar algo ou alguém por uma suposta ‘centralização’. A ‘centralização’ não era a marca registrada dos finados regimes stalinistas dos quais Gullar foi e segue sendo um defensor?’.

O cantor e compositor Caetano Veloso foi um dos primeiros artistas em sair em defesa de Ferreira Gullar: ‘Se um ministério demonstra não aceitar críticas -pior: exige adesão total a suas decisões-, estamos sim a um passo do totalitarismo’.’



CÓDIGO DA VINCI
Folha de S. Paulo

Código do veredicto de Brown é desvendado

‘A mensagem cifrada que o juiz britânico Peter Smith colocou no veredicto que inocentou Dan Brown, autor de ‘O Código Da Vinci’, da acusação de plágio, foi decodificada. O segredo não envolvia, no entanto, nenhuma teoria conspiratória, mas uma simples referência a um almirante da Marinha Real.

O código, que consistia de letras em itálico espalhadas ao longo das 71 páginas do documento, foi desvendado pelo advogado Dan Tench e é baseado na seqüência Fibonacci, uma progressão matemática discutida no livro de Brown. ‘Depois de muitas tentativas e erros, encontramos uma fórmula que se encaixava’, disse Tench, que revelou a mensagem ao jornal britânico ‘The Guardian’: ‘Jackie Fisher, who are you? Dreadnought’ [Jackie Fisher, quem é você? Couraçado].

Smith é um notório fã da Marinha, e Fisher foi um almirante que desenvolveu o conceito de um navio de guerra gigantesco, chamado HMS Dreadnought, no começo do século 20.

Tench disse que o juiz escreveu um e-mail para ele confirmando que a mensagem estava correta.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

Discovery produz ‘reality show’ no Brasil

‘O Discovery Channel, um dos canais mais vistos da TV paga, está produzindo em São Paulo e em Florianópolis três episódios do ‘reality show’ americano ‘Rides’, de ‘tuning’ (transformação e personalização de carros).

Os programas estão sendo produzidos pela Endemol Globo. O canal, que conta com o patrocínio de uma montadora, está investindo do próprio bolso (o que é raro) _não está usando recursos vinculados à Ancine (Agência Nacional do Cinema).

Em São Paulo, estão sendo gravados dois ‘Rides’. Um deles está transformando um Corsa em um carrão conversível. O outro prepara um Maverick ano 1974 para uma competição de arrancadas em Curitiba. Em Florianópolis, uma S-10 está sendo reformada para participar de um rally.

Os programas fazem parte de uma série latino-americana de ‘Rides’, que terá gravações também no México e na Argentina e irá ao ar até o final do ano.

O Discovery também finaliza a produção de um documentário sobre o espetacular assalto ao Banco Central em Fortaleza, ocorrido em agosto de 2005. A produção é da britânica Tiger Aspect. Conta com recursos de computação gráfica e até reconstituição, em estúdio, de parte do túnel escavado pelos assaltantes.

O programa também não é incentivado pela Ancine. Irá ao ar no mundo todo, exceto Estados Unidos, no final deste ano.

OUTRO CANAL

Marujo 1 O repórter Tino Marcos e uma equipe de reportagem da TV Globo viveram na semana passada uma aventura involuntária em alto-mar. Foram fazer uma reportagem para um ‘Globo Repórter’ sobre a Copa do Mundo, em um petroleiro da Petrobras que tem um campo de futebol.

Marujo 2 O combinado era o petroleiro deixar a baía de Guanabara e seguir para o oceano. Pouco depois, Tino Marcos e equipe seriam resgatados por uma lancha da Petrobras. Mas o mar ficou agitado. Nem lanchas nem helicópteros podiam chegar ao petroleiro, que também não podia retornar por falta de dirigibilidade.

Marujo 3 O capitão do navio tentou então desembarcar os jornalistas em Vitória, mas lá o mar também estava muito bravo. A solução foi seguir até Salvador, onde a aventura terminou três dias depois _e os repórteres com a mesma roupa que usavam quando deixaram o Rio.

Ladeira Para desespero de suas afiliadas, Silvio Santos fez mais uma mudança no SBT da noite para o dia, sem aviso. Anteontem, tirou do ar o ‘Programa do Ratinho’ _que volta agora no dia 8, apenas às segundas, no antigo horário de Hebe Camargo. Tem afiliado que já teme ver sua rede ser ultrapassada pela Band no Ibope _o que só não ocorre porque falta dinheiro à concorrente.’



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Folha de S. Paulo – 1

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O Estado de S. Paulo – 1

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02/05/2006 na edição 379

RELIGIÃO & CENSURA
Luciano Mendes de Almeida

Dignidade, Trabalho e Censura

‘No dia 1º de maio, a atenção e o afeto se voltam especialmente para os trabalhadores e trabalhadoras, no anseio de que sua dignidade seja respeitada e promovida.

A CNBB acaba de publicar mensagem para o dia do trabalhador, saudando todos os que se empenham na construção do Brasil, ‘rogando a Deus para que cessem as discriminações e injustiças ligadas ao mundo do trabalho e para que o povo brasileiro desfrute da verdadeira justiça, solidariedade e paz social’.

O documento é breve e coloca em evidência considerações básicas.

Há uma palavra inicial de esperança, constatando as iniciativas para oferecer novas oportunidades de trabalho e o reajuste, embora insuficiente, do salário mínimo acima da inflação. Motivo ainda de esperança são as experiências de economia solidária.

Enumera, a seguir, motivos de justas preocupações -em primeiro lugar, o desemprego, que aflige especialmente os jovens. Por que não aumentam as oportunidades de trabalho enquanto cresce a geração de riquezas?

Aponta para a questão mais profunda do atual modelo econômico neoliberal, que privilegia o lucro, concentra a renda e exclui, cada vez mais, os trabalhadores.

Recorda os ensinamentos da Igreja e as palavras do Papa João Paulo 2º, insistindo na centralidade do trabalho como ‘chave da questão social’. É preciso harmonizar o crescimento econômico com exigências de respeito e de promoção da dignidade da pessoa.

Para alcançar essa meta, é indispensável a atuação no âmbito da política. A mensagem alude ao ano eleitoral, propondo como prioridade para os programas de candidatos o desafio de assegurar, como exigência da cidadania, o direito ao trabalho, o justo salário e a distribuição da renda.

A essa vigorosa afirmação da CNBB sobre a dignidade da pessoa à luz dos valores do Evangelho, sinto o dever de associar uma palavra sobre recente exposição erótica no CCBB do Rio de Janeiro, que agrediu a fé e ofendeu as convicções religiosas do nosso povo, apresentando imagens indignas e injuriosas que atentam contra o respeito devido à Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa.

Por que essa agressão descabida?

A liberdade de expressão artística não é um valor absoluto, pois a ninguém é lícito ofender e injuriar o próximo e a fé de milhões de católicos. Temos de aprender a conhecer os próprios direitos e deveres, a começar pelo exercício da autocrítica, que precede toda censura externa. Incumbe, no entanto, ao Estado, quando falha a autocensura, zelar para que não se agridam os valores éticos, sociais e religiosos das pessoas e da família. Pretensos valores estéticos não podem ferir direitos alheios nem subsistir sem o necessário respeito aos valores morais.

A referência maior é a dignidade da pessoa, a ser sempre salvaguardada, tanto no direito ao trabalho como no respeito pleno às convicções religiosas de cada um.

O início do mês de maio, dedicado à Nossa Senhora e à festa de São José Operário, há de inspirar em nós o amor fraterno e a coerência em promover vida digna para todos.

Dom Luciano Mendes de Almeida escreve aos sábados nesta coluna.’



PRIMEIRA PÁGINA
Marco Antonio Villa

‘Primeira Página’ passa como se fosse um filme da história

‘Passar por 85 anos dá uma sensação estranha: as ideologias políticas, os grandes fatos (muitos ficaram pequenos no futuro), os grandes personagens (alguns esquecidos e bem esquecidos) vão passando como se fossem um filme. Lá estão Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao Tse-tung, Getúlio Vargas, mas também Balbino José dos Santos, o primeiro passageiro do metrô paulistano, que chegou às 5h na estação Jabaquara, para, uma hora depois, ser o primeiro a atravessar a catraca naquela sexta-feira fria de setembro de 1975.

Um menino saúda com o polegar erguido um carro transportando tanques em um subúrbio de Buenos Aires. Era o golpe militar de março de 1976 que derrubou a presidente Maria Estela Martinez de Perón, a Isabelita, e que instituiria a ditadura mais sanguinária da história portenha. Quem era o menino? Estará vivo? Se estiver, será que mantém o polegar erguido para os golpistas?

Enquanto São Paulo foi marcado pelos grandes incêndios (Volkswagen, 1970; Andraus, 1972; Joelma, 1974), na Polônia, em 1970, o Exército à bala -e com dezenas de mortos- tomou os estaleiros de Gdynia, onde milhares de operários protestavam contra o aumento do custo de vida. Já no Brasil, o general Siseno Sarmento, comandante do 1º Exército, garantia que a normalidade do país não estava abalada e o presidente Médici dizia que foi ‘o maior dia da minha vida’ o domingo em que a seleção brasileira venceu a Itália e conquistou o tricampeonato. Entusiasmado, saiu do Palácio e foi ao encontro dos populares que o aguardavam. Fez embaixadas e depois foi carregado pelos torcedores. Parecia que Sarmento tinha razão, porém, o Congresso Nacional tinha ficado fechado meses e embaixadores eram seqüestrados para que, em troca, fossem libertados presos políticos.

Nos últimos 25 anos, o país foi varrido por momentos de grande euforia política. A campanha das Diretas-Já foi um dos maiores. O ato da praça da Sé dava o tom do que seriam os próximos meses. Diz a Folha: ‘O povo se manifestou, cantou, dançou; trouxe bandeiras, vestiu camisetas. Vaiou, aprovou. E nem a chuva, que por três horas fustigou o comício, consegui dispersá-lo’. Três meses depois, no vale do Anhangabaú, encerrou-se a campanha com o maior comício da história do Brasil. Mas o regime resistia.

Se a emenda foi derrotada, o desejo de restabelecimento da democracia permanecia ainda mais forte. A candidatura Tancredo Neves, a vitória no Colégio Eleitoral, dava o tom de euforia. Enfim iria acabar a ditadura. E veio a surpresa da internação, das cirurgias e da morte, em 21 de abril. Dez meses depois, nova euforia: o Plano Cruzado. Após as eleições de novembro, nova decepção. Dois anos passam, e mais euforia: a promulgação da Constituição. O presidente Sarney proclamou juras à Carta, mas antes contratou dezenas de funcionários públicos sem concurso e criou centenas de cargos de confiança. Tão Brasil.

Em 85 anos, os conflitos mundiais foram mudando: as ideologias políticas laicas foram perdendo importância e a presença do fundamentalismo religioso foi assumindo o primeiro plano da cena. Já a política interna brasileira, pouco mudou. O general Figueiredo, ainda candidato à Presidência, em entrevista para a Folha disse: ‘A opinião pública não existe, vocês [os jornalistas] é que a formam. Se vocês quiserem, vocês mudam a opinião pública’.

Ouvíamos algo parecido nestes tristes dias que vivemos. Mas foi no futebol que a história ficou congelada. Campeonato Paulista, 1978. Corinthians x Guarani: 2 a 2. Jogo equilibrado. Aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, o juiz marcou um pênalti duvidoso. Para quem? Para o Corinthians, é claro. O lateral Zé Maria bateu e converteu.

É, a história sempre se repete: e como tragédia.

Marco Antonio Villa é professor de história da Universidade Federal de São Carlos (SP) e autor, entre outros livros, de ‘Jango, Um Perfil’ (Globo)’



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Sexta edição traz as 223 capas mais importantes

‘‘Folha de S.Paulo – Primeira Página’ reúne as 223 capas mais importantes da história da Folha. Lançado originalmente em 1985, o livro ganhou agora sua sexta edição, com atualização do projeto gráfico realizada por Eliane Stephan, designer que criou o visual da capa e fez modificações no desenho das páginas internas. Stephan diz que havia a intenção de ‘trabalhar na capa com a idéia da colagem, da fragmentação, como é a notícia’. Também foi substituída a fonte das páginas internas. Stephan é autora da reforma gráfica ocorrida na Folha em 1996.

Para esta edição foram excluídas páginas que ficaram menos importantes historicamente e incluídas outras, mais recentes. A seleção das capas foi feita por Carlos Kauffmann, gerente do Banco de Dados do jornal, e por Vinicius Mota, editor de Opinião da Folha. Kauffmann diz que a mudança procurou ‘contemplar os vários focos de interesse do jornal’. Segundo ele, as atualizações seguiram o espírito das primeiras edições. ‘Não houve uma mudança de olhar, mas a continuação de um trabalho, como se estivéssemos revisando o passado com outro olhar histórico. Recompilamos o que havia de importante.’

Para Vinicius Mota, o projeto continuou sendo o das edições anteriores, ‘privilegiar as capas que tenham impacto no país, na humanindade, que perduraram para além daquele dia. Esse foi o princípio soberano’.

Outro critério, segundo Mota, foi o equilíbrio entre períodos. ‘Este é um livro que pretende ter uma relevância historiográfica, um jeito de a Folha contar através das suas páginas a história do país e do mundo.’

A primeira capa representada é de 1921. As páginas mostram a evolução gráfica do jornal. De uma diagramação pesada, sem fotos e pouca hierarquização dos assuntos, às soluções gráficas mais recentes, com imagens grandes, infográficos e chamadas que sintetizam os assuntos da edição.

Folha de S.Paulo – Primeira Página Editora: Publifolha Quanto: R$ 69 (240 págs.)’



POLÍTICA CULTURAL
Silvana Arantes

Lei Rouanet financia compra de ingressos

‘Além da produção de espetáculos culturais, a Lei Rouanet passará a financiar também a compra de ingressos por empresas, para distribuição ao público.

O Ministério da Cultura deverá ser informado do público a quem a empresa pretende distribuir os ingressos e aprovar a ação.

A compra não pode abranger a totalidade dos ingressos disponíveis, mas apenas uma parcela da lotação das casas.

Nas regras anteriores da lei, as empresas podiam usar esse benefício apenas para distribuição de ingressos aos seus empregados.

O novo decreto acrescenta também a possibilidade de uso de dinheiro público (por meio da lei) para subsidiar preços de ingressos (de espetáculos não-beneficiados pela lei).

Ou seja, em vez de investir na etapa da produção, o patrocinador destina o dinheiro à comercialização dos ingressos, promovendo a redução do preço cobrado ao consumidor final.

O objetivo da medida, segundo o MinC, é aumentar a freqüência de público e, por conseguinte, a parcela da população que usufrui dos produtos financiados pela lei.

O decreto também estabelece que constem dos programas projetos e ações realizados com recursos incentivados ‘formas de acessibilidade a pessoas idosas e portadoras de deficiência’.

Além da preocupação com o aumento de público dos produtos incentivados pela renúncia fiscal, o decreto expressa a intenção de incrementar o controle dos gastos. No ano passado, o governo destinou R$ 677,1 milhões a projetos aprovados pela Lei Rouanet. Um total de 2.383 projetos foram autorizados a obter patrocínio utilizando a lei em 2005.

O MinC passa a ter mais instrumentos para acompanhar a aplicação do dinheiro público durante a realização dos projetos.

Os produtores de projetos beneficiados, por sua vez, terão de prestar contas dos resultados, demonstrando o alcance dos objetivos previstos na proposta inicial.

O Ministério da Cultura deve produzir um relatório anual de avaliação ‘dos programas, projetos e ações culturais referidos’ no decreto de ontem. O relatório será avaliado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na tomada de contas que faz do Ministério da Cultura regularmente, a cada ano.

Entre as novas regras de uso da lei, consta também a que limita o uso do dinheiro público para pagamento de despesas administrativas a 15% do total do orçamento dos programas incentivados.’

Folha de S. Paulo

Sá Leitão deixa MinC e vai para o BNDES

‘Pivô da polêmica com o poeta Ferreira Gullar que causou barulho no meio cultural e artístico no fim de 2005, o jornalista Sérgio Sá Leitão vai deixar a Secretaria de Políticas Culturais, do Ministério da Cultura, para assumir um cargo como assessor especial do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), Demian Fiocca.

A saída de Leitão da pasta comandada pelo ministro Gilberto Gil ainda não foi oficializada, mas já é dada como certa entre os servidores do Ministério da Cultura. Ontem, Leitão deu expediente em Brasília e deveria, no fim da noite, participar de um evento público ainda como secretário.

O jornalista passou o dia reunido com Gilberto Gil no gabinete do ministro. Até o fechamento desta edição, ele não havia comentado à Folha para os motivos de sua saída da secretaria.

Leitão envolveu-se num embate público com Ferreira Gullar depois que o poeta, ao participar de uma sabatina promovida pela Folha em 21 de dezembro passado, criticou a gestão de Gil frente ao ministério.

Na oportunidade, Gullar disse que ouvia ‘reclamações de diferentes áreas de que [Gilberto Gil] não está cumprindo bem seu papel’. Completou: ‘Houve centralização que não sei se continua’.

Para rebater às críticas de Gullar, Leitão escreveu uma carta aberta ao jornal: ‘(…) Não deixa de ser curioso um comunista criticar algo ou alguém por uma suposta ‘centralização’. A ‘centralização’ não era a marca registrada dos finados regimes stalinistas dos quais Gullar foi e segue sendo um defensor?’.

O cantor e compositor Caetano Veloso foi um dos primeiros artistas em sair em defesa de Ferreira Gullar: ‘Se um ministério demonstra não aceitar críticas -pior: exige adesão total a suas decisões-, estamos sim a um passo do totalitarismo’.’



CÓDIGO DA VINCI
Folha de S. Paulo

Código do veredicto de Brown é desvendado

‘A mensagem cifrada que o juiz britânico Peter Smith colocou no veredicto que inocentou Dan Brown, autor de ‘O Código Da Vinci’, da acusação de plágio, foi decodificada. O segredo não envolvia, no entanto, nenhuma teoria conspiratória, mas uma simples referência a um almirante da Marinha Real.

O código, que consistia de letras em itálico espalhadas ao longo das 71 páginas do documento, foi desvendado pelo advogado Dan Tench e é baseado na seqüência Fibonacci, uma progressão matemática discutida no livro de Brown. ‘Depois de muitas tentativas e erros, encontramos uma fórmula que se encaixava’, disse Tench, que revelou a mensagem ao jornal britânico ‘The Guardian’: ‘Jackie Fisher, who are you? Dreadnought’ [Jackie Fisher, quem é você? Couraçado].

Smith é um notório fã da Marinha, e Fisher foi um almirante que desenvolveu o conceito de um navio de guerra gigantesco, chamado HMS Dreadnought, no começo do século 20.

Tench disse que o juiz escreveu um e-mail para ele confirmando que a mensagem estava correta.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

Discovery produz ‘reality show’ no Brasil

‘O Discovery Channel, um dos canais mais vistos da TV paga, está produzindo em São Paulo e em Florianópolis três episódios do ‘reality show’ americano ‘Rides’, de ‘tuning’ (transformação e personalização de carros).

Os programas estão sendo produzidos pela Endemol Globo. O canal, que conta com o patrocínio de uma montadora, está investindo do próprio bolso (o que é raro) _não está usando recursos vinculados à Ancine (Agência Nacional do Cinema).

Em São Paulo, estão sendo gravados dois ‘Rides’. Um deles está transformando um Corsa em um carrão conversível. O outro prepara um Maverick ano 1974 para uma competição de arrancadas em Curitiba. Em Florianópolis, uma S-10 está sendo reformada para participar de um rally.

Os programas fazem parte de uma série latino-americana de ‘Rides’, que terá gravações também no México e na Argentina e irá ao ar até o final do ano.

O Discovery também finaliza a produção de um documentário sobre o espetacular assalto ao Banco Central em Fortaleza, ocorrido em agosto de 2005. A produção é da britânica Tiger Aspect. Conta com recursos de computação gráfica e até reconstituição, em estúdio, de parte do túnel escavado pelos assaltantes.

O programa também não é incentivado pela Ancine. Irá ao ar no mundo todo, exceto Estados Unidos, no final deste ano.

OUTRO CANAL

Marujo 1 O repórter Tino Marcos e uma equipe de reportagem da TV Globo viveram na semana passada uma aventura involuntária em alto-mar. Foram fazer uma reportagem para um ‘Globo Repórter’ sobre a Copa do Mundo, em um petroleiro da Petrobras que tem um campo de futebol.

Marujo 2 O combinado era o petroleiro deixar a baía de Guanabara e seguir para o oceano. Pouco depois, Tino Marcos e equipe seriam resgatados por uma lancha da Petrobras. Mas o mar ficou agitado. Nem lanchas nem helicópteros podiam chegar ao petroleiro, que também não podia retornar por falta de dirigibilidade.

Marujo 3 O capitão do navio tentou então desembarcar os jornalistas em Vitória, mas lá o mar também estava muito bravo. A solução foi seguir até Salvador, onde a aventura terminou três dias depois _e os repórteres com a mesma roupa que usavam quando deixaram o Rio.

Ladeira Para desespero de suas afiliadas, Silvio Santos fez mais uma mudança no SBT da noite para o dia, sem aviso. Anteontem, tirou do ar o ‘Programa do Ratinho’ _que volta agora no dia 8, apenas às segundas, no antigo horário de Hebe Camargo. Tem afiliado que já teme ver sua rede ser ultrapassada pela Band no Ibope _o que só não ocorre porque falta dinheiro à concorrente.’



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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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