Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > CICLO EM CAMPINAS

Fronteiras do conhecimento

04/10/2005 na edição 349

‘O jornalismo sitiado: como a imprensa perde seu espaço na função de mediar o debate público na democracia’ é o tema de um ciclo promovido em Campinas.

O jornalismo é irmão gêmeo da democracia moderna. Foi gerado naturalmente, não de modo premeditado ou, pelo menos, não de forma inteiramente calculada por sujeitos racionais. Ele nasce na dinâmica dos movimentos nacionais baseados na idéia de que o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Atividade pública – que se origina do público e se dirige para o público –, ele cumpriria a tarefa de mediar o debate público, propiciando ao cidadão acesso às informações e às opiniões necessárias para que ele formasse livremente a sua opinião e, a partir dela, delegasse o poder. Com isso, a roda democrática entraria no seu ciclo virtuoso.

Desde logo, o jornalismo evitou assumir a condição de atividade estatal; para assegurar-se de sua independência, era preciso que ele fosse capaz de olhar o poder a partir de um ponto de vista externo e, assim, organizou-se como empresa privada. A partir do século 19, os jornais se tornaram um negócio de vulto. A venda da publicidade e o incremento da indústria gráfica e das ferrovias permitiram a ampliação das tiragens e da base de leitores, assim como engendraram o alargamento dos espaços públicos.

Não obstante sua natureza de negócio privado, a imprensa nunca foi simplesmente um fenômeno de mercado, mas uma conquista política que se viabilizou por meio das relações de mercado. A liberdade de expressão e o direito à comunicação e à informação constituem a base de princípios sobre a qual o edifício da imprensa se ergueu. Dentro do projeto democrático, o jornalismo tem a incumbência de informar com independência o cidadão sobre os assuntos que a ele interessam e lhe cabem por direito. Sem o jornalismo, portanto, a democracia não funciona. Do mesmo modo que, sem democracia, não pode haver imprensa livre.

Perfil dos curadores

Eugênio Bucci é jornalista, crítico de televisão e Presidente da Radiobrás. Entre seus livros mais recentes estão Sobre Ética e Imprensa, da Editora Companhia das Letras, DO B, Editora Record, e Videologias, da Editora Boitempo.

Sidnei Basile é professor de Jornalismo Econômico da Faculdade Cásper Líbero dede 2000. Diretor-superintendente das revistas Exame e Você S.A., ambas da Editora Abril.

Programação

05/10 – Imprensa, mercado e projeto democrático – Expositor: Eugênio Bucci, da Radiobrás; debatedor: Sidnei Basile, Você S/A e Exame.

12/10 – Dos meios de comunicação de massa às relações públicas generalizadas – Expositor: Mauro Wilton, revista Novos Olhares; debatedor: Eugênio Bucci, Radiobrás

19/10 – Concentração de capital nos conglomerados transnacionais: a absorção do jornalismo – Expositor: Venício de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB; debatedor: Nelson Blecher, Exame

26/10 – Blogs, diversidade e a nova ‘imprensa alternativa’ do jornalismo online – Expositor: Mario Tascon – jornal eletrônico El Mundo (Espanha); debatedor: Wagner Barreira, Você S/A

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