Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ARMAZéM LITERáRIO > ENTREVISTA / EVGENY MOROZOV

‘Graças à internet, regimes fracos vão morrer mais rápido’

Por Letícia Sorg em 01/03/2011 na edição 631

Evgeny Morozov nasceu em Soligorsk, Belarus, em 1984. Mora desde 2008 nos EUA, atualmente em Palo Alto, Califórnia, onde é pesquisador visitante na Universidade Stanford. O jornalista bielorusso, autor do livro The Net Delusion: the dark side of internet freedom (A desilusão da rede: o lado obscuro da liberdade na internet), analisa o potencial e os limites do ativismo digital à luz dos protestos no mundo árabe. É autor do blog Net Effect, da revista Foreign Policy, e do livro The net delusion (2011).

***

‘Os egípcios não poderiam imaginar a rede como uma dissidência’

O senhor afirma que a internet tem um poder político limitado, que pode ser usado a favor de governos ditatoriais. Os últimos eventos no mundo árabe fizeram-no mudar de opinião?

Evgeny Morozov – Não muito. Os regimes fracos vão cair, com ou sem a internet. Que ela tenha ajudado no caso do Egito e da Tunísia é ótimo – mas não devemos nos esquecer que os governos que caíram não eram exatamente peritos em controlar a internet – Hosni Mubarak nem baniu sites no Egito. O triunfalismo prematuro sobre o poder da internet pode nos distrair de fazer as perguntas mais difíceis sobre o papel que as empresas e o governo americanos têm de maximizar o potencial democrático da rede. Olhando por essa perspectiva, a cyber-utopia não será muito útil.

A idade dos líderes mais ameaçados pelos protestos – Mubarak (82 anos), Ben Ali (74) e Muamar Gadhafi (68) – pode explicar a dificuldade de seus governos de lidar com a internet?

E.M. – Certamente ajuda ter líderes mais jovens, como na Rússia e na China. Eles têm uma relação muito mais próxima com a tecnologia – o presidente russo Dmitri Medvedev, por exemplo, tem Twitter, blog, grava vídeo e podcast. A inabilidade de Tunísia, Egito e Líbia em dominar a internet não tem a ver com a idade de seus líderes, mas com natureza de seus regimes: eles não se adaptaram à globalização – e isso incluiu ignorar o poder da internet. Isso explica por que os egípcios foram tão inábeis em controlar os grupos anti-Mubarak no Facebook. Eles não poderiam imaginar a rede como uma dissidência. Estamos lidando com situações completamente diferentes na Rússia ou na China, onde os regimes são muito mais modernos, globalizados e adeptos ao controle da rede. Se houvesse um grupo semelhante na China, as autoridades estariam monitorando desde o primeiro dia. E são grandes as chances de um grupo assim não durar muito na China. No Egito, sobreviveu por sete meses ou mais, ajudando a levar as pessoas para as ruas.

‘A internet em situações de emergência, como revoluções’

Qual será o papel da juventude no poder depois da queda dos ditadores?

E.M. – É muito cedo para dizer. Certamente os novos governos democráticos do Egito e da Tunísia vão querer demonstrar sua disposição para ouvir aos jovens, ao menos porque eles derrubaram o governo anterior. Podemos, então, esperar nomeações simbólicas de blogueiros como ministros, como aconteceu na Tunísia, por exemplo. Será que isso vai mudar a forma como os governos tratam os jovens? Espero que sim. Mas, novamente, é uma mudança motivada pela demografia, não pela internet.

Até onde sabemos, os protestos na Tunísia e no Egito parecem ter sido fomentados via internet. O senhor concorda?

E.M. – Dizer que os protestos nos dois países foram ‘fomentados’ pela internet é como dizer que a revolução bolchevique de 1917 foi fomentada pelo telégrafo. Revoluções são eventos complexos que dificilmente podem ser reduzidos a uma só causa, ainda mais a uma tecnologia. Da história, nós sabemos que os revolucionários se aproveitarão de quaisquer meios de comunicação à disposição – do correio ao telégrafo em 1917, na Rússia, às gravações de áudio no Irã em 1979. Então, de certa forma, é normal ver um certo nível de atividade nas mídias sociais numa revolução que aconteça nos dias de hoje: o que mais nós esperaríamos quando há tantas pessoas online? Porém, argumentar que a internet seja de alguma forma o condutor ou a causa dos protestos me parece absurdo. Graças à internet, regimes fracos que estão fadados à morte vão morrer mais rápido, mas é possível que regimes fortes usem a internet para se tornar ainda mais fortes.

O senhor se surpreendeu com a decisão do presidente egípcio Hosni Mubarak de interromper o acesso à internet e o serviço de telefonia celular durante alguns dias?

E.M. – Não. Isso é o que acontece durante a revolução: as partes contenciosas tentam ganhar o controle total dos meios de comunicação. Por que elas fazem isso, varia. Algumas vezes, é para dificultar o vazamento de imagens e vídeos dos protestos para os outros países. Algumas vezes, é para dificultar a organização das manifestações. Em outros casos, ainda, é provavelmente para intimidar os manifestantes em potencial ao dizer a eles que o regime está ansioso em tomar medidas drásticas, como cortar meios de comunicação. Eu não tiraria muitas conclusões sobre o papel da internet olhando para como ela é usada durante situações de emergência como revoluções; em eventos como esse, todas as mídias desempenham um papel que é bem diferente do que têm em circunstâncias normais. Isso se aplica a toda a mídia, não somente à internet.

‘Seria ingênuo olhar com lupa a internet’

Mubarak demorou demais para perceber o que estava acontecendo online?

E.M. – O erro de Mubarak foi negligenciar por muito tempo os grupos no Facebook. Se o seu serviço de segurança tivesse começado a prestar atenção a isso mais cedo, ele teria conseguido gerenciar o levante com mais sucesso.

O que é ativismo online?

E.M. – É importante fazer uma distinção entre ‘ativismo online’ – pessoas que fazem abaixo-assinados, pedem doações ou mudam a foto de seu perfil para apoiar uma causa – daquelas que usam a internet para falar de protestos que estão acontecendo no mundo real. São dois tipos diferentes de ativismo. E o último é apenas o bom e velho ativismo se apropriando dos novos canais de comunicação.

Na sua opinião, o Egito provou que é possível haver um movimento político nascido nas mídias sociais?

E.M. – Não. Apenas porque os desdobramentos das mídias sociais são aqueles mais fáceis de observar não significa que não haja outras forças políticas e sociais por trás das manifestações. Se você fosse pesquisar mais a fundo, veria que associações de trabalhadores, grupos civis, advogados, intelectuais e muitas outras forças se reuniram no Egito. Além disso, muitos dos grupos originais do Facebook que tiveram influência nos protestos existiam há anos e haviam sido criados para apoiar protestos organizados por trabalhadores em greve. Então seria ingênuo deixar de lado o contexto social e político e olhar com lupa a internet.

‘Seria contraproducente argumentar que os ativistas vão sair ganhando’

É possível que surja um líder a partir da internet?

E.M. – A web tem um grande poder de marcar as coisas. Seria fácil estabelecer a reputação de um líder usando ferramentas online. Mas é importante lembrar que 20% da população do Egito tem acesso à internet. Então, não é possível esperar que esse líderes online serão naturalmente aceitos pela população como um todo.

A China decidiu censurar mensagens relacionadas ao Egito. Por quê?

E.M. – Essa é fácil: porque revoluções são contagiosas e a China gosta de censurar.

O Google e o Twitter anunciaram um serviço de mensagens de voz para permitir que os egípcios burlassem a decisão do governo de limitar o acesso à internet. Devemos ver mais ações desse tipo?

E.M. – Enquanto elas geraram publicidade de graça para o Vale do Silício, sim. Mas há muitas outras coisas que o Google e o Twitter poderiam ter feito – especialmente em termos de fazer seus serviços mais amigáveis aos ativistas – e não fizeram. Devemos nos manter céticos sobre o compromisso das empresas de tecnologia com a liberdade de expressão e os direitos humanos, e não celebrá-las como campeões dessas causas.

Ter acesso à internet está geralmente ligado à ideia de democracia e liberdade, mas o senhor argumenta que ela pode ajudar as ditaduras. Como?

E.M. – Todos os ditadores dependem do fluxo de informação: precisam saber das ameaças emergentes, da competição entre as elites, precisam ter canais eficientes para espalhar a propaganda, precisam ter um sistema para controlar o que é publicado e discutir o que não é. A internet pode tornar vários desses processos mais eficientes. Ela pode também dar mais poder aos ativistas? Sim. Mas seria contraproducente argumentar que, em qualquer situação concebível, os ativistas vão sair ganhando dos ditadores.

‘A confusão de observadores ocidentais sobre os Estados autoritários’

O senhor diz que a internet facilita a tarefa das ditaduras de vigiar a oposição. Será que a oposição não vai aprender a burlar a vigilância e começar uma corrida de gato e rato virtual com o regime?

E.M. – Espero que isso aconteça – mas enquanto isso não acontece, gostaria de pressionar os governos e as empresas ocidentais a mudar suas políticas de forma a facilitar o ‘esconderijo’. Quando há empresas americana e europeias vendendo toda a tecnologia que os ditadores agora usam para monitorar os dissidentes, acho difícil acreditar que os dissidentes consigam vencer um dia. Além disso, precisamos distinguir entre ativistas ‘profissionais’ e ‘ocasionais’. Claro que aqueles que praticam a dissidência no dia-a-dia estão mais cientes dos riscos que correm e sabem os pontos fracos das mídias sociais. Mas não tenho certeza se o mesmo acontece com os ‘ativistas ocasionais’ – aqueles que se juntam a um grupo no Facebook porque seus amigos estão lá ou que repassam uma mensagem no Twitter. A promessa inicial da mídia social era que os dissidentes profissionais conseguiriam ter contato com os dissidentes ocasionais – mas as capacidades de vigilância cancelaram algumas dessas promessas.

O senhor nasceu na Belarus, onde os protestos organizados pela juventude não conseguiram derrubar o ditador, o presidente Alexander Lukashenko. Essa experiência limitou sua visão sobre o ativismo e a internet?

E.M. – Não diria que ‘limitou’ – diria que ‘enriqueceu’! Crescer em um Estado autoritário e comparar a minha experiência com o que eu li sobre autoritarismo na literatura acadêmica ocidental e na imprensa popular me convenceu de que há severas limitações de como esses regimes estão sendo imaginados e conceitualizados no Ocidente. Há uma tendência de ver todos os ditadores como ludistas burros que não querem lutar pela sobrevivência. Por outro lado, há uma tendência de ver todos os cidadãos de Estados autoritários como equivalentes de Andrei Sakharov (defensor dos direitos humanos na antiga União Soviética, ganhou o Nobel da Paz em 1975) ou Vaclav Havel (defensor da resistência não-violenta que se tornou o primeiro presidente da República Tcheca), com muitas pessoas achando que a primeira coisa que esses cidadãos fazem quando se conectam é navegar pelos relatórios mais recentes dos Vigilantes dos Direitos Humanos. Dada a confusão de muitos observadores ocidentais sobre os Estados autoritários, não é surpreendente que eles não entendam direito qual é o papel da internet.

‘A propaganda tem muitos usos e propósitos’

O Twitter foi considerado uma ferramenta importante nos protestos de 2009 no Irã, mas depois descartado. Por quê?

E.M. – O que vimos em 2009 foram os especialistas ocidentais e a mídia projetando suas próprias fantasias e sonhos sobre o papel que a internet e o Twitter poderiam ter. Na realidade, o Twitter não foi amplamente usado para organizar os protestos em Teerã – simplesmente porque não havia muito poucos iranianos no Twitter naquela época (mas a maioria dos repórteres não se deu ao trabalho de checar). Isso não significa que a internet ou a mídia social não possam ser usados para organizar protestos – vimos isso acontecer no Egito mas, mesmo antes disso, na Colômbia. Só que os observadores ocidentais têm uma tendência de aumentar a influência da mídia social para além da sua proporção. Afinal de contas, quando uma empresa privada americana financiada por investidores está sendo usada para espalhar a palavra da democracia e dos direitos humanos ao redor do globo manda uma mensagem reconfortante sobre o estilo naturalmente bom do capitalismo dos Estados Unidos!

Será que a mídia social não é mais importante fora do que dentro do país onde estão acontecendo os protestos?

E.M. – A importância é um conceito relativo – certamente, para os egípcios, agora é de primeira importância para organizar os protestos, não porque os outros estão assistindo (embora isso não prejudique a sua causa). O fato de que o mundo inteiro estava lendo os tweets dos iranianos não fez o governo adotar uma estratégia pacífica: eles ainda assim partiram para cima dos oponentes – e de maneira implacável.

Os regimes são eficientes no uso da internet como propaganda?

E.M. – Diria que são bem eficientes. A propaganda tem muitos usos e propósitos: é usada não apenas para manter uma certa ideologia, mas também para responder com mais eficácia a escândalos de menor escala e explosões de raiva pública. A China realmente dominou essa tecnologia: sempre que um blogueiro descobre qualquer escândalo, o governo não censura imediatamente. Em vez disso, eles tentam usar blogueiros pró-governo (disfarçados de ‘vozes do povo’) para fazer o trabalho de contenção de crise.

‘A natureza da rede torna difícil chegar a soluções razoáveis’

A web pode ser tão eficaz para os ativistas?

E.M. – Há uma tendência nos círculos tecnológicos de pensar que a internet nivela o campo de jogo e que o desafiante pode se tornar tão poderoso quanto o favorito. Eu não compro essa ideia. Em muitos Estados autoritários, os regimes têm um controle muito melhor da mídia tradicional e usam esse controle para dar destaque aos seus blogueiros favoritos – ou, no caso da Rússia, para dar a esses blogueiros seus próprios programas na TV, que os ajudam a aumentar ainda mais sua audiência. Enquanto os governos puderem investir mais nesse novo jogo de mídia, eles provavelmente terão mais benefícios com ele.

Qual é a relação entre as empresas de tecnologia e os governos – democráticos ou não? As empresas são vulneráveis aos pedidos do poder?

E.M. – As empresas de tecnologia são tão vulneráveis aos pedidos do governo quanto o são às leis. Teoricamente, não há nada de extraordinário oficiais de justiça pedirem certas informações de usuários a empresas de tecnologia – desde que seguindo o processo legal necessário. Uma questão muito mais interessante é como o governo americano deveria se relacionar com o Vale do Silício. Por um lado, é muito tentador (para Washington, pelo menos) explorar o fato de que o Facebook, o Google e o Twitter são empresas americanas e forçá-las a se comportar de forma a ser conveniente para os interesses políticos dos Estados Unidos. Por outro lado, ditadores também reconheceram que essas empresas são americanas e que, embora aleguem oferecer serviços relativamente inocentes, podem acabar agitando revoluções que podem, no fim, beneficiar os americanos (os iranianos valorizaram muito esse argumento). Isso cria inúmeros problemas, em parte porque os governos autoritários tentarão minimizar o impacto que as empresas americanas de tecnologia têm em seus mercados internos e irão frustrar a marcha global do Facebook, do Twitter e do Google, tentando substituí-los por alternativas domésticas sempre que possível.

Há democracias preocupadas em controlar o acesso à internet?

E.M. – Certamente. Não consigo pensar em democracias que não estejam tentando controlar certos aspectos da internet. Frequentemente, esse controle é feito por motivos legítimos – há leis (sobre privacidade, pornografia infantil etc.) que tornam imperativo que o governo mantenha uma vigilância da rede. Temos um Estado de direito nas democracias e não é porque a internet é difícil de influenciar que devemos aboli-lo. Algumas vezes, contudo, a natureza peculiar da arquitetura da rede torna muito difícil chegar a soluções razoáveis – isso é o que realmente irrita as autoridades. Nos Estados Unidos, por exemplo, as agências de seguranças têm tentado convencer as empresas do Vale do Silício a construir portas secretas em seus programas para facilitar o monitoramento de conversas. Talvez isso seja um pouco demais. Além disso, esse tipo medida em democracias permite que líderes autoritários apontem para os Estados Unidos e digam: bom, se está acontecendo lá, por que não pode acontecer aqui?

‘Deveríamos ajustar nossas expectativas’

Julian Assange, do WikiLeaks, afirma que vazar informações sigilosas pode fortalecer a democracia. O senhor concorda com ele?

E.M. – O argumento dele é que os vazamentos podem fomentar a transparência, não a democracia. As teorias dele têm algumas limitações: é muita utopia dele pensar que vazar informações sigilosas pode alterar significativamente regimes autoritários. Pode alterar regimes democráticos porque é mais fácil constrangê-los através dos jornais, das novas mídias ou da sociedade civil. Em regimes autoritários, porém, os vazamentos podem ter um papel bem menor porque o fator constrangimento é menor. Além disso, os vazamentos sobre os Estados democráticos podem indiretamente reforçar governos autoritários. Por exemplo, no vazamento das correspondências diplomáticas americanas, os governos do Zimbábue e de Belarus conseguiram desacreditar a oposição pró-Ocidente dizendo que ela aceita dinheiro de Washington. Os vazamentos podem ser usados pelos dois lados.

O senhor afirma que a maioria das pessoas usa a internet como entretenimento e, portanto, ela não é uma ferramenta política. O mesmo poderia ser dito dos livros. O uso como entretenimento prejudica o valor político da rede?

E.M. – Para mim, o argumento sobre entretenimento só me interessa na medida em que ajuda a derrubar o mito de que todos os chineses, russos e iranianos vão imediatamente para os sites de direitos humanos e ONGs, em vez de navegar em sites que oferecem filmes de Hollywood de graça. Há essa expectativa – que tem a ver com a glamourização das pessoas que vivem sob regimes autoritários – de que a internet é, acima de tudo, uma plataforma política. Sei que esse não é o caso e é por isso que pesquisei exemplos na história da mídia de alegações semelhantes. Na Alemanha Oriental sob o comunismo, por exemplo, muitas pessoas tinham acesso à TV ocidental. Mas, ao contrário do que a maioria das pessoas nos EUA pensa, os alemães orientais não assistiam ao noticiário, mas às novelas. Pesquisas mostram que as zonas geográficas que tinham acesso à TV ocidental tinham, na verdade, taxas mais baixas de descontentamento do que nas regiões onde ela não estava presente. Servir como entretenimento é uma característica comum a outras tecnologias e mídias – e nós, no Ocidente, deveríamos ajustar nossas expectativas.

******

Jornalista

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem