Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ARMAZéM LITERáRIO > TERÇA-FEIRA, 2/05

Greve de fome de Anthony Garotinho vira reality show

Por Luiz Antonio Magalhães em 02/05/2006 na edição 317


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 2 de maio de 2006


REALITY SHOW DE GAROTINHO
Lilian Christofoletti e Talita Figueiredo


Garotinho transforma greve de fome em ‘reality show’


‘Como se fosse um reality show, a greve de fome de Garotinho está sendo acompanhada por fotógrafos e cinegrafistas através de uma porta de vidro.


A greve, iniciada às 17h15 de anteontem, é uma resposta às denúncias de que as empresas que doaram R$ 650 mil à pré-campanha são de fachada e que outras são ONGs contratadas sem licitação pela Fesp (Fundação Escola de Serviço Público) e beneficiadas com repasses do governo.


A governadora Rosinha Matheus determinou ontem que a Procuradoria Geral do Estado crie uma comissão para apurar as denúncias em relação à contratação e à execução de serviços da Fesp.


Garotinho se mantém numa sala de 15 metros quadrados na sede regional do partido, no centro do Rio. Dispõe de um pequeno banheiro com chuveiro e de um frigobar, onde há apenas água.


No espetáculo que se tornou a greve, o momento de maior dramaticidade foi quando Rosinha chegou acompanhada de seis dos nove filhos do casal, ao meio-dia.


Deitado com a luz apagada, Garotinho não se levantou para recebê-los. Em vez disso, todos se ajoelharam ao lado do sofá e rezaram. A filha Clara, 11, chorou muito. Depois, levantaram-se e abraçaram Garotinho. Ficaram na sala por cerca de 30 minutos.


Às 10h, Garotinho foi submetido a exame médico. Fez ecocardiograma, mediu a pressão, colheu sangue e se pesou. Constatou que já tinha perdido 700 gramas.


A entrada no escritório de pessoas com alimentos foi proibida. No entanto, o controle da entrada não era rígido. Na sala de seus assessores, com acesso à sala em que ele permanece, diversas pessoas entraram com sacolas e bolsas de todos os tamanhos.


O economista Carlos Lessa, responsável pelo programa econômico do PMDB, chegou às 11h15 e defendeu o protesto. O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azedo, concordou com as críticas de Garotinho aos meios de comunicação e disse que o instrumento escolhido pelo pré-candidato para protestar ‘é muito doloroso’.


As condições de Garotinho para abandonar a greve são o acompanhamento do processo de eleição por organismos internacionais -ontem ele afirmou ter enviado a solicitação à OEA (Organização do Estados Americanos)- e que os veículos de comunicação, especialmente a revista ‘Veja’ e o jornal ‘O Globo’, cedam a ele o mesmo espaço das denúncias.


Por volta das 18h, ele leu um comunicado em que novamente criticou a imprensa e agradeceu às manifestações de apoio.


Ironia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou a greve de fome anunciada pelo ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), que entrou em jejum exigindo supervisão internacional das eleições e direito de reposta às denúncias publicadas contra ele.


‘Se entrasse em greve de fome cada vez que a imprensa falasse mal de mim, eu seria natimorto. As pessoas precisam aprender a conviver democraticamente’, afirmou Lula ontem, em São Bernardo do Campo, onde participou da Missa do Trabalhador.


Lula disse que, às vezes, fica ‘chateado’ e reclama de notícias divulgadas. ‘Mas entendo que, quanto mais livre a imprensa for, mais forte é a democracia.’


O protesto de Garotinho foi criticado pelo presidente do seu partido, o deputado Michel Temer. ‘Não me parece muito adequada essa greve de fome. Ele se coloca na posição de grevista dessa natureza para obter espaço na imprensa’, disse em entrevista à CBN.


Já o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), culpou Lula pela greve de fome de Garotinho. Segundo Tasso, Lula ‘usa a máquina do poder para interferir no PMDB’ por meio da ‘oferta de cargos, vantagens e benesses’. ‘Isso é antidemocrático, imoral e antiético. Entendo a reação do Garotinho, mas não a aprovo.’


Questionado sobre a opinião de Tasso, o pré-candidato Geraldo Alckmin, respondeu: ‘É possível, é possível. Vejo que o governo age de forma autoritária’. Colaborou a Agência Folha, em Araripina’


Sergio Torres


Entidades são filiadas a cooperativa de crédito


‘Empresas e sócios envolvidos no escândalo das doações ao presidenciável Anthony Garotinho (PMDB) integram uma cooperativa de crédito autorizada pelo Banco Central a funcionar no Rio nos moldes de um banco (oferece talão de cheque, cartão de crédito, contas corrente e de poupança).


A Infocrerj (Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Profissionais de Informática do Rio de Janeiro) foi fundada em 2000 por Luiz Antônio Motta Roncoli, seu primeiro presidente. Ele é sócio da Virtual Line, empresa que doou dinheiro a Garotinho e é cooperada à Infocrerj.


Roncoli atua ainda em empresas e ONGs beneficiadas com contratos milionários firmados sem licitação com o governo Rosinha Matheus. A atuação de Roncoli num eventual desvio de dinheiro do erário é investigada pela Procuradoria e pela PF. Ele não foi localizado pela Folha.


Da primeira diretoria da Infocrerj fez parte o empresário Frederico Guilherme de Souza Irapuam Ribeiro Palmeira, sócio da Teldata Telecomunicações e Sistema, maior doadora (R$ 250 mil) da lista apresentada por Garotinho como seus financiadores.


Também já integrou a direção da Infocrerj Pedro Augusto Motta Roncoli, irmão de Luiz Antônio Roncoli e diretor-presidente da Pró-Service Consultoria e Cooperativa de Prestação de Serviços.


A Infocrerj funciona num shopping na Barra da Tijuca. Tem cerca de 950 clientes, segundo o presidente Celso Augusto de Arantes Pereira. Sob a alegação de manter o sigilo dos cooperados, ele não revelou quais empresas e sócios têm vínculo com a cooperativa.


O presidente disse que Roncoli está afastado da direção, embora continue cooperado. O site www.infocrerj.com.br traz fotografias recentes em que ele aparece ao lado dos atuais diretores.


A Folha apurou que, além dos já citados, são vinculados à Infocrerj o IBDT (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento) e seus sócios Nildo Raja (como cadastrado) e Reinaldo Pavarino Júnior (correntista). O IBDT já levou R$ 26,89 milhões do governo do Estado do Rio.’


Janio de Freitas


Garotinho em greve


Os objetivos expostos por Anthony Garotinho para sua greve de fome estão voltados aqui para dentro, mas a lógica de sua atitude só pode estar na repercussão externa.


Condicionar a cessação da greve a ‘uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro’ já deposita muita esperança em um objetivo que não a justifica. Mais ainda, pretender a cessão ‘do mesmo espaço’ nos ‘veículos de comunicação’, para expor a sua ‘verdade dos fatos’, nega o conhecimento que tem da realidade política e dos ‘veículos de comunicação’, além de contradizer a ‘campanha para desconstruir [sua] imagem’, nunca para ajudá-la.


Campanha que, em parte, existe mesmo, embora não pelos motivos citados por Garotinho -sua oposição à política econômica em benefício do sistema financeiro e seu ‘amor pelo povo brasileiro’.


Anthony Garotinho teve uma demonstração imediata de que sua greve de fome não sensibiliza os ‘veículos de comunicação’. Foi neste tom de deboche que a primeira página do ‘Globo’ a noticiou: ‘Bolinha em greve pára de comer’. A greve de fome não explicará o que possa ser explicado (entre as denúncias são evidentes vários açodamentos e outras incorreções jornalísticas), nem sustará a continuada divulgação de indícios de irregularidades, que precisam ser investigadas, na relação do governo Rosinha com certas ONGs.


Curioso é que Anthony Garotinho foi jogado no ciclone por haver criado na internet a prestação de contas, com relação dos doadores, da sua atividade de pré-candidato. A pequena relação originou as denúncias contra alguns dos doadores. O total recebido, em termos de campanha política, é até insignificante, na casa dos R$ 600 mil. Isso a campanha eleitoral de Lula gasta em uma de suas viagens, com segurança, assessorias, preparação local, gastos operacionais do Aerolula, alimentação, centenas de funcionários pagos pelos cofres públicos, mas desviados para fins eleitoreiros.


Anthony Garotinho é beneficiário da arrecadação suspeita, como Lula foi beneficiado pelo valerioduto. Mas nenhuma denúncia responsabilizou Garotinho, até agora, pessoalmente. Como se deu a montagem das doações suspeitas, ou dos contratos que levaram às doações, é uma zona ainda obscura na vastidão do noticiário. O que de mais próximo existe a respeito, por ora, é a versão de que a montagem arrecadadora foi assumida por assessores e correligionários de Garotinho, inclusive com participação de parlamentares. Tudo, porém, está por ser investigado.


Na certa


O ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista a Antônio Gois para a Folha, confirmou o propósito do governo de que as melhores universidades sejam aquinhoadas com mais recursos.


E será que as demais não estão piores porque, entre outros problemas ou principalmente, já lhes têm faltado recursos para melhorarem?


À mão


Presidente do PT, Ricardo Berzoini lança, publicamente, a possibilidade de que o tesoureiro da campanha petista seja buscado fora do partido. O que o PT procura é uma pessoa eficiente na atividade.


Marcos Valério, ora essa. Não é do PT e já conhece os gostos da casa.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


E sobe o preço


‘O feriado seguia a agenda, com as centrais e seus shows sertanejos, com novo ‘ato falho’ de Lula, até aparecer, da Folha Online à Globo:


– Exército ocupa campos de petróleo e gás na Bolívia.


Em segundos a blogosfera brasiliense apontou o dedo para Lula, tratado por Evo Morales como irmão mais velho.


Mais um pouco e o Itamaraty dizia à Globo News que era uma decisão esperada, que só não se conheciam os detalhes.


Entre os detalhes, a cena com a bandeira boliviana sendo fixada por um soldado no alto de uma refinaria da Petrobras.


Do ‘Jornal da Record’ em diante, manchetes e o próprio governo se mostraram mais alarmados. Abrindo o ‘JN’:


– Bolívia nacionaliza campos de petróleo e reservas de gás. Exército começa a tomar posse. Decreto ameaça Petrobras e põe em risco gás para o Brasil.


Entrevistado, o presidente da Petrobras prometeu ‘todas as medidas em todos os níveis para garantir o fornecimento’.


Para o ‘Financial Times’, pouco importa a Petrobras, que citou de passagem, ao lado de Repsol, Total, BP etc.


O problema é a alta no preço. Do diretor de commodities da Merry Lynch, ao ‘FT’:


– É mais um passo na onda de maior controle estatal sobre os recursos, como vimos na Rússia e Venezuela. Os Estados tomam um pedaço maior do bolo, o que se traduz em preços mais altos para o petróleo.


Depois, ele acrescentou:


– É notícia extremamente negativa para o investimento em petróleo no mundo todo.


‘SLIM CONTROL’


O blog Kibe Loco! abriu campanha


Nem Lula nem Evo: a obsessão na blogosfera, inclusive em parte daquela produzida em Brasília, são piadas sobre a greve de fome de Garotinho. Em tudo parece haver piada, na verdade, como quando Michel Temer reclamou à CBN que ‘foi decisão unilateral do Garotinho’ ou Carlos Lessa garantiu ao ‘Jornal da Band’ que ‘ele vai até o fim’.


Foi logo após o blog Kibe Loco! lançar a campanha ‘Desaparece, Garotinho’, de apoio ‘até o fim’. No Noblog, Tutty Vasques dizia que ‘Rosinha bem que podia aproveitar para seu regimezinho, né não’. O acreano Altino Machado sugeriu o mesmo, enquanto o gaúcho Nova Corja saudou o Rio, ‘essência do país’, pela ‘coisa mais sensacional no Brasil desde que eu nasci’. Nem o blog tucano E-Agora se controlou -e Eduardo Graeff postou ‘saída mais prática’, com link para comprar o Slim Control no Polishop.


No humor restrito de Brasília, o blog de Jorge Moreno se declarou ‘em greve de fome!’, mas só até ‘a Juliana Paes ligar’, e foi denunciado por Ricardo Noblat, que o achou ‘no restaurante Antiquarius’.


Diante disso tudo, o peemedebista Jarbas Vasconcelos telefonou para o blog de Magno Martins e outros e, sem piada, propôs a anulação da pré-candidatura:


– Garotinho está expondo o partido ao ridículo.


No ABC


Lula não foi ao show da CUT nem ao da Força. Foi à missa -como faz ‘tradicionalmente’, no dizer da Globo News. Foi um segundo palco de campanha.


E ele fez o de sempre, com ‘ato falho’ sobre a reeleição para as manchetes de TV, sites etc. Foi ‘bastante cumprimentado, por amigos, moradores do ABC’.


O dia foi dele. Até o Congresso em Foco, o principal site com notícias do Legislativo, trouxe na manchete ‘O dia em que Lula parou os militares’. Era artigo de Vicentinho, sobre 1980.


No sertão


Já o tucano Geraldo Alckmin desistiu do show da Força, onde Gilberto Kassab acabou vaiado, e foi tema de uma nota do blog da Agência Nordeste:


– Alckmin chega à cidade de Araripina em instantes, no alto sertão, a 800 km de Recife.


O ‘JN’ foi atrás e reproduziu a ‘photo-op’ do tucano com uma estátua de padre Cícero.


Uma e outra


Da locução global, contando as letras para as ‘festas’:


– Shows e prêmios atraem multidões para comemorações de 1º de Maio organizadas pelas centrais sindicais em São Paulo.


A CUT ‘apostou em cantores famosos para reunir o público de 500 mil’. Quanto à Força, ‘o sorteio de carros e apartamentos e os shows atraíram 1 milhão’.


Jovem Pan e Bandeirantes, ao vivo, também saltavam de uma a outra. Mas foi o portal Terra o mais curioso: transmitiu ao vivo as duas ‘festas’, com imagens por dois canais on-line. É a web.


Demonstração


Nos EUA, foram os ‘latinos’ que fizeram as manchetes de 1º de Maio, como no NYT.com, ‘Imigrantes encenam protestos através dos EUA’. E na legenda de uma foto, no alto da home page, ‘De Queens até Denver, uma demonstração de poder’.’


FOTOJORNALISMO
Carlos Heitor Cony


As faces de Macunaíma


‘Essa tem a ver com os editores de todos os jornais do país. Sempre que o filme ‘Macunaíma’ é lembrado ou citado incidentalmente, a foto que escolhem para ilustrar a matéria é a de Grande Otelo, que, no filme do Joaquim Pedro de Andrade, ocupa se tanto um quinto da história, nascendo negro e ficando branco.


Daí em diante, Macunaíma, na maior parte de suas venturas e desventuras, é interpretado por Paulo José, que nunca é paginado pelos jornais, sendo ele o personagem que vive a maior parte da história do herói sem nenhum caráter.


Nada contra Grande Otelo, grande ator e amigo meu. Alguns de seus últimos trabalhos na TV foram administrados por mim, na finada Rede Manchete, onde eu exercia o estranhíssimo cargo de superintendente de teledramaturgia.


Por osmose, nos suplementos literários que abordam a obra literária de Mario de Andrade, aparecem as fotos do autor e do Grande Otelo -como ilustração oficial do personagem masculino talvez mais famoso de nossa literatura.


Acredito que os editores nada tenham contra Paulo José, um dos melhores atores do cinema e da TV. O problema me parece um erro de avaliação do filme e do livro, achando que o verdadeiro Macunaíma é a sua versão negra, quando, na realidade, ele se tornou símbolo e metáfora da nossa falta de caráter em suas andanças como personagem branco. Para usar o lugar-comum dos anos 80: ‘inserido no contexto’ branco de nossas patifarias e de nossa quebração de cara.


No livro de Mario de Andrade, o negro Macunaíma comete sua mais sensacional façanha quando se transforma em homem branco e, aí sim, passa a ser o verdadeiro herói sem nenhum caráter no qual todos nos reconhecemos.


A troca de fotos é até um lugar-comum dos editores. Quando precisam de uma imagem de Macunaíma (livro ou filme), apanham a pasta de Grande Otelo por preguiça ou deformação cultural e ignorância da história.


E publicam sempre a mesma foto.’


LIBERDADE DE IMPRENSA
Folha de S. Paulo


ANJ comemora dia da liberdade de imprensa


‘A ANJ (Associação Nacional de Jornais), em parceria com a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), promoverá hoje e amanhã uma série de atividades para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado no dia 3 de maio.


Hoje a entidade oferece um jantar em Brasília, e amanhã realizará na Câmara, entre as 10h e as 14h, a Conferência Legislativa sobre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O evento tem como objetivo apresentar aos congressistas as preocupações dos meios de comunicação com a liberdade de imprensa. Será aberto pelo presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, e pela presidente da SIP, a americana Diana Daniels. Estão previstas duas mesas de discussão -sobre o acesso à informação pública, às 11h, e a interferência nos conteúdos da imprensa e o dano moral, às 12h30.


Às 15h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará, no Palácio do Planalto, a Declaração de Chapultepec -texto sobre liberdade de imprensa elaborado naquela cidade mexicana em 1994.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Debate na Band terá ‘performance’ e ‘emoção’


‘A Band vai mudar o formato de seus já tradicionais debates. Neste ano, a emissora experimentará uma fórmula em que os candidatos terão mobilidade no estúdio e o telespectador verá as reações dos debatedores -o que dará maior ‘emoção’ à transmissão.


A mudança mais significativa é que os candidatos ficarão de pé, com uma tribuna exclusiva à disposição (para colocar papéis), e poderão se movimentar numa área delimitada, de até 3 m2.


Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, isso permitirá aos candidatos ‘performances de comunicação corporal’. ‘Há candidatos que se saem melhor se movimentando. Eles poderão ir até a fronteira com o outro’, diz. ‘Se quiserem, poderão até se beijar’, brinca.


O formato exigirá o uso de uma câmera de mão, que circulará livremente entre os candidatos, mostrando ângulos inusitados. ‘Os debates não serão mais caretas. De vez em quando, quero fazer cortes rápidos para as reações dos candidatos, sair da imagem fixa em quem está falando’, afirma.


Nos últimos debates da Band, os candidatos ficaram sentados, imóveis. Devido a acordo com os partidos, a emissora só podia mostrar quem estava falando.


A Band fará debates com candidatos a presidente da República, vice e governadores, além de programas com postulantes ao Senado. Os encontros serão em julho ou agosto e em outubro.


OUTRO CANAL


Cérebro O SBT decidiu adiar a estréia da novela ‘Cristal’, que estava prevista para o final deste mês. Avaliou-se que qualquer estréia pouco antes ou durante a Copa corre sério risco de se dar mal no Ibope. A novela, que deverá romper com o padrão mexicano das produções do SBT, ficou para julho.


Remake A Globo lança neste mês o DVD da minissérie ‘Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados’, exibida originalmente em 1995. O DVD tem três discos com mais de dez horas de conteúdo, que incluem bastidores e entrevistas.


Chucrute Ana Maria Braga embarca para a Alemanha no próximo dia 9 com uma equipe de dez pessoas (o que daria um time de futebol). A ‘seleção’ do ‘Mais Você’ ficará dez dias no país da Copa preparando reportagens, em várias cidades, sobre turismo, cultura, gastronomia e até futebol. O material vai ao ar em junho.


Avental 1 O apresentador Otávio Mesquita, que já fez o papel de chato que acordava artistas, vai agora atacar de empregada doméstica de ‘famosos’, em um novo quadro para o seu ‘A Noite É uma Criança’, da Band.


Avental 2 Mesquita irá fingir que lava e passa. De verdade, irá revirar armários e despensas. No final, será ‘demitido’. Seus primeiros ‘empregadores’ serão José Luiz Datena e Sheila Mello.’


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O Globo


Terça-feira, 2 de maio de 2006


GAROTINHO EM GREVE
Maria Lima e Isabel Braga


PMDB deixa Garotinho à míngua


‘A cúpula do PMDB reprovou a greve de fome iniciada no domingo pelo ex-governador Anthony Garotinho. Considerada um gesto extremo de desespero e fraqueza, a decisão foi recebida com surpresa no partido, que dá sinais de que não vai apoiar a iniciativa do pré-candidato a presidente de exigir fiscalização internacional nas eleições. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), além de considerar a greve inadequada, fez questão de enfatizar que a atitude foi fruto de uma decisão isolada e unilateral.


– É uma atitude pessoal, unilateral. Não é um gesto do partido, tanto que não houve comunicação ao partido ou a mim. É uma questão de foro íntimo – disse o presidente do PMDB, que em entrevista à Rádio CBN afirmou que a atitude de Garotinho não era ‘muito adequada’.


As críticas mais fortes foram feitas por Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), ex-governador de Pernambuco e candidato ao Senado, que defendeu o cancelamento da candidatura de Garotinho.


– Além de denúncias com um conteúdo crescente de problemas, Garotinho está expondo o partido ao ridículo com essa história de greve de fome. Trata-se de um amontoado de denúncias, que reúne corrupção, atos ilegais e má prática política – afirmou Jarbas, que vai propor uma reunião da executiva para avaliar a questão.


Temer disse que analisará a situação com os companheiros do partido. Segundo ele, embora a ala governista do PMDB tenha anunciado a intenção de apresentar um pedido para a realização de uma convenção partidária em maio, para discutir a candidatura própria, o pedido formal ainda não foi protocolado. E se for feito hoje, ele deverá convocar para esta semana uma reunião da executiva.


Entre ironias, integrantes da cúpula do PMDB chegaram a considerar que a greve de fome pode decretar o fim da candidatura, pois, além de não agregar mais apoios, vai minar os já existentes. Alguns líderes anteciparam o retorno a Brasília para hoje cedo para tratar do assunto.


– Isso aí não é um método que deve ser usado para que uma pessoa se torne candidata. Isso é tudo, menos uma manifestação de força. Ele quer que se tenha pena dele. Mas ninguém no PMDB vai ter pena de Garotinho. Mesmo porque ele é muito robusto e uma greve de fome não vai ter o efeito que ele espera tão cedo. É uma manifestação de fraqueza que não sensibiliza o partido – disse o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).


‘Nunca vi um cara tão ousado’, diz senador


O senador Ney Suassuna (PB), líder do PMDB no Senado, concorda com Garibaldi. Ele disse que o partido não irá se sensibilizar ou se solidarizar com a iniciativa.


– Nunca vi um cara tão ousado. Ou ele se lasca de uma vez ou vira vítima. Foi uma jogada perigosíssima. Eu até agora não entendi a razão dessa resposta. Com o padre Luiz Flávio Cappio, lá no Rio São Francisco, deu certo. Com ele não sei se vai dar não. Não creio que o partido vá se sensibilizar. Não deve ter influência em sua candidatura – disse Suassuna.


O deputado Moreira Franco (RJ) também disse que Garotinho não consultou o partido para tomar a decisão. Segundo ele, a proposta de supervisão internacional nas eleições só acontece em casos de extrema gravidade e quando o processo eleitoral já está em andamento.


– Pergunto-me se foi a decisão mais correta. As duas alternativas que ele propõe não dependem dele. Esta atitude deu poder muito grande a quem ele chama de adversário, os jornais – disse Moreira.


Ontem, Garotinho contou apenas com apoio de políticos do Estado do Rio ligados ao ex-governador e secretários de governo que migraram de outros partidos junto com Garotinho para o PMDB. O economista Carlos Lessa também visitou o pré-candidato, mas disse que não faria uma greve de fome. Acrescentou, porém, que espera que a imprensa ceda ao pedido de reparação feito por Garotinho.


– Eu não faria uma greve de fome. Sou PMDB e apoio a candidatura do partido seja qual for o candidato – disse.


No PMDB a situação de Garotinho é vista como muito delicada. As denúncias que estouraram na semana passada prejudicam a candidatura dele que já encontra muita resistência entre os diversos setores do partido. A greve de fome foi interpretada como o último recurso desesperado de Garotinho, que poderá ter sua candidatura à Presidência definitivamente enterrada no dia 13 pela convenção nacional do PMDB. COLABORARAM: Adriana Vasconcelos, Ana Claudia Costa, Dimmi Amora e Pereira Júnior’


Cássio Bruno e Ana Cláudia Costa


Cenas de consternação pela porta de vidro


‘Agarrado a um travesseiro a maior parte do tempo e sentado num sofá de costas para a porta de vidro que dá acesso à sala que escolheu como cenário de sua greve de fome, o pré-candidato do PMDB à Presidência Anthony Garotinho passou as primeiras 24 horas de seu protesto investindo num clima de consternação. Do lado de fora, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e curiosos podiam observar todos os movimentos dele e de sua família, mas eram impedidos por seguranças de se aproximarem.


Durante todo o dia, parentes, correligionários, secretários e pastores conversaram e oraram com o pré-candidato. Antes, todos eram obrigados a assinar uma lista de presença, que, até o fim da tarde, apresentava 164 nomes. O livro estava posicionado estrategicamente em frente à porta da sala onde Garotinho se instalou. Em meio a conversas na sala da sede do PMDB, no Centro, ele bebia apenas água, ia ao banheiro e voltava ao sofá, acompanhado por sua mulher, a governadora Rosinha Garotinho. Em alguns momentos, ele chegou a se ausentar. Garotinho iniciou a greve de fome às 17h15m de domingo.


Mais um dia sem explicações


O candidato não falou com a imprensa. Só por volta das 18h15m, mais de uma hora depois do previsto, leu uma nota oficial de três páginas com novas críticas à imprensa, sem responder a perguntas e muito menos explicar as irregularidade na arrecadação de recursos de sua pré-campanha, motivos que geraram o protesto. O ex-governador enviou ainda a carta ‘À nação brasileira’, publicada ontem pelo GLOBO, ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador José Miguel Musso Musulza, pedindo intervenção no processo eleitoral brasileiro e espaço na mídia para se defender.


Garotinho passou o dia acompanhado de seu médico particular, Abdu Neme. Segundo sua assessoria, ele passou a noite no sofá, sozinho, observado apenas por um segurança. Acordou às 7h, tomou banho e se submeteu a exames de sangue, urina e eletrocardiograma. No único boletim médico divulgado desde que iniciou o protesto, Neme atestou que Garotinho estava lúcido, sem febre, hidratado, com ritmo cardíaco regular e pressão arterial normal. Até 11h de ontem, havia perdido 700 gramas. Seu peso caiu para 89,9 quilos.


Pouco antes de meio-dia, após receber visitas de apoio, dirigentes do PMDB fluminense decidiram que o pré-candidato seria poupado de novas visitas para descansar. Todos que chegavam para prestar solidariedade a Garotinho somente o podiam observar pelo vidro da porta. Políticos de seu partido apareceram pouco antes das 8h. A filha mais velha do casal, Clarissa Matheus, foi a primeira parente a chegar na sede do PMDB, por volta de 9h50m. Rosinha chegou ao meio-dia acompanhada de sete dos nove filhos.


Depois da saída dos filhos ela retornou à sala onde estava Garotinho. Com o mesmo jeito abatido da véspera, Rosinha fazia afagos no rosto do candidato, que permaneceu deitado. Num dado momento, a governadora fez as vezes de secretária do marido, pegando lápis e papel para anotar algumas palavras ditadas por ele.


No oitavo andar do prédio onde fica a sede regional do PMDB, na Avenida Almirante Barroso, no Centro do Rio, a ordem ontem era para que nenhuma espécie de alimento entrasse. Parentes, amigos e integrantes do PMDB eram proibidos de entrar com comida no local. No diretório, apenas cafezinho e água eram servidos a quem estava nos corredores acompanhando Garotinho do lado de fora da porta de vidro que emoldura as cenas do protesto.’


***


Sintomas do jejum, só em cinco dias


O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Paulo Cesar Geraldes, explicou que uma pessoa é capaz de ficar mais de um mês sem alimentação, desde que hidratada. Segundo Geraldes, ao permanecer sem comer, o ex-governador Anthony Garotinho deve começar a apresentar os primeiros sintomas a partir do quinto ou sexto dia de jejum, entre eles: desidratação, falta de proteínas, falta de glicose e enfraquecimento geral. A perda de líquidos e sais provoca, logo nas primeiras semanas, forte emagrecimento.


Geraldes apontou que o artigo 51 do Código de Ética Médica veda ao profissional tentar obstruir a greve de fome de qualquer pessoa física e mentalmente capaz. Nestes casos, o procedimento médico deve se pautar por alertar as possíveis complicações provocadas pelo jejum prolongado e interferir apenas em caso de risco de morte iminente.


– Do ponto de vista ético, estas são as normas em casos como este. Deve haver também um cuidado em especial para o caso de o ex-governador apresentar algum histórico de doença, que pode ser potencializada durante a greve de fome.’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 2 de maio de 2006


GAROTINHO EM GREVE
Alexandre Rodrigues, Kelly Lima e Fabiana Cimieri


Garotinho conta que perdeu 700 gramas e apela à OEA


‘O ex-governador e pré-candidato à Presidência Anthony Garotinho (PMDB) prosseguiu ontem com a greve de fome iniciada no domingo para se defender das ‘calúnias da grande mídia’. Por um boletim médico, divulgado no fim da manhã, ele anunciou que já perdera 700 gramas de peso. E, por meio de assessores, fez saber que havia enviado por fax ao presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Migel Musso Nusulza, uma cópia da carta lida anteontem, na qual pede supervisão internacional das eleições.


O protesto – que Garotinho tacha de ‘sacrifício’ – é uma resposta às denúncias de que o governo do Rio teria contratado organizações não-governamentais (ONGs) suspeitas de ligação com doadores da pré-campanha do peemedebista. Garotinho vem atacando as Organizações Globo e a revista Veja, que, para ele, têm o ‘indisfarçável patrocínio do governo Lula’.


Garotinho foi examinado ontem por seu médico particular, Abdu Neme, que divulgou o boletim por volta das 11 horas. Pelo parecer, o ex-governador estava ‘lúcido, orientado, afebril e hidratado’ e apresentava batimento cardíaco regular e pressão sob controle.


Procurado pelo Estado, o escritório brasileiro da OEA em Washington não quis se pronunciar sobre o pedido de supervisão internacional das eleições. Mas o embaixador Rubens Barbosa, que representou o Brasil nos Estados Unidos até 2004, comentou que a probabilidade de a sugestão ser aceita é mínima.


‘Qualquer acompanhamento de uma eleição tem de ser solicitado pelo próprio governo à OEA ou, no mínimo, ter a sua aprovação’, frisou.


De acordo com o embaixador, o acompanhamento da campanha solicitado pelo ex-governador do Rio é também inadequado. ‘A OEA somente enviaria observadores para o dia da eleição, não para acompanhar o processo que a antecede.’


Na avaliação de Rubens Barbosa, não há ‘base legal’ para que o pedido de Garotinho seja aceito pela entidade internacional, porque o Brasil vive em regime democrático.’


PROPAGANDA & PETRÓLEO
Jarbas Passarinho


Petrobrás, propaganda e a verdade


‘Ainda aluno da Escola de Estado-Maior do Exército, em 1953, recebi de um deputado amigo o Projeto de Lei nº 1.5166-51, resultante da mensagem do presidente Getúlio Vargas propondo a constituição da Sociedade por Ações Petróleo Brasileiro S.A., e a série de depoimentos de ministros de Estado, do presidente do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), engenheiro Plínio Catanhede, do geólogo Pedro de Moura, chefe regional do CNP na Bahia, dos generais Horta Barbosa, ex-presidente do CNP, e Juarez Távora, ex-ministro da Agricultura, e vários outros, como o economista Rômulo de Almeida e o presidente da UDN, Odilon Braga, que também fora ministro da Agricultura. Os depoentes prestaram seus depoimentos nas Comissões Técnicas de Segurança Nacional e de Economia, reunidas. Nas ruas, os nacionalistas faziam passeatas em favor do monopólio no movimento ‘o petróleo é nosso’. No Clube Militar, patriotas dividiam-se entre a posição do general Horta Barbosa, monopolista, e a do general Juarez Távora, a favor de uma companhia mista, no modelo da Companhia Siderúrgica de Volta Redonda. Prevaleceu Horta Barbosa.


O presidente Getúlio, em sua mensagem ao Congresso, servia-se de frases ambíguas, porém fazia ao mesmo tempo ênfase na necessidade de o Brasil crescer com ajuda do capital estrangeiro, mas ‘preferia reservar à iniciativa nacional o campo do petróleo, sabido que a tendência monopolística internacional dessa indústria é de molde a criar focos de atritos entre povos e governos’. O Brasil até então era aberto às chamadas sete irmãs, as companhias responsáveis pela ‘tendência monopolística’ a que se referiu o presidente. Nenhuma se havia interessado em pesquisar petróleo no Brasil. Elas já haviam conseguido produzir o óleo suficiente para abastecer o mundo. Os monopolistas brasileiros usavam esse argumento, concluindo que, se viessem para o Brasil, seria para ‘sentar sobre os poços produtores’ para evitar superprodução e a queda dos preços.


Na Câmara dos Deputados, impressionou-me o depoimento de Plínio Catanhede. Dizia ser necessário o monopólio para a Petrobrás, pois esta ia ampliar as pesquisas e, diante dos parcos resultados obtidos pelo Conselho Nacional, precisava de todo o território brasileiro para, se fracassasse numa região, neutralizar o fracasso com o bom resultado noutra região. Em posição contrária se distinguiam Glycon de Paiva, ex-diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral, e, na imprensa, Assis Chateaubriand, ambos argumentando que o Brasil não tinha dólares, um câmbio de 50 milhões da moeda americana por ano, o que a nossa balança de pagamentos não permitia. Getúlio Vargas sabia que a UDN, no Congresso, a deduzir-se do depoimento de seu presidente, Odilon Braga, emendaria o projeto para torná-lo monopolista. Nesse sentido, Bilac Pinto apresentou a emenda, mas igualmente o petebista paulista Eusébio Rocha apresentou um projeto de lei monopolista.


Durante quase 50 anos, a Petrobrás teve o monopólio, foi obtendo os dólares necessários e não pagou dividendos aos acionistas. No governo FHC, ela perdeu o monopólio, que ficou com o Estado. Pessimistas diziam que ela perderia seus melhores técnicos para as concorrentes. Pois foi a partir daí que ela, já uma grande companhia, passou a pagar consideráveis dividendos e tecnicamente se transformou na mais bem-sucedida pesquisadora em mares profundos. A auto-suficiência, em cuja propaganda o governo Lula gasta rios de dinheiro, é a conseqüência de todos esses sofridos anos de busca de jazidas de petróleo. Nela passei três anos dos mais fascinantes da minha vida, na Amazônia, onde tivemos o malogro de Nova Olinda e os poços secos do paleozóico continental.


Mas, enquanto a terra firme não nos foi generosa, os poços gigantescos da Bacia de Campos garantiram a curva crescente da produção, acompanhando o consumo de um Brasil que se desenvolvia. À Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pagamos um tipo de resgate – como o chamava mestre Gudin -, passando o preço do barril de US$ 2 em 1973 para os mais de US$ 70 de hoje. Ela nos impôs os dois choques que nos impediram de elevar o produto interno bruto (PIB), como o fizemos crescer até o fim do governo Médici, a uma taxa superior a 10% ao ano. Passamos a ter nos últimos dez anos o crescimento pífio de cerca de 2% ao ano. Éramos, no primeiro choque do petróleo, no governo Geisel, os maiores importadores de petróleo do Terceiro Mundo. Se ele parasse as compras, paralisaria a Nação, pois o petróleo e seus derivados eram essenciais aos transportes por terra, por mar e pelo ar.


A história da vitória da Petrobrás é uma seqüência dos governos, sendo seu ponto alto no governo Geisel, quando minimizou a pesquisa em terra e a destinou ao off shore. O governo atual provavelmente foi o que mostrou o menor crescimento, considerando-se os resultados. Com a respeitabilidade que merece, o presidente da Petrobrás disse: ‘Faltam plataformas para construção fora do Brasil para garantir a sustentabilidade da auto-suficiência.’ Poderíamos não correr o risco de vir a perdê-la. E não se falava da necessidade de plataformas no exterior para essa garantia, porque no primeiro comício de campanha de Lula, em 2002, em certo estaleiro no Rio de Janeiro, ele, iludido pelos falsos nacionalistas, criticou a antiga diretoria da Petrobrás ‘porque defendia a realização das superplataformas P-51 e P-52 fora do País’. Ele nada entendia de petróleo, é claro, mas lhe puseram na boca a defesa do nacionalismo equivocado.


Perdemos três anos, mas vamos construir as plataformas no exterior pela simples razão de que não temos estaleiros que, por suas dimensões, permitam sua construção no Brasil. Quanto perdeu a Petrobrás por dia, ao ter as licitações canceladas, agora que se reconhece que elas dariam a garantia que nos falta ‘da sustentabilidade da auto-suficiência’?


Jarbas Passarinho, ex-presidente da Fundação Milton Campos, foi senador pelo Estado do Pará e ministro de Estado’


ELEIÇÕES 2006
João Domingos e Cida Fontes


Oposição vai à Justiça contra discurso


‘A oposição se prepara para ir à Justiça contra o pronunciamento feito domingo pelo presidente Lula para celebrar o Dia do Trabalho. No discurso, em cadeia nacional de rádio e TV, Lula divulgou feitos de seu governo. Os adversários avaliam que ele fez campanha pela reeleição antes do que a lei permite.


O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), avisou que seu partido vai ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ‘Lula faz campanha descarada, deslavada, disfarçada e usa para isso os meios institucionais.’


Em Juazeiro do Norte, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, e o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), fizeram duras críticas. ‘É um precedente grave o presidente ter usado a rede nacional para fazer campanha. Na realidade, é uma autopromoção, campanha política deslavada’, atacou o ex-governador de São Paulo, que no feriado cumpriu no Nordeste uma agenda de campanha eleitoral.


‘QUASE NAZISTA’


Tasso disse que Lula ‘se tornou um delinqüente constante em infringir a Lei Eleitoral e em usar o cargo para campanha’. Ele considerou ‘absurdo’ o uso da rede nacional de rádio e TV. ‘É uma desfaçatez. Impressiona a tranqüilidade com que Lula e o PT quebram toda a legislação. Lula está banalizando a quebra da lei’, protestou.


À noite, em Barbalha, ele voltou às críticas. Disse que a propaganda do governo é ‘quase nazista’ e ‘destina o povo à pobreza e à desinformação’. Alckmin também atacou. ‘Todo dia Lula tem dado exemplos de não cumprimento da lei. Ele não pode usar uma rede nacional para fazer autopromoção.’


O presidente do PSDB informou ainda que já acionou o departamento jurídico do partido para entrar na Justiça. ‘A fala do presidente Lula foi campanha política. Não pode ficar sem resposta’, insistiu.


A Lei Eleitoral só autoriza os candidatos a darem início a suas campanhas depois de junho, quando as siglas são obrigadas a realizar convenções e a registrar oficialmente suas candidaturas. Os tucanos têm acusado insistentemente Lula de já estar em campanha, embora ele não assuma que é candidato.


No pronunciamento de domingo à noite, o presidente fez elogios a seu governo, festejando a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo e apontando os ganhos do salário mínimo ao longo de seu mandato.’


TELEVISÃO
Renata Gallo


‘Se o Pânico acabar, a gente faz outro’


‘Seria impossível publicar literalmente todas as frases proferidas por Tutinha, Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho – leia-se o dono da Jovem Pan e criador do Pânico. Segundos depois do início do nosso encontro, já surge a primeira heresia. Tutinha é uma metralhadora ambulante, por isso, não gosta de dar entrevista. ‘Depois da última entrevista que dei, minha mãe ficou um mês sem falar comigo. Minha mãe é muito religiosa, não gosta que eu fale mal das pessoas’, explica logo, emendando: ‘Mas eu falo mal do Milton Neves mesmo. Ele ganha R$ 1 milhão por mês e está processando o meu pai. E foi o meu pai que deu emprego para ele. O Milton Neves era boy da rádio, ele começou aqui. Como depois processa quem o ajudou?’


A mãe de Tutinha também acha que ele, quando dá entrevista, parece arrogante. ‘Não é isso, o problema é que sou muito sincero. Falo o que penso. Outro dia mesmo estava na casa de um cara cheio da grana, cheio de pessoas cheias da grana, e fui falar com um baita empresário e só fiquei falando m… Ele morreu de dar risada. Não sei ser de outro jeito’, explica.


Depois de o Pânico ser forçado pelo Ministério da Justiça a mudar das 18 para as 20 horas, ninguém da turma quer falar sobre o assunto. A palavra reclassificação chega a dar calafrios. Não para Tutinha. Mas depois de discorrer meia hora sobre o assunto, pede para a repórter filtrar suas declarações. Ok. ‘Olha, eles podem fazer o que quiser com o programa, até acabar com ele. Não tem problema. A gente faz outro e ainda melhor. Temos umas dez idéias de programa na cabeça.’


RANKING DA BAIXARIA


É verdade que Tutinha concorda que, no começo, as pautas do Pânico eram pesadas. Diz, no entanto, que de uns tempos para cá é mais ingênuo que desenho animado. ‘Está parecendo programa da Igreja Universal. Novela das 7 mostra o peitinho, o Pânico não mostra’.


Emílio, que comanda a trupe, anda preocupado, acha que o Pânico pode sair do ar. Tutinha não acha e ainda tira sarro do amigo, com quem trabalha há 15 anos. ‘O Emílio é inteligente, mas é muito dramático. Demais. Se eu fosse levar a sério tudo o que ele diz já tinha me matado. Ele chora muito’, diz.


Mas o João Kleber saiu do ar, não saiu, Tutinha? ‘Não dá para comparar o Pânico com o João Kleber. O João Kleber é unanimidade. Todo mundo acha um programa de mau gosto, de baixaria’.


Tutinha argumenta que o Pânico tem um público A/B, diferente da audiência de João Kleber. E esse dado por si só já explica as diferenças. ‘O Pânico tem um público que é o sonho de todo mundo. Somos formadores de opinião, todo mundo assiste. O Suplicy, o Alckmin, todos políticos – menos o Zé Dirceu – falam com a gente, por que você acha?’ E completa: ‘Nossas brincadeiras são inteligentes porque são feitas por pessoas inteligentes. Olha o Emílio, ele é muito inteligente, mas é dramático’ brinca.


Brincadeiras inteligentes como dormir no ombro do senador Eduardo Suplicy enquanto ele dá entrevista. ‘E daí? Todo mundo sabe que ouvir o Suplicy não é fácil, dá sono mesmo.’


Para ele, as emissoras deveriam ter a liberdade que as dos Estados Unidos têm. ‘Lá passa Jackass na sessão da tarde. Quem não quiser ver que mude de canal, ué?’’


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