Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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ARMAZéM LITERáRIO >

Histórias do New York Times

Por Heródoto Barbeiro em 07/08/2007 na edição 445

O parâmetro aqui não é o de quem é o proprietário do veículo de comunicação, mas sim, se o conteúdo está ou não alinhado com o interesse público. O jornalismo não se guia pelos fatores de interesse que a notícia gera e que dão maior ou menor destaque na divulgação e gera o que se chama de valores-notícia. Ninguém ignora que o maior destaque para as notícias de mais impacto, sensacionalistas ou não, interfere na venda de veículos impressos e aumenta a audiência dos eletrônicos. Os veículos e os jornalistas se empenham em apurar notícias que chamem a atenção do grande público e, geralmente, estão ligadas a acontecimentos recentes, o chamado hard news. Porém, paradoxalmente, elas são as grandes responsáveis pela rápida deterioração do noticiário e fazem do jornal de ontem ótimo apenas para embrulhar peixe.

As reportagens especiais não são aquelas que ocupam mais páginas ou minutos nos veículos. O tamanho deve ser proporcional à importância do conteúdo. Portanto, este é o responsável por qualificar se uma reportagem é ou não ‘especial’. Histórias do New York Times traz uma série de reportagens de conteúdo humano, que ultrapassa o hard news e, por isso, não se perde quando novas edições do jornal são apresentadas. São relatos que prendem a atenção, histórias de seres humanos, muitos infelizes, e de grande realismo, e de situações que alguns imaginariam não existir na avançada sociedade norte-americana. As reportagens são exemplos de como podem conviver com o hard news, com o cotidiano e a notícia com pequena duração. São histórias cativantes, que foram construídas cuidadosamente e que os leitores muitas vezes guardam para ler no fim de semana, quando se livram da pressão do dia-a-dia e esquecem o hard news. É verdade que o produto jornalístico está diretamente relacionado ao cotidiano, porém esses olhares mais profundos enriquecem a mídia e buscam o diferencial nas reportagens, que contêm o mais valioso atributo de um relato: o ineditismo.

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[do release da editora]

Muitas das moedas lançadas na histórica Fontana di Trevi, em Roma, foram para os bolsos de um morador de rua. No escuro da noite, durante trinta e quatro anos, ele pacientemente recolhia as moedas do fundo do lago de cimento com um ancinho e um imã.

Em Scranton, Pensilvânia, um casal procura uma casa para morar. Marido e mulher têm 17 filhos e o orçamento doméstico é apertado. Como conseguir uma casa para abrigar toda a família?

Essas duas histórias têm começo, meio e fim. Juntam-se a milhares de outras que foram transformadas em pautas e chegaram às páginas do New York Times.

Lisa Belkin, responsável por reunir algumas neste livro, conta que a idéia começou em um churrasco de quintal, quando um grupo de repórteres e editores do New York Times notou que todos tinham o hábito de fazer seus filhos dormirem contando histórias do jornal. Mas não eram simples histórias com o olhar detalhista e o admirável traquejo com as palavras dos seus autores. Eram contos maravilhosos, estimulantes e vivos dramas de pessoas comuns que faziam do jornal mais que uma simples narrativa do que aconteceu no dia anterior.

‘Os autores dos artigos abordam temas como família, esportes, animais, idiomas, lugares distantes, com histórias emocionantes, muitas vezes comoventes, e que nem sempre os leitores brasileiros estão acostumados a encontrar’, escreve Heródoto Barbeiro para a edição de Histórias do New York Times, que chega às livrarias com o selo da Ediouro.

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Jornalista

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